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terça-feira, 12 de abril de 2016

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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Dois Poeminha Safado

Linguística

Esqueça a morfologia,
é hora de morfar.

A sociolinguística é o que nos une

Não pense na psique,
na sintaxe,
sinta

Seu cinto sou eu

Não há semântica
Só há sentido
na fonética e fonologia
quando você sente
a melhor função da língua



Schwa 


----------------------

Cronos

Ela rola a rola em seus lábios de labareda
Sua boca quente parece não ter dentes

A língua alinha o universo
Estrelas no céu
Sinto sua textura

Acaricia a pica dura como cimento
Agradeço o nascimento
E a sensação de quase morte

Ela me olha
Olho para meus cílios
Ela me molha
E engole nossos filhos

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Vazio

Encho o peito de fumaça para ver se o vazio passa.

Passam-se segundos e jogo tudo para o alto. Não adiantou.

Com os olhos acompanho a fumaça até que ela se dissipe.

Quando ela não mais existe, tento de novo. Puxo fundo. Sinto a garganta arder.

Tento prender algo dentro de mim, mas não consigo. 

Ela também fuma. Ela também não pensa em nada. Ela também não fala. Ela também limita seus movimentos. Ela também é uma lacuna.

Tudo o que nos resta é ar, que tentamos, em vão, sujar.

Somos dois recipientes vazios e sem tampa.

Tudo o que éramos está simbolizado por um pedaço de látex amarrado e jogado num canto.

Não há desilusão. Não há tensão. Não há tesão. Não há alegria. Não há anseio. Não há vontade. Não há verdade. Não há mentira. Não há pira. Não há ira. Não há rancor. Não há dor. Não há cor. Não amor. Não há. Ná. n

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Com Tato

Dei a buceta e ele nem me ligou.

Não há nem uma mensagem no whats dizendo que foi bom. Não me adicionou no Facebook. Não deve nem lembrar o meu nome. E depois de ele estar dentro de mim não temos mais nenhum contato.

Finge que nada aconteceu, mas nesse momento deve estar batendo punheta lembrando de mim.

Parecia ser um cara legal. Aparentava ser tímido. Talvez nunca tenha estado com uma menina dentro de um banheiro sujo de balada.

Eu que tive que puxá-lo para dentro do banheiro de deficientes. Eu que tive que abaixar as suas calças.

Achei engraçado quando vi suas cuecas já molhadas.

Deixe-o ainda mais molhado com a minha boca. Quando lambia na cabecinha ele levantava a cabeça. Me segurou pelos cabelos, como manda a etiqueta. Tentava mostrar que era ele quem mandava. Forçava a minha cabeça como quem diz: “ande, me chupe por que eu estou mandando”.

O machão não mandou em nada.

Levantei e virei de costas. Baixei a calcinha até o joelho e levantei a saia. Apoiei uma das mãos na privada mijada e com a outra coloquei seu pau pra dentro.

Era uma rola grande.

Saímos do banheiro e demos um selinho. Foi bonitinho.

E hoje ele não fez nada, nem agradeceu pelo prazer, não disse que foi bom, não falou comigo, não me procurou.

Ainda bem.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

A ocasião...

Não a vi direito quando foi.

Só vi passando em minha frente quando soltava a fumaça.

Tenho um certo ritual mecanizado para fumar. Seguro o cigarro com a ponta dos dedos indicador e médio da mão direita. Levo-o à boca no canto esquerdo. Há quem diga que tenho uma marca nos lábios em que o cigarro se encaixa. Quando puxo a fumaça o solto dos dedos e quando termino a aspiração o filtro volta ao seu local inicial. Depois do trago a fumaça sai pelo canto direito.

Foi nesse momento que passou e me viu.

Deu mais uns passos e voltou. Me perguntou se poderia falar uma coisa e, como nem sempre gosto de ouvir coisas, respondi que “talvez”.

Falava apressada e demonstrava certo desespero.


- Eu não vou mentir pra você (logo, pressupõe-se que para outra pessoa ela mentiria) eu faço programa e moro aqui perto. Ontem não consegui fazer nenhum programa (talvez a culpa seja do frio de Curitiba) e não tenho dinheiro nem para almoçar (já era magra por ser magra e sem almoçar ficaria ainda mais magra).

