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terça-feira, 29 de março de 2016
Canção do Exílio Curitibana
Minha terra tem pinheiros,
Onde canta o Plá;
Os pombos, que aqui rodeiam,
Gostam muito de cagar.
Nosso céu é mais cinza,
Nossas vagas, menos flores.
Nossos shoppings têm mais vida,
Nossa vida vendedores.
Em andar, sozinho, à noite,
Mais nazis encontro lá;
Minha terra tem preconceitos,
Que dão vontade de chorar.
Minha terra tem bolores,
que não dá pra evitar;
Tem neblina toda noite,
Muita umidade no ar;
Minha casa tem goteiras,
enquanto a chuva não parar.
Não permita deus que eu morra,
Sem a neve eu avistar;
Sem a Avenida das Torres
um dia desengarrafar;
que eu não morra de vergonha,
se me obrigarem a falar.
quinta-feira, 16 de abril de 2015
Eterna companhia
Quando criança não sabia o quanto era importante para mim. Minha mãe não me ensinou, mas a vida sim. Tive que apanhar muito e aprender sozinho que não posso viver sozinho.
Nosso relacionamento foi como um rolo que você vai enrolando, enrolando, enrolando e termina em casamento.
Conhecemos juntos as cores. O amarelo, o verde e até o vermelho. Mas nossa relação é, na maioria das vezes, transparente.
Não amo, mas dependo. É uma doença. Não consigo me livrar. Faz parte de mim. Me desespero só de pensar no fim.
Na dúvida, estou sempre prevenido.
Tenho companhia no ônibus, no carro, na firma e, acima de tudo, no quarto. Com a cama fria ou quente, sempre está lá à minha espera.
Alguns estranham, pensam que utilizo para fins escusos.
Estará sempre comigo (?)!
Divórcio? Não consigo.
Parece exagero, mas acredite, não há como viver em Curitiba, tendo renite, e não carregar papel higiênico.
Nosso relacionamento foi como um rolo que você vai enrolando, enrolando, enrolando e termina em casamento.
Conhecemos juntos as cores. O amarelo, o verde e até o vermelho. Mas nossa relação é, na maioria das vezes, transparente.
Não amo, mas dependo. É uma doença. Não consigo me livrar. Faz parte de mim. Me desespero só de pensar no fim.
Na dúvida, estou sempre prevenido.
Tenho companhia no ônibus, no carro, na firma e, acima de tudo, no quarto. Com a cama fria ou quente, sempre está lá à minha espera.
Alguns estranham, pensam que utilizo para fins escusos.
Estará sempre comigo (?)!
Divórcio? Não consigo.
Parece exagero, mas acredite, não há como viver em Curitiba, tendo renite, e não carregar papel higiênico.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Calor abundante
Dia desses vi uma cena incrível. E não fui só eu. Meu amigo, carinhosamente apelidado de Feio, também presenciou a cena.
Vimos o sol em Curitiba.
Isto pode parecer comum, mas não é. Vivemos na capital brasileira onde menos fez sol em 2013. Assim sendo, a aparição constante do astro rei já é um fato absurdo.
Esse calor avassalador das últimas semanas pegou os curitibanos de calças curtas e neste quesito sou privilegiado. Posso, ou ao menos acho que posso, trabalhar de bermudas. Quando vejo alguém trajando terno e gravata sinto vontade de lhe dar um solidário abraço. Mas, sou curitibano. Então finjo que não vi.
O uso da querida bermuda em ambientes de trabalho tem chamado atenção aqui neste país tropical abençoado por Deus. Apoio a medida, desde que não se aplique a defuntos recém-morridos. Trabalhar de bermuda tudo bem, mas bater as botas de chinelo seria informalidade demais.
Enquanto os homens ainda lutam por esse direito as mulheres podem livremente caminhar com seus decotes, vestidos, saias e shorts. Diante da proibição do uso de bermuda no prédio do Centro Administrativo do Estado do Rio de Janeiro um funcionário conseguiu brasileiramente driblar a lei. Foi trabalhar de vestido. Simples assim.
Mas, o que eu e o Feio vimos não foi apenas o sol, que nos obriga a usar roupas curtas. Nós vimos a lua. Branca e com suas diversas crateras.
O dia em que tivemos essa visão foi o mesmo em que um homem andou nu pela XV, esta rua onde agora as pessoas andam pelas beiradas para tentar pegar um pouco da sombra das marquises e não mais para escapar do temível palhaço-imitador.
Estávamos eu e o Feio sentados em frente à loja onde o Felipe (Vulgo: Torre Negra) trabalha. Esperávamos o Torre sair para tomarmos a merecida gelada de sexta-feira.
