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terça-feira, 12 de abril de 2016

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quarta-feira, 18 de junho de 2014

Diário de Bordo- Homens e Mulheres

Somos 10 homens. E todo mundo que conhece pelo menos um homem sabe como somos. Homens são simples. Homens são sentimentais, apesar de não demonstrarem isso, afinal todos devem manter sua aparência de homem. E mesmo entre amigos as aparências devem ser sustentadas.

Aqui em nossa jornada todos têm alguém. Todos têm compromissos com namoradas ou esposas. Até mesmo aqueles considerados solteiros têm alguém com quem se preocupar e alguém que se preocupe com ele.

Embora estejamos todos sempre juntos se divertindo e, por meio de piadas, mantendo a presença de Carlos Alberto de Nóbrega conosco, em algum momento um dos homens se desgarra do grupo e fica sozinho em um canto. É nesse momento em que ele pode demonstrar como realmente é.

Sempre com o telefone na mão o homem utiliza os diversos recursos de comunicação para matar um pouco da saudade de sua pequena e dizer como está por dentro. É o momento do homem macho mostrar que tem seus sentimentos e que não é como realmente aparenta.

Falando baixo ele se permite gritar o que há dentro do seu peito sussurrando frases como “estou com saudade” e “eu te amo”.

Além da falta emocional que fazem as devidas senhoras há ainda o desejo físico, a vontade de matar a saudade carnal. Para aliviar toda essa tensão há também um local específico para isso...

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 IIIIIIIIIIIIIIIIIII
  IIIIIIIIIIIIIIII
   !!!!!!!!
    !!!!!!!
     iiiiiiiii
      iiiiiii
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        .

segunda-feira, 24 de março de 2014

Algema de sentimentos

Passou óleo, passou margarina, passou sabonete e não passava a agonia em ter aquilo em sua mão. Passou o dia e ainda não estava livre.

Ter aquela lembrança concreta era como manter uma fidelidade abstrata e unilateral.

Tudo acabou e o grilhão insistia em prendê-lo ao passado.

Engordou demais desde que comprou a aliança, que serviria para selar um compromisso.

Seu corpo engordou, sua cara engordou, seu dedo engordou, seu coração engordurou.

Talvez seu sobrepeso tenha sido o motivo para ser trocado. Agora era outro o dono dos sentimentos dela, que ele julgava ser único dono.

Por imaginar a eternidade ele esqueceu-se do presente e jamais se preocupou em tirar a jóia.

Pensava que a removeria somente para substituir por uma dourada, mas seu comodismo também evitou a troca.

Agora lutava contra a própria natureza para enfim livrar-se. Passou pela sua cabeça a ideia de arrancar o dedo para poder se libertar do fardo.

Queria tirá-la e jogá-la o mais longe possível. Arremessar para além do horizonte. Cegar qualquer visão anterior, ensurdecer seus velhos sentimentos e silenciar a gritante tristeza.

Ao conseguir retirar a infeliz, finalmente se sentiu aliviado como se removesse uma bala do corpo, mas embora se livrasse do projétil não conseguiu curar o ferimento.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Mário e Júlia - Por Alexandre Fernandes

A relação já não estava com aquela chama ardente presente em namoro novo. Cada um tinha seus motivos para o desaquecimento da vida a dois do casal. Júlia agia como a chefe da relação. De uma hora para outra, na visão dela, Mário só tinha amigos bêbados e vagabundos. E as amigas dele eram todas vagabundas que queriam dar.

Mário também não fazia muito para a relação melhorar. Ele colocava a culpa da relação estar indo mal na má fase do Flamengo, na perseguição do chefe pentelho ou qualquer coisa que o afastasse do famigerado "discutir a relação". Seu jeito sereno e tranquilo, em excesso, contribuiu bastante para a crise do casal.

Ele queria fugir de uma discussão e resolveu dar um passo rumo ao retorno de uma relação tranquila e saudável. Disse que iria fazer um jantar especial para sua amada. Ela gostou da ideia e se mostrou surpresa, pois Mário é daqueles que para não sujar louça pede comida pelo delivery.

Dedicado, Mário caprichou na escolha do vinho para acompanhar a massa que preparou para o jantar de acerto de contas do casal, que ainda não tinha se separado. Caprichou também na faxina do seu cafofo. Antes que sua pequena chegasse para o encontro, ensaiou um pedido de desculpas pela sua apatia no namoro/noivado/casamento/tico-tico-no-fubá.