Não era bonita, como a Malu Mader, mas também não era nenhuma Ingrid Guimarães. Estava mais próxima da Silvia Pfeifer.

- Eu não sou daqui. Sou de Paranavaí e sem dinheiro para comer não consigo fazer nada (e sem fazer nada ficaria com menos dinheiro e faria mais nada e comeria menos e....dízima periódica). Tô tentando arrumar dinheiro para pegar uma marmita pra comer. Cê pode me ajudar?

Poderia me aproveitar da situação e propor uma troca da carne pela carne. Eis a minha oportunidade de ganhar algo com a injustiça social. É isso que os vencedores fazem.

Segurando o cigarro com a boca peguei na carteira todas minhas moedas (a economia da rua se baseia em moedas). Em sua mão minhas moedas se juntaram a outras amigas moedas e uma nota de dois reais.

Depois de agradecer ela se foi de novo.

Pensei que com dois reais ela já poderia comer. Dois reais compram uma coxinha, especialmente aqui na região do terminal do Guadalupe onde a gastronomia está longe de ser gourmet. Mas talvez sua fome precisasse de mais que uma coxinha.

O seu desespero, sua fala rápida e sua magreza poderiam mostrar a necessidade por pedra e não pelo que relatou.

Me comoveu a moça.

Sua narrativa e interpretação levaram meu dinheiro. Não sei pra onde.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Bom dia

Sua buceta boceja quando o dia se faz.

No cômodo comum a todos ela entra devagar por debaixo da coberta até desaparecer do mundo e aparecer para ele.

Tateou seu pênis, tirou para fora com delicadeza e cuidado para que não acordassem. Um cheiro desagradável subiu, mas não se importou. Estava determinada a lhe dar um dia especial.

Engoliu para abafar o cheiro. Limpou-o com sua boca recém-escovada.

Acordou. Levantou a coberta para certificar-se de que não era um sonho.

Fez um sinal de silêncio substituindo seu dedo indicador pela piroca.

Segurando com seus finos dedos foi lambendo da base à cabeça de maneira desapressada. Quando alcançava o cume sua língua fazia movimentos circulares sobre a glande.

Com o pau já acordado ela passou a testar os limites da sua garganta. Aconchegava a jeba em sua quente boca.

Passou às bolas e enquanto as engolia o masturbava lentamente.

Ele levantava a coberta e arrumava o cabelo para poder olhar os seus olhos verdes, escurecidos pelo cobertor.

Quando a olhava, ela esfregava a cabeça vagarosamente em seus lábios.

Ela deixou de usar as mãos. Basqueteava em sua rola sem apoio, usando apenas a força do desejo.

Quando seu pescoço começou a doer, decidiu partir para o fatality. Com movimentos rápidos ia de cima a baixo. Subia para descer como uma montanha russa.

Parou quando sentiu a primeira esporrada.

Fez o sobe-desce mais duas vezes e pressionou a cabeça com seus lábios para tirar a última gota.

Dominado pelo tesão ele estica o corpo. Os dedos dos pés apontam para o horizonte.

Deu um beijo de despedida na ponta da pica.

Levantou, arrumou o cabelo, pegou a bolsa e foi trabalhar.

O mendigo ficou deitado mais um pouco, aguardando que alguém o expulsasse da marquise.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

O mundo dá voltas

O mundo dá voltas e ela sabia que iria encontrá-lo.

O dia ia chegar e finalmente veria aquele que ela odeia tanto por um dia ter amado tanto.

Quando ocorresse o encontro finalmente descobriria por que ele fez o que fez e por que não fez o que não fez.

Iria querer saber o porquê botou o pé na estrada no momento seguinte de ela ter fechado as pernas.

Vazou tão rápido quanto gozou. Nem deixou o suor secar para sacá-la da sua vida.

Mas o mundo dá voltas e ele teria que se justificar, teria que falar por que não falou com ela no dia seguinte. Por que não ligou, não enviou mensagem, não mandou um face. Nem um whats. Não merecia nem um whats?

Queria saber por que jogou fora aquilo que ela tinha guardado para ele ao longo de seus 15 anos.

Mas o mundo dá voltas e teria que contar por que contou para todo mundo o que não deveria ter contado.