Eis que surge a lua.
Passa por nós uma imensa bunda. Desnuda. Branca. Sem sequer uma calcinha para apará-la.
Eu e o Feio nos solidarizamos com a moça que teve a sua saia presa na bolsa e agora exibia suas nádegas para quem quisesse e não quisesse ver.
Tentamos avisar a pobre. Ela estava quase chegando à Praça Tiradentes, onde passaria por pontos de ônibus lotados e atrairia olhares muito menos caridosos que os nossos. O Feio gritou, em vão, tentando salvá-la.
Logo atrás dela havia um casal que nada disse. Talvez o homem se calou por que sua namorada poderia concluir que ele olhava para a bunda e isso desencadearia um ataque de ciúmes.
Já a senhorita do casal pode ter visto, mas também não disse nada por que o rapaz que se fazia de cego poderia deixar de fingir e ver tudo de uma vez.
Mas, especulações a parte, o fato é que nem o casal, nem ninguém, a alertou.
E a branca bunda desprotegida seguia rumo à Tiradentes.
Antes da tragédia anunciada um sinaleiro a salvou.
Ao parar na esquina ela percebeu o acontecido. Abaixou a saia e partiu.
O feio e eu vibramos e nos abraçamos aliviados.
Sem dúvida o mundo precisa de mais pessoas como eu e o Feio, ou ao menos as meninas de saias levantadas precisam.
Vimos o sol em Curitiba.
Isto pode parecer comum, mas não é. Vivemos na capital brasileira onde menos fez sol em 2013. Assim sendo, a aparição constante do astro rei já é um fato absurdo.
Esse calor avassalador das últimas semanas pegou os curitibanos de calças curtas e neste quesito sou privilegiado. Posso, ou ao menos acho que posso, trabalhar de bermudas. Quando vejo alguém trajando terno e gravata sinto vontade de lhe dar um solidário abraço. Mas, sou curitibano. Então finjo que não vi.
O uso da querida bermuda em ambientes de trabalho tem chamado atenção aqui neste país tropical abençoado por Deus. Apoio a medida, desde que não se aplique a defuntos recém-morridos. Trabalhar de bermuda tudo bem, mas bater as botas de chinelo seria informalidade demais.
Enquanto os homens ainda lutam por esse direito as mulheres podem livremente caminhar com seus decotes, vestidos, saias e shorts. Diante da proibição do uso de bermuda no prédio do Centro Administrativo do Estado do Rio de Janeiro um funcionário conseguiu brasileiramente driblar a lei. Foi trabalhar de vestido. Simples assim.
Mas, o que eu e o Feio vimos não foi apenas o sol, que nos obriga a usar roupas curtas. Nós vimos a lua. Branca e com suas diversas crateras.
O dia em que tivemos essa visão foi o mesmo em que um homem andou nu pela XV, esta rua onde agora as pessoas andam pelas beiradas para tentar pegar um pouco da sombra das marquises e não mais para escapar do temível palhaço-imitador.
Estávamos eu e o Feio sentados em frente à loja onde o Felipe (Vulgo: Torre Negra) trabalha. Esperávamos o Torre sair para tomarmos a merecida gelada de sexta-feira.
Eis que surge a lua.
Passa por nós uma imensa bunda. Desnuda. Branca. Sem sequer uma calcinha para apará-la.
Eu e o Feio nos solidarizamos com a moça que teve a sua saia presa na bolsa e agora exibia suas nádegas para quem quisesse e não quisesse ver.
Tentamos avisar a pobre. Ela estava quase chegando à Praça Tiradentes, onde passaria por pontos de ônibus lotados e atrairia olhares muito menos caridosos que os nossos. O Feio gritou, em vão, tentando salvá-la.
Logo atrás dela havia um casal que nada disse. Talvez o homem se calou por que sua namorada poderia concluir que ele olhava para a bunda e isso desencadearia um ataque de ciúmes.
Já a senhorita do casal pode ter visto, mas também não disse nada por que o rapaz que se fazia de cego poderia deixar de fingir e ver tudo de uma vez.
Mas, especulações a parte, o fato é que nem o casal, nem ninguém, a alertou.
E a branca bunda desprotegida seguia rumo à Tiradentes.
Antes da tragédia anunciada um sinaleiro a salvou.
Ao parar na esquina ela percebeu o acontecido. Abaixou a saia e partiu.
O feio e eu vibramos e nos abraçamos aliviados.
Sem dúvida o mundo precisa de mais pessoas como eu e o Feio, ou ao menos as meninas de saias levantadas precisam.
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