Quando Júlia chegou, Mário interrompeu seu ensaio. Antes de abrir a porta deu uma última ajeitada na cozinha e trocou a camisa que sujou com uma gota de molho. Ela entrou e se impressionou com a organização da casa. Conversaram bastante, pareciam se entender. E tudo se encaminhava para um retorno tranquilo do romance.
Porém, ahhh porém, no momento do jantar as coisas não foram do jeito que ambos imaginavam. Não exatamente pelo cardápio do chef Mário, mas por um capricho de Júlia. Quando ele serviu o jantar para sua amada, ela se impressionou com o aroma e o visual. Mário parecia empolgado por estar fazendo algo que evitaria uma discussão de relação.

Logo após a refeição, entre uma taça e outra de vinho, Mário todo romântico pergunta se a moça tinha gostado do cardápio. Ela responde: “Sim, estava ótimo. Mesmo sendo feito com massa pronta, aí fica fácil”. Mário ficou um tempo olhando para o nada. Apenas pensava no esforço e empenho para fazer um jantar bacana para ela.

Olhou para Júlia e disse que tinha que fazer uma coisa. Ela sem entender perguntou o que ele tinha que fazer, mas não teve resposta. Ele pegou as chaves do carro e saiu. Ela ficou ali parada por algum tempo, esperou por meia hora e foi embora. Quando chegou na portaria do prédio, viu Mário jogando baralho e tomando cerveja com o porteiro.

Nunca mais se falaram.

Fim

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Nosso amigo Alexandre Fernandes (o Kibe) veio para o Di-Vagá fazer uma visita colaborativa nesta semana.

Gozador que é, Alexandre é um dos responsáveis pelo site de humor e futebol Allejoalém de jornalista e sócio-fundador do Dois Copos.

terça-feira, 5 de março de 2013

É namoro ou amizade?

Eram adolescentes que achavam ser adultos e tinham um coração de criança. Amavam-se do amor mais puro.

Em pleno fervor da adolescência, sedentos pela carne, ainda assim preferiam o amor.

Sem segundas intenções beijavam e abraçavam-se com freqüência. Conversavam pessoalmente, por e-mail, chat, SMS e todas as plataformas disponíveis. O assunto era inesgotável.

Na escola sentavam lado a lado. Por conversarem demais os professores eram obrigados a pedir que ficassem quietos. Para garantir que a aula ocorresse bem, alguns professores colocavam um em cada extremo da sala antes mesmo da aula começar.

Quanto mais juntos ficavam, mais juntos queriam estar. Até a distância os aproximava.

Embora ela quisesse namorar, ele tinha a consciência de que iria estragar aquele amor. A amava tanto que não queria machucá-la. Desde jovem já sabia que os homens sempre machucam as mulheres.

Coube a outro homem machucá-la.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Perfeição limitada

Nunca brigavam, parecia ser o casal perfeito. E era.

Jamais foram vistos discutindo ou brigando. Expressões de alegria e demonstrações de carinho eram percebidos de longe.

A lógica era simples, quando não queriam se ver não se viam. Se um dos dois queria ficar sozinho ou com os amigos era só avisar e estava tudo resolvido. Sem crise.

Não existia obrigação alguma. Às vezes ficavam até um mês sem se ver e nem por isso a paixão diminuía, pelo contrário.

Estavam um ano juntos nesse ritmo. Frequentavam a casa e conheciam a família um do outro. Se falavam todos os dias e jamais houve uma traição. Apesar da aparência não namoravam. Nunca houve um pedido, simplesmente foi rolando.

Ele, com sua obsessão pelo formalismo, a pediu em namoro. A aceitação era inevitável.

Inevitável também foi o sentimento de posse que emergiu em ambos. A alegria se foi.

Tudo que é bom um dia acaba.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Amor instantâneo

5 minutos
Comecei a ver uma vantagem em fumar. Pelo isqueiro é que começamos a conversar. Ela é bonita. Tem um jeito meigo de falar.

10 minutos
Ela é simpática

15 minutos
A conversa está fluindo. Isso é difícil, afinal somos curitibanos.