Mas, diferente do que ela pensava, ele ficaria a vida inteira morando na França até o resto da vida e nunca mais se veriam.


Independentemente disso, o que realmente importa é que o mundo dá voltas e graças aos movimentos de rotação e translação acontece a mudança dos dias e anos.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Ceda à Sede

Aquele jeito formal me enlouquecia. Delicadeza sem excesso. Educação sem ar superior. Inteligência para conversar sobre multiplicidades. Simpatia em cada palavra e sorriso sempre presente.

Infelizmente, apresenta a mesma sagacidade que me conquista para se esquivar de minhas investidas. Mas hoje vai. Hoje tem que ceder. Hoje é o dia da noite inesquecível.

O pior é que insiste em falar no compromisso. Já estão juntos há anos. Já está mais do que na hora de cair na rotina e o amor decair. Está no momento de ter vontade e curiosidade por outros corpos. O meu, por exemplo.

Todo assunto faz com que comente sobre o namoro. Mas por certo ponto de vista isso é bom, pela semelhança ou pela oposição, há uma comparação. Pode pensar em mim como uma alternativa ou reafirmação.

Para que tudo dê certo tenho um plano infalível e uma arma perfeita: bebida. Muita bebida para esquecer quem está em casa e lembrar só do que vê pela frente. Somente eu.

Não é possível que muito álcool não deixe tudo suce. Suscetível.

Depois de muita cana jogo uma indireta e se não funcionar vou direto. Digo que quero transar. Que sempre quis. Que quero agora. Que pago tudo. Que chupo tudo.

Vou assim mesmo, com o pé nas costas. E se ainda assim recusar, agarro de forma inescapável. Depois já era. É um pulo para a cama.

É impossível a formalidade resistir à embriaguez do beijo.

Mas está demorando. Como bebe. Como custa chegar ao momento do ataque. Eu, que bebo bastante, já começo a falar enrolado. Olho de maneira insinuante, mas parece que a embriaguez impede que perceba. Parece distração, mas quero ver pensar em outra coisa na cama. Quero ver pensar naquela maldição de cônjuge.

Enquanto isso, bebe vai. Pede mais uma. Vamos conversando. Vamos fumando. Não ligo para o seu bafo de cigarro. Isso não é nada frente à sua perfeição. Perfeição que eu vou despir, vou pegar, vou esfregar, vou lamber e depois colocar esse seu caralho para pulsar dentro da minha aconchegante buceta.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Ele, ela e a operadora - Parte II

Ficou o dia inteiro na cama. Não se atreveu a comer e vomitou o que bebeu.

Próximo às 21h o apetite começava a abrir, parece que agora vai.

Depois cometeria o mesmo erro: beber o máximo que o corpo aguentasse.


Claro, sabia que iria se arrepender, da mesma maneira que estava arrependido agora. Mas não ficaria em casa em pleno sábado à noite.

Estava na idade em que sábados jamais eram perdidos e um sábado ganho era aquele que tinha muito álcool.

Mas aonde ir? Sua única comunicação ao longo do dia foi com a televisão, a cama e a privada.

Sacou o celular e disparou uma mensagem coletiva. “E aí? Vai fazer o que hoje?”.

A mensagem também não era tão coletiva. Selecionava os contatos de acordo com a frequência com que saia e dava preferência aos contatos femininos.

Quando passou pelo nome dela sua face veio à mente. Por 26 segundos pensou se deveria mesmo enviá-la. Enviou, mas sem fé na resposta.

- Naum sei ainda e vc? (21h15)

Buscou passar a impressão de que a mensagem fosse única.