20 minutos
Ela é inteligente. É culta. Sabe conversar. Acho que vai rolar alguma coisa.

25 minutos
Disfarço meus defeitos. Tento fazer com que ela se interesse por mim como estou interessado por ela. Talvez pudéssemos namorar.

30 minutos
Somos tão iguais. Gostamos das mesmas coisas e naquilo que discordamos somos compreensíveis. É a mulher da minha vida.

Última meia-hora
Caraaaaaaaaaaaaaaalho, que guria chata. Essa criatura não cala a boca. Insuportável. Preciso sair daqui de algum jeito.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Espelho quebrado

Era ali onde vivia. Onde tudo acontecia. Onde sorria, mas não chorava. Ali criava sua ilusão e nela se espelhava.

Dedicava-se a criar e acreditar em sombras na caverna de Mark Zuckerberg. Era uma especialista em diversos assuntos (afinal, quem não é?). Ao longo do dia desfilava todas as qualidades em sua timeline: comentarista esportiva, defensora dos animais, polemista, noveleira, religiosa, filósofa, fofoqueira, fotógrafa, modelo, humorista, filantrópica, culta, moralista e acima de tudo um exemplo.

Entre murais, compartilhamentos, likes e comentários descobriu uma cutucada inesperada. Estava sendo traída.

A menina virtual não encontrou outra solução. Aquela vida pela qual tanto se dedicava deveria acabar: cometeu o facebookcídio.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Voltei no tempo - Por Giovana D'Angelis


Voltei no tempo. Hoje acordei com 17 anos e apaixonada.

08h00 am
Estava com saudades de passar a manhã escutando For Fun e Leoni, achando que as músicas foram feitas para servir de trilha para nossa história.

11h00 am
Estava com saudades da dor no estômago, que hoje, estranhamente, acho gostosa.

14h00 pm
Saudades de escrever nove vezes o mesmo e-mail, mas não ter coragem de apertar “enviar”.

17h00 pm
Saudades de ensaiar as próximas conversas que desejo ter com você, mesmo sabendo que sempre acabo falando mais do que estava no roteiro.

19h00 pm
Estava com saudades de comer um pão de queijo o dia todo, e achar que engoli todos os nossos antigos sonhos empoeirados e indigestos.

22h00 pm
Saudades de pensar nas formas de te esquecer, ironicamente sabendo que não há receita para tal milagre.

00h00 pm
Saudades de demorar a dormir mais do que o de costume, e pegar no sono planejando os próximos 70 anos ao teu lado.

Mas o dia só tem 24 horas, e hoje acordei sem você: sem inspiração, sem paixão.


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Hoje quem visita o Di-Vagá com o seu brilho feminino é a senhorita Giovana D'Angelis. A moça é Di-Vogada em Curitiba.


quinta-feira, 14 de junho de 2012

Semelhança pouca é bobagem


Somos diferentes em quase tudo. Por dentro e por fora.

Ela tão elegante. Conhece moda. Vaidosa e inteligente. Gasta tanto com livros quanto com a beleza. Nem sei por que, afinal ela já é linda. Não fala nenhuma gíria. Socialista, gosta de MPB. Drama. Whisky. Restaurante. Ficção.

Eu todo largado. Nem aí pra roupa. Não vivo sem futebol e vídeo game. Durmo e acordo jogando. Passo o tempo na net. Capitalista, gosto de rock. Ação. Cerveja. Buteco. Quadrinhos.

Só temos uma coisa em comum: gostamos um do outro.

Infelizmente só isso não basta pra gente namorar.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A Rede Social - Por Alexandre Fernandes

Afonso era do tipo galanteador e boa praça. Nunca quis se enrolar com nenhuma moça. Mas um belo dia se apaixonou por Glorinha. Uma linda moça dos cabelos cor de ouro. Que encantava a todos com sua beleza e com seu jeitinho conciliador.

Glorinha namorava Arthur. Um rapaz meio calado, que só falava quando era consultado. Ele vivia em seu mundinho particular dentro de sua cabeça e nas revistas em quadrinhos que colecionava. Dizia que era o rei de si mesmo.

Por causa deste jeito caladão de Arthur, Glorinha decide se separar de Arthur. Ele não aceitou muito bem. Glorinha saiu em busca de um novo amor. Afonso, malandro que é, se ofereceu para ser este novo amor. Glorinha prontamente aceitou para desespero de Arthur.

No facebook a linha do tempo de Glorinha indicava: Glorinha Castilho está em um relacionamento sério com Afonso Pires. Afonso curtiu. E o vingativo Arthur comentou: Já comi!

Fim

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Sim, sim, sim. Nessa semana o Di-Vagá recebe a nobre visita do nosso amigo Alexandre Fernandes, O Kibe (@alexxfernandes).
O Cara é jornalista e um dos responsáveis pelo site http://www.allejo.com.br.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Você

Sim. Eu sei. Eu lembro.


Sei que pediu para eu te esquecer, nunca mais ligar, nunca mais mandar e-mail, nunca mais lembrar. Mas não consigo.


Tudo me faz lembrar você. Quando trabalho lembro de você. Na aula lembro de você. Tento fazer outra coisa, para me distrair, e lembro de você.


Fumo você. Malho você. Almoço você. Leio você. Assisto você. Bebo você. Acordo você. Durmo você. Ouço você.


E o pior: quando penso em você sinto uma vontade enorme de pensar em você.


Não consigo esquecer você...você...qual é mesmo seu nome?

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Em tempo

“Eu te amo!”.

Disse ela pela primeira vez após terem transado.

Ele era um escroto. Talvez insensível demais, sincero demais, seco demais. Não respondeu nada.

Só queria sexo. Em nome desse sexo não iria mentir. Não diria aquilo só por que ela queria ouvir.

Sentiu-se feliz, mas preocupado. Feliz por ser amado, mas preocupado pelo mesmo motivo. “Era só sexo e agora essa guria tá me amando. Como vou me livrar disso?”.

Se livrar de alguém ou algo que se odeia pode até ser fácil, mas se livrar do que ou quem te/se ama...

A resposta veio apenas um ano depois. Não se livrou. E amou. Amou e disse.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Sonho impossível (?)

Tive um sonho. Um sonho bom. Estávamos saindo de casa para ir a uma festa. Namorávamos e tínhamos uma rotina normal. Tão simples. Parecia verdade.

Um sonho tão possível, tão palpável, exceto pelo fato de não poder-mos namorar. Afinal, não posso largar meu namorado por aquela loucura que nós duas cometemos.

Mas ainda assim, queria que continuasse. Queria que estivéssemos no meu sonho, que se realizasse. Como não dá, queria ao menos que o sonho continuasse. E também não deu. Acordei sorrindo.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O Quase Flerte - Por Alexandre Fernandes

Ele não queria estar ali. Era dia de jogo da Portuguesa
Ela sim. Nem ligava muito para futebol.
Ele não se sentia a vontade.
Ela estava à vontade.
Ele bebia cerveja.
Ela caipirinha.
Ele a percebeu primeiro.
Ela não demorou muito e percebeu que ele estava olhando.
Ele ficou sem jeito.
Ela percebeu isso também.
Ele tentou disfarçar.
Ela sorriu.
Ele sorriu e improvisou um brinde à distância.
Ela convida para uma conversa.
Ele foi ao seu encontro.
Nesse meio tempo começa a tocar a música do "tchetcherere tche tche".
Ela olha para a amiga e diz "Adoro essa música".
Ele ouve o que ela disse e desvia o caminho.
Ela não entende.
Ele não suporta aquela música.
Nunca mais se viram.

Fim

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Nessa semana o Di-Vagá recebe a colaboração ilustre do grande Alexandre Fernandes, O Kibe (@alexxfernandes).

Kibe é sócio-fundador do extinto blog Dois Copos, que de certa forma me levou a criar o Di-Vagá. Atualmente o Sr. Fernandes é um dos responsáveis pelo site http://www.allejo.com.br

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O amor é mudo

Olhavam-se todo momento. Alguns segundos chegavam a se olhar fixamente até que um dos dois desviava o olhar. Ela se levantou e antes de partir deixou um papel com seu nome e telefone.

Quando ela se aproximava a vergonha e o nervosismo também vinham. Ele ficou feliz pela atitude dela e em partes, também ficou feliz por ela não ter dito nada. Na mesma noite mandou uma mensagem, que ela respondeu de bate-pronto. Desenrolaram uma longa conversa por mensagem por toda a noite.