- Naum sei tmb. Por isso mandei msg, pra ver se vc tinha alguma. (21h16)
- Hum. Pur enquanto nd. (21h20)

- E vai continuar assim? (21h20)

- Assim como? (21h23)

- Fazendo nada. (21h23)

- Num sei ainda. (21h27)

- É, pelo jeito vai. Tava ah fim de faze alguma. (21h27)

- Acho que vou ficar em ksa. (21h30)

- No sábado? Ah, vamo tomar alguma coisa. Uma cerveja, um vinho...um banho! (21h31)

- oiuHEIueiouEIOUiheuhu abusado! (21h31)
- Vô ficar em ksa mesmo. Tô sem carro. Meus pais foram viajar. (21h32)

- Mas eu tô de carro. Vamos fazer alguma entaum!? (21h32)

- Ah. Tô meio sem grana tbm. (21h38)

- De boa, eu pago a bera hj! (21h39)

- Ah, não curto muito sair sem grana. (21h47)

- Cheia de mimimi né!? (21h47)

- Ah, não é, mas tô ah fim de ficar em ksa mesmo. (21h53)

- É, eu tbm. Tô com vontade de ficar na tua casa! Oauehoaueoiuahoieu (21h53)

- ouaieuoaiuehioauehoiauheoiau besta! (21h55)

- Mas é sério! Aoiueioauehiouaoihu (21h56)

- Vem aqui então. Traz aquela bera que vc disse que ia pagar. (21h57)

- Tá bom. Que hrs posso ir? (21h59)

- Vô toma banho. Daqui uns 40 min pode vir. (22h04)

- Blz. Num lembro direito onde que eh. Me passa o end certinho. (22h06)

- ...

- Tá viva? (22h50)

- Tá. Me chama e não passa o end. Bem Curitibana mesmo neh!? (23h15)

- ...

- Se não queria que eu fosse por que chamou então? (00h23)

Foi dormir sem resposta. Com cervejas e camisinhas intactas.

Durante a madrugada de segunda para terça-feira recebeu as mensagens (7). Meio dormindo, demorou a entender, mas com uma lembrança dolorida, recordou-se. 

Tim, viver Com fronteiras...e abstinência sexual.


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Confira a primeira estória de "Ele, ela e a operadora".

quinta-feira, 14 de março de 2013

Flashes

Flash nº 16

Já eram 4h e eu ainda estava lá. Mesmo tendo que estar no trabalho às 8h. Aquele inferninho no centro da cidade era o único lugar aberto àquela hora. Estávamos completamente bêbados, mas não inanimados.

Jamais imaginei que entraria naquilo, mesmo quando passava por ali de dia.

Os meus dois amigos eram frequentadores do local, cumprimentavam o garçom e o porteiro pelo nome e conheciam outros presentes.

Flash nº 15

Homens e mulheres bêbados dançavam no salão. Deveria ter umas 40 pessoas ali. Bolas e tacos abandonados na mesa de sinuca. Casais aparentemente recém-formados ficavam em cantos mal iluminados. Mesas serviam de camas improvisadas para os alcoolicamente sonolentos.

Ficar encostado no balcão me pareceu o ponto mais seguro. Tomava uma cerveja enquanto olhava para os meus amigos, que dançavam sorridentes com duas meninas. Feias. Lazarentas de feias.

Dançavam e me olhavam. Exibir aquelas moças de poucos dentes parecia divertido.

Flash nº 9

Vinha sorrindo em minha direção. Pensei em sair, ir até o banheiro. Mas continuei ali. A aproximadamente um metro a reconheci.

Flash nº 13

O dia já clareava quando entramos em um daqueles motéis do centro. O cara da recepção a confundiu com uma puta, mesmo nunca tendo a visto ali (?). Não nos incomodamos com o pulgueiro. Pagamos R$ 25.

Flash nº 10

Tinha o cabelo volumoso e era corpulenta. Deveria estar com uns 50 anos. Eu, 20. Tinha um vestido preto um pouco acima do joelho, que revelava suas formas. O seu olhar permanecia misterioso e penetrante.

Flash nº 14

Olhava para aquela imensa bunda e até me abaixei para tentar ver sua calcinha enquanto subia as escadas. Mesmo sabendo que dentro de alguns instantes poderia ver tudo o que queria. Pura molecagem.

Flash nº 1

Acordei com o gosto salgado daquela tenra buceta.

Olhei para aquele corpo ao meu lado e lembrei que um dia aquele fora um belo corpo. O observava muito durante a infância. Olhava com detalhes durante o dia para me masturbar de noite. Jamais transaria com uma mulher daquela, se não fosse ela a mãe de um amigo de infância. Pude sentir o gosto que não tive quando criança.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Um amor para recordar

Nunca vou esquecer aquela noite.