Pelas redes sociais conheceram-se um pouco melhor (ou ao menos as aparências que ambos buscavam passar). Conversavam frequentemente pela internet.

Passaram a ter um romance. Muitas mensagens de amor de ambos os lados. Estavam realmente apaixonados. Havia confiança e um quê de inocência naquele amor em tempos de internet. Comprometeram-se tendo se visto apenas uma vez e jamais conversado, mas o namoro virtual havia de se tornar carnal. A hora foi marcada na casa dela.

Cumprimentaram-se aos beijos e logo deixaram transbordar todo amor represado, transmitido até então por meio de cabos.

Beijando-se foram para o quarto e lá concretizaram o que ambos desejavam.

Nenhuma palavra.

Assim a menina fanha e o garoto gago conheceram o amor que nunca tinham tido.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Amor adolescente

Estava nervoso, muito nervoso.

Já tinha beijado antes, mas aquele era como se fosse o primeiro.

Estava tão nervoso que seu estômago emitia alguns grunhidos. Ficava ainda mais nervoso com remorso de que ela imaginasse que estivesse arrotando.

A mão suava. Não sabia ao certo como fazer. Não sabia se a agarrava com força e colocava a língua até onde pudesse ou então adotar um tom mais romântico.

Queria muito saber quantos anos ela tinha. Não perguntaria, mas precisava saber. Tinha certeza que era mais velha. Provavelmente todos ali eram mais velhos.

Era apenas a segunda vez que tinha ido ao baile. Sentiu-se muito inseguro na primeira vez. Não sabia se colocava as mãos nos bolsos, ou cruzava os braços. O fato te der mãos o embaraçava. Na dúvida ficou encostado no bar tomando refrigerante. Não se largava à bebida como muitos da sua idade.

Já na primeira vez ficou olhando ao longe a mocinha. Hoje já foi decidido a tirá-la para dançar. Ela demorou para responder, mas com um sorriso deu-lhe a mão. Dançaram, conversaram e agora beijavam.

Seu coração acelerava. Chegou a sentir medo de um ataque cardíaco. Os seus amigos não iriam acreditar. Estava ansioso para poder contar.

Ela cortou o beijo. Ele ficou sem reação, não sabia o que falar ou dizer. Convidou-a para ir até uma mesa. Ficaram conversando por um bom tempo.

De pouco em pouco o salão se esvaziava. Uma amiga dela veio até eles:

- Vamos embora.

- Que horas são?

- Já são quase 5h30.

- Nossa, tá tarde. Vai indo que eu já vou.

Beijaram-se mais um pouco. Não trocaram telefone ou nada de muito pessoal, talvez por vergonha ou falta de iniciativa. Mas marcaram de se encontrar ali na próxima semana.

Ele foi em direção à porta como um vencedor. Orgulhoso. Peito estufado. Empolgado. Sorridente. Lá fora o dia já começava a escurecer.

Sua filha já o aguardava na porta quando saiu do baile da terceira idade.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O tempo (não) passa

Teve outros corpos, outras namoradas, outros casos, mas ninguém foi igual. Ela também teve outros.

Cinco anos se passaram. Um namoro para ambos. Ele procurava evitá-la. Sofreram ambos, com o namoro e com a separação, mas sofria(m) mais afastados.

Após vagar por outras sentia cada vez mais que era ela quem queria. Somente ela o completou. Só podia dar certo com ela novamente. O tempo afastado serviu para mostrá-lo o quanto foram felizes juntos. E essa felicidade poderia se repetir?

Soube que estava solteira. Ligou. Será que o número ainda era o mesmo? Por um instante quis que ela não atendesse.

Olhou o número no identificador e sabia que conhecia, demorou alguns instantes para lembrar-se quem era. Nem tinha mais na agenda. Ficou surpresa ao lembrar.

Atendeu. Ele propôs um encontro e ela aceitou.

Após uma longa conversa, tocou-lhe a mão e foi ao ponto que desejava, mesmo com algumas dúvidas.

A resposta demorou cerca de um minuto. Mas parecia a eternidade. Sentiu vontade de correr, mas já que perguntou teria que esperar a resposta. Suava frio. Aquele tempo de reflexão dela fazia com que o tempo não passasse...

























































































...Beijaram-se. Voltaram.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Infeliz felicidade

“Toda mulher, após trinta dias de felicidade, sente fome e sede de desgraça.”
Antônio Maria


Sentia tudo, menos felicidade. Ódio acima de tudo.