Estávamos com uma vontade excessiva. Não sei se pelo que tomamos, pelo tempo que não transávamos ou pela animação natural que se tem em fazer sexo.

Nunca vou esquecer o jeito que ela subia e descia. Além do tato, invocava o prazer pela visão. Me dava ainda mais tesão observar aquele corpo e o desejo era completo quando ela me olhava nos olhos.

Enquanto seus seios siliconados pareciam não se mover, seu piercing não parava. De sua cintura fina seu corpo alargava-se para o quadril até chegar a suas grossas coxas, que se contraiam quando ela subia até quase tirar a cabeça. Soltando o peso do corpo ela ia rapidamente do topo à base do meu pênis.

A empolgação extrema durou até o momento em que ela subiu demais, desencaixou, sentou em cima e quebrou o meu pau.

Que noite inesquecível.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Sinceridade feminina

Camila era despojada, espontânea, risonha e sincera. Gostava de conversar, gritar e falar palavrão. Era vaidosa e vestia com requinte seu corpo magro, bronzeado e de estatura mediana. Assim como seus dedos, seus lábios eram finos. Tinha seios naturais que cabiam em uma mão. Camila era também conhecida por outra característica: dava para qualquer um.

Camila gostava de transar e achava homem chato demais para namorar, por isso queria apenas a parte que importava. Como a maioria dos homens podia lhe dar o que queria então podia ser qualquer um.

Se pudesse Camila faria sexo todo dia e, se aguentasse, o dia inteiro. Não dava para dois ao mesmo tempo, mas se houvesse oportunidade daria para mais de um no mesmo dia.

Não era necessário galantear, conversar, levar para jantar, flertar. Não precisava nem dizer o nome. Bastava um “vamos transar” e pronto.

Sabia que outras mulheres queriam ser como ela. Não ligava para o que falavam e falava por si mesma. Repetia quantas vezes fosse preciso que dava para quem quisesse comê-la.

Mas tinha seus critérios e deixava bem claro que se não gostasse pararia tudo, se vestia e ia embora. Se isso ocorresse, Camila contaria para todo mundo o baixo desempenho do cidadão.

Esse fato afastava os homens que pudessem se aproximar pelo sexo. Tinham receio e até medo de ter seu desempenho sexual divulgado.

Camila morreu virgem.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Ora bola

Éramos seis naquela mesa de bar. Três casais, três damas, três senhores e apenas quatro testículos.

Não sei como chegamos àquele que se tornou o ponto alto da prosa, mas o fato é que dos senhores ali presentes eu era o único a possuir dois testículos. Os outros dois carregavam um cada um. Fiquei até feliz pelo encontro. Qual seria a possibilidade daquilo acontecer? Uma mesa com três homens dos quais dois tinham apenas um testículo?

Um dos rapazes leva a história numa boa e a revela sem maiores problemas, o que lhe rende muitos apelidos na firma, como “monobola” por exemplo. O outro não conta sua intimidade habitualmente e quando decidiu expor o vazio de seu saco escrotal encontrou um semelhante.

Imaginei que fosse de nascença quando fizeram aquela declaração, mas não. Um dos dois rapazes acordou um dia qualquer e lá estava uma bola de sinuca onde deveria ter uma de gude. Deve ser daí a expressão “acordar de ovo virado”.

Passado um dia foi em busca de médicos, dos quais os cinco primeiros disseram ser um câncer. O sexto apontou uma inflamação no testículo, fazendo o diagnóstico correto, diferentemente dos outros cornos (Corno é um dos piores xingamentos para um homem. Veja mais em “Ligações”).

Me impressionei tanto com a história do homem de um testículo só que não prestei muita atenção na história da bola do outro homem. Como não se faz omelete sem se quebrar alguns ovos foi necessária a remoção de uma das bolas em campo.

Mesmo com um jogador a menos eles são pessoas comuns: tem ereção normalmente e podem ter filhos. Um deles até encara longas maratonas sexuais, de acordo com sua senhora, o que demonstra que não faz falta alguma.

Apesar da normalidade, quando levantaram fiquei observando se andavam meio pensos para um dos lados, o que não se confirmou. Depois imaginei se eles têm algum tipo de benefício como lugares preferenciais para estacionar. Se houvesse como seria a placa indicativa?

Penso que deve ser meio diferente esteticamente. Por que no verão, por exemplo, aquela parte em questão já fica meio feia. Imagine na copa com apenas um peso.

Confesso que fiquei curioso. Mas nesse caso é melhor manter a curiosidade do que pedir para ver.

OBS: Hey, um de vocês dois, se estiverem lendo isso me contem uma coisa: depois de tirar o médico deixou vocês verem o lance?
Respondam anonimamente nos comentários.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O meu sofá

Ela disse que era Qboa, mas eu sei. Era porra.

Sei até de quem era. Vizinho filho da puta. Já tinha percebido a troca de olhares e o jeito que ela falava com ele. Cadela. Ela não fala desse jeito com qualquer um. Não é simpática, nem um pouco. Nem com quem conhece ela conversa desse jeito.

E o pior é que o cara é gente fina, o filho da puta. Eu que o chamei para almoçar aqui em casa naquele dia. Naquele maldito dia em que se conheceram.

“É Qboa amor”. Por que teria Qboa ali? Na sala? Longe da lavanderia. Qboa de cu é rola, literalmente. Aquele cara que parecia meu amigo gozou no meu sofá. O sofá que paguei caro, que escolhemos sorridentes. Agora o branco do nosso sorriso se tornou o branco viscoso ao lado do qual sento para jantar.

Será que ela realmente espera que eu acredite? Justamente no dia em que ela não foi trabalhar por causa de uma suposta gripe aparece essa porra dessa mancha (ou seria essa mancha de porra?).

Toda vez que olhar pro sofá vou imaginá-los trepando. Posso até visualizar ele tirando o caralho veiudo da boceta da minha mulher e deixando cair porra no meu sofá.

Preciso fazer alguma coisa, mas o quê? Questioná-la, dizendo que sei o que aconteceu? E se ela assumir e me abandonar? E se ela me abandonar e for morar ao lado da minha casa? O que minha família vai dizer? O que eu vou dizer para minha família?

E se eu não disser nada? Vão continuar transando em cima do meu sofá?

Taquei fogo no sofá.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A Rede Social - Por Alexandre Fernandes

Afonso era do tipo galanteador e boa praça. Nunca quis se enrolar com nenhuma moça. Mas um belo dia se apaixonou por Glorinha. Uma linda moça dos cabelos cor de ouro. Que encantava a todos com sua beleza e com seu jeitinho conciliador.

Glorinha namorava Arthur. Um rapaz meio calado, que só falava quando era consultado. Ele vivia em seu mundinho particular dentro de sua cabeça e nas revistas em quadrinhos que colecionava. Dizia que era o rei de si mesmo.

Por causa deste jeito caladão de Arthur, Glorinha decide se separar de Arthur. Ele não aceitou muito bem. Glorinha saiu em busca de um novo amor. Afonso, malandro que é, se ofereceu para ser este novo amor. Glorinha prontamente aceitou para desespero de Arthur.

No facebook a linha do tempo de Glorinha indicava: Glorinha Castilho está em um relacionamento sério com Afonso Pires. Afonso curtiu. E o vingativo Arthur comentou: Já comi!

Fim

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Sim, sim, sim. Nessa semana o Di-Vagá recebe a nobre visita do nosso amigo Alexandre Fernandes, O Kibe (@alexxfernandes).
O Cara é jornalista e um dos responsáveis pelo site http://www.allejo.com.br.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Em tempo

“Eu te amo!”.

Disse ela pela primeira vez após terem transado.

Ele era um escroto. Talvez insensível demais, sincero demais, seco demais. Não respondeu nada.

Só queria sexo. Em nome desse sexo não iria mentir. Não diria aquilo só por que ela queria ouvir.

Sentiu-se feliz, mas preocupado. Feliz por ser amado, mas preocupado pelo mesmo motivo. “Era só sexo e agora essa guria tá me amando. Como vou me livrar disso?”.

Se livrar de alguém ou algo que se odeia pode até ser fácil, mas se livrar do que ou quem te/se ama...

A resposta veio apenas um ano depois. Não se livrou. E amou. Amou e disse.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Sonho impossível (?)

Tive um sonho. Um sonho bom. Estávamos saindo de casa para ir a uma festa. Namorávamos e tínhamos uma rotina normal. Tão simples. Parecia verdade.