Todos os trejeitos dele que antes adorava agora a traziam raiva. Cada piadinha sem graça fazia com que ela se sentisse aliviada por não estar com uma faca na mão.

Não agüentava mais, mesmo sendo o casal perfeito aos olhos e bocas alheios. Se aquilo era perfeição ela não a queria mais, queria apenas a felicidade.

Guardadas as proporções humanas, ele realmente era perfeito. Tudo aquilo que ela e outras buscam ali estava. Era gentil, educado, atencioso, a tratava bem e lhe dava carne na mesa e na cama.

Com relação ao sexo mantinha o mesmo vigor de sempre, mas ela não sentia mais atração.

Não pensava nem cobiçava outro. Simplesmente queria terminar. Mas não tinha nenhuma justificativa para fazer isso. Como uma criança mimada ao ter aquilo que sempre quis passou a não mais querer.

Certo dia pensou em falar e acabar com tudo definitivamente. Planejou o dia inteiro. E não é que o filho da puta me chega em casa sem mais nem menos com um buquê de flores. E daí ia falar como?

A infelicidade disfarçada se arrasta cada vez mais até se inverter. Sem mais nenhuma alternativa ela mata sua fome e sede de desgraça. Torna-se a desgraça ao se matar. Deixou um bilhete:
“Não era você. O problema era eu”.

Com lágrimas escorrendo ele pensa: “Será que se tivesse contado que chifrava ela isso não teria acontecido?”

terça-feira, 5 de abril de 2011

O encontro

Ele passava distraído (como sempre) quando uma mão o tocou. Instintivamente olhou para o lado. Paralisou o corpo. Disparou o coração. A memória afetiva lembrou ao corpo de tudo que (não) passaram juntos.

Era ela. Ela que durante anos foi a mulher da sua vida. No imaginário, mas foi. Depois da faculdade nunca mais se viram e lá se iam cinco anos.

Ela também alimentara uma paixão por ele. Conversavam, saiam juntos, faziam trabalhos juntos e até o trabalho de conclusão de curso dividiram. Mas nada de concreto aconteceu. A timidez dela era ainda maior que a dele e creio que foi isso que impediu o romance. Mas agora estavam ali, mais maduros, frente a frente.

Ficou congelado por cerca de três segundos e após sorriso de ambos conseguiu dizer um empolgado oi. Abraçaram-se. “E aí o que está fazendo? Está indo aonde?”. A conversa seguiu o padrão do encontro com qualquer outro ex-colega. Mas não eram meros conhecidos.

A conversa fluiu e foram até um bar nas proximidades de onde se encontraram. Recordaram o passado e atualizaram o presente, exceto aquilo que ambos gostariam de saber: a situação conjugal.

Queriam aproveitar o momento, poderia ser único e decisivo. Após algumas cervejas ele criou coragem e conseguiu perguntar. Mas a resposta fez sua empolgação se esvair. Ela estava namorando. Aquilo demorou a ser processado. Apesar de ele também ter namorada, havia um sentimento possessivo de que ela não poderia ser de mais ninguém além dele, mesmo nunca tendo sido.

Ela também o questionou. Após a pergunta derradeira o clima não foi mais o mesmo. Ele tinha vontade de saber mais sobre o tal namorado, mas ficaria com tamanho ciúmes que preferiu não perguntar. A curiosidade dela foi mais forte. Quanto tempo, como, quando, quem. Perguntou.

Conversaram mais um pouco e apesar de ambos desejarem ficar mais tempo, muito mais, ele encontrou uma brecha para justificar que fossem embora. Pagaram a conta e despediram-se com um forte abraço. Trocaram telefones, apesar de saberem que jamais ligariam estando namorando, e foi cada um para seu lado.

Ao virarem-se o primeiro pensamento dele foi “merda”. Quatro passos adiante e ela o chama e diz:
- Bruno, eu te amo.
A breve raiva que sentia de si, por ter deixado seu amor escapar, foi amenizado. Assustado e arrepiado, disse:
- Eu também te amo Carlota.

Voltaram. Abraçaram-se novamente e foram embora. Cada qual para seu namoro.