Um sonho tão possível, tão palpável, exceto pelo fato de não poder-mos namorar. Afinal, não posso largar meu namorado por aquela loucura que nós duas cometemos.

Mas ainda assim, queria que continuasse. Queria que estivéssemos no meu sonho, que se realizasse. Como não dá, queria ao menos que o sonho continuasse. E também não deu. Acordei sorrindo.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Os Três Pedidos ou Outro Estágio

Era grossa, estúpida e sádica. Não media esforços alheios para a empresa crescer e dizia que os funcionários deveriam “vestir a camisa”.

Alguns diziam ter dó, que toda maldade era vinda da vida amarga. Era solteira, sozinha e solitária. Não gostava de crianças ou cachorros (e nem de gente). Ainda assim trabalhava justamente com pessoas, supostamente fazendo bem a elas, nem que para isso moesse os funcionários como em uma máquina de carne.

Enquanto o baixo clero deveria estar cedo e a todo vapor no trabalho, chegava diariamente de ressaca. Devia beber muito, tinha muita mágoa para afogar.

Sempre deixava claro que ela quem mandava. Andava pela empresa como um vigia. Ao vê-la todos engoliam palavras, sorrisos e as boas vibrações. Uma nuvem negra parecia a acompanhar.

Apesar disso tinha um discurso de unificação e amizade fora da instituição. Era a principal agitadora de festas, comemorações e afins. Socializando, parecia até simpática. Em seu aniversário fez questão que todos fossem. E lá estavam. Mais por obrigação que por consideração.

Enquanto alguns vinham e iam, Ale, o estagiário mais novo ficava. Sentia-se bem por se enturmar tão rápido.

Sobrou apenas a chefe e ele. Pela fama ele carregava certo medo, mas àquela hora, bêbados, a conversa fluía bem. Ainda assim ele buscava manter a formalidade. Ela não.
- Posso te pedir uma coisa?
- Claro chefe.
- Melhor. Duas e dependendo da resposta mais uma. Pode ser?
- Sim.
- Não me chama de chefe. Me chama de Ma.
- Sim. Claro. Desculpa Ma. E o que mais?
- Me dá um beijo.

Ao terminar de falar ela agarrou o franguinho. Com vontade. Meio tímido foi abraçando-a de leve. Apesar de ter gostado, ficou totalmente sem jeito. Ela agradeceu. Com um sorriso ele respondeu: “Qué isso. Eu que agradeço”.

O beijo quebrou a conversa que levavam. Sem rumo, a cabeça dele dava voltas na busca por um assunto, que parecia ser obrigatório. Quanto mais tempo passava mais sentia a necessidade de falar algo.

Não se tratava de um gênio, mas havia mais um pedido. Perguntou qual era. Sorrindo, ela levou os lábios próximos ao seu ouvido e disse que depois faria.

Beijos, cerveja e conversa se passaram e o bar ia fechando. Como quem não quer nada, garçons colocavam as cadeiras sobre as mesas. A empolgação trazida pela situação e pelo álcool fez com que ela o convidasse a ir até sua casa. Próxima, com cervejas e carona (sabe comé vida de estagiário né!?) a casa da chefe pareceu sedutora, tanto quanto a própria.

Sentaram-se no sofá e as cervejas lubrificavam a longa conversa ideológica. Não querendo parar o diálogo, pois isso poderia significar uma nova falta de assunto, segurou a urina mas não resistiu.
Ao lavar a mão olhou-se no espelho e sussurrou: “Aaaaaah muleke. Cê é foda hein!? Acabou de entrar no trampo e já tá pegando a chefe”.

Na volta não a encontrou na sala. Ela surgiu do corredor trajando apenas uma calcinha branca. Apesar da podridão interna tinha um belo corpo, que se revelava enquanto vinha em sua direção. Olhava-a sem reação. Sentou-se de frente em seu colo e quebrou com beijos a hipnose por ela mesma causada.

Pegou sua mão e o levou para o quarto. Tirou sua roupa. Ela controlava a situação como fosse a primeira vez de um virgem com alguém experiente (e talvez fosse). Com a voz baixa veio o terceiro pedido: “Me bate”.

O favor veio inicialmente com tapas tímidos até ela gritar: “Mais forte!”. Pegou sua mão e fez com que puxasse seu cabelo.

Puxou, bateu, xingou e agora ele quem ditava as ordens, assim como era o desejo dela: inverter os papéis, ser tratada com submissão, como cachorro(a).

No dia seguinte mal conseguia sentar. Estava realizada, mas jamais iria sorrir ou demonstrar isso no trabalho. Um mês depois Ale foi demitido. Nunca mais se viram. Um novo estagiário vem aí.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Olhos

Ele a dominava. Ela simplesmente consentia, entregando-se com toda sua generosidade. Permitia que ele fizesse tudo que quisesse, mesmo que, na realidade nem a tocasse. O ato sexual ocorria apenas através do olhar.

Ele a devorava por meio da visão. Aquela imagem que chegava até sua retina e era transmitida pelo nervo óptico fazia com que, ao chegar ao cérebro, ele imaginasse situações em que ambos estariam de olhos fechados.

Ela percebeu. Era de certa forma recorrente aquela situação. Fingia não ver e às vezes até fazia poses para que o imaginário masculino fosse cada vez mais longe. Deixava com que olhassem, vissem, observassem, degustassem.

Ele queria ali mesmo beijá-la ferozmente. Arrancar sua roupa e domá-la com muita sede ao órgão. Com tanta vontade quanto um casal que depois de muito tempo volta a colocar seus corpos em encontro. Mas nada sai do imaginário, onde ficaria por muito tempo.

Aparentemente distraída até então, e após dominar aqueles olhos famintos, ela olha para ele com expressão de desprezo e vai embora.

Ele derrama uma lágrima. O gozo de quem come com os olhos.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

A lobisomem

Algo a atrai para fora. Sentia-se encalorada e o chamado constante parecia mais forte. Mas não sairia de casa sozinha, a esmo. No princípio não sabia o que era, mas em uma noite dessas descobriu: era a lua. Lua cheia.

Não sabia quando começou, mas agora era freqüente. Em noites enluaradas um comichão a atacava. A lua parecia a puxar com uma corda para sair e fazer algo. Se fosse realmente por meio de uma corda que a lua a atraia, havia um gancho engatado diretamente na vagina de Josiane. E era justamente lá que seria engatada nessas noites.

Tinha 25 anos. Seus cabelos levemente ondulados iam até o meio das costas. Pele morena, lisa, parecia não ter poros. Seu corpo era belo, não artificialmente como corpos de academia, mas moldado naturalmente. Bochechas minimamente grandes e carregava um eterno sorriso fácil e sincero.

Era reservada, tímida, mas entre amigos se revelava despojada. Tivera apenas um namoro, que pouco durou. Não ficava com qualquer um e não dava entrada para que tentassem. Mas naquelas noites se transformava.

Pela manhã o corpo já agia diferente. Agitada. Quando começava a escurecer olhava para o céu e já estava plenamente decidida: naquela noite iria dar.

Percorria a agenda e localizava o alvo. Começou com aqueles com quem tinha mais intimidade, depois era qualquer um. Ligava e chamava para sair. Ao colocar o corpo para fora a atmosfera lunar parecia sugar toda sua inocência.

Em muitos casos nem saia da frente de casa. Ali mesmo, no carro, atacava o rapaz. Quando conseguia se controlar um pouco saia e posteriormente iam para um motel. Mas tinha sua exigência: motel com teto solar.

Revezava os homens. Caso contrário iriam pensar que ela queria algo sério. Os conhecidos se esgotavam e agora ia com qualquer um. Saia do trabalho e ia para o bar mais próximo. Um rápido olhar era o suficiente para o ataque.

No outro dia nada de telefone, nada de mensagem, nenhum contato. Isolava-se o máximo e refletia por que havia feito aquilo, mesmo já sabendo. Ficava com a consciência pesada, mas logo passava.

Em certa ocasião não conseguiu tranqüilizar-se tão facilmente. Engravidou da lua cheia. Entorpecida de álcool e tesão não lembrava quem foi a vítima.

Numa noite de lua cheia seu filho nasceu. Tinha mais pêlos que o comum. Seu choro parecia um uivo.