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sábado, 5 de julho de 2014

Diário de Bordo- Não há guerra sem baixas

Ninguém sai ileso de uma guerra. Por mais que existam “vencedores”, todos os envolvidos acabam perdendo. Um soldado. Um marido. Um amigo. Alguém querido e insubstituível. Ontem, em nossa guerra esportiva, perdemos nosso mais importante soldado.

No mundo corporativo se diz com frequência que ninguém é insubstituível. É verdade. Neymar será substituído, mas só Neymar é Neymar. Talvez o substituto possa compensar a ausência do nosso menino à altura. É difícil, mas não impossível. Exemplo? Se Edmundo começasse jogando em 98 o resultado muito provavelmente seria diferente. Talvez não ganhássemos, mas seria diferente.

A seleção brasileira não é totalmente dependente de Neymar. Quem defende os pênaltis e outros perigosos tiros é Júlio César. Quem faz a contenção e comanda a tropa é David Luiz e Thiago Silva. Quem corre por fora, levando a munição pelos flancos é Marcelo. Quem mantém o time fechado e evita os ataques inimigos é Luiz Gustavo. Quem realiza a dupla função de atacar e defender é Fernandinho. Quem faz o meio de campo é Oscar, que já venceu uma batalha praticamente sozinho. A seleção brasileira não é só Neymar.

Claro, ele é decisivo. Desequilibra. É o nosso principal jogador, nosso homem gol. Mas ele é parte de um time e agora, mais do que nunca, teremos que jogar como um time. A partida contra os alemães começará com 11 jogadores em campo para ambos os lados. O que irá definir o vencedor é aquilo que será feito dentro de campo, mas os fatores externos também influenciam e até mesmo a ausência de Neymar poderá incentivar os jogadores que irão para a partida. Como disse o Negs, todos deverão entrar vestindo a camisa 10 por baixo. De acordo com o Gordo, 100% de cada jogador não vai bastar. Cada um deve jogar mais 20% por Neymar.

Uma falta tirou o nosso soldado de combate, agora veremos o tamanho da falta que Neymar vai fazer ao nosso escrete.


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Nossa viagem também terá uma grande baixa. Nessa noite o Negs nos deixa, volta para Curitiba e depois nos encontra de volta no Rio. Te vejo na final Neguin.

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Pequenos aforismos da copa:
- Amanhã vou acordar 6h e vou pra praia. Vou chamar todo mundo pra ir.
- Que horas cê vai voltar?
- Ah, acho que umas 11h.
- Então quando cê voltar cê me acordar!

Piada oficial de toda a viagem:
- A gente podia dar uma corridinha na praia depois, né!?

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Diário de Bordo- O futebol é um esporte bobo

Isso que diz o título é verdade. O futebol é, resumidamente, um esporte que se joga na grama com 11 pessoas de cada lado com uniformes distintos e ganha a equipe que mais vezes colocar a bola no retângulo que o adversário deve proteger.

Mas, vamos reduzir alguns outros esportes às formas bobas de encará-los.

Boxe: dois seres vestindo calção e luvas golpeiam com as mãos um ao outro com o objetivo de derrubá-lo.

Esgrima: duas pessoas com uma “espada” em mãos tentam encostar a arma no outro humano sem que seja encostado.

Golfe: Usando um taco os terráqueos tentam colocar uma bola dentro de um buraco com o menor número de toques possíveis.

A lista poderia prosseguir, mas vamos ficar por aqui. A questão é que qualquer esporte, até os mais refinados (leia-se, aqueles que envolvem mais dinheiro), podem ser vistos como esportes “bobos”.

Mas, antes de mais nada, o esporte deve ser visto como um esporte. É uma diversão. É catarse. É emoção. É identificação. É tudo. É nada.

O futebol, como todos os outros é um esporte e não deve ser encarado como algo “sério”. As pessoas que levam o esporte a sério demais são aquelas que acabam indo ao estádio e tornando a diversão em algo realmente sério ao usar aquilo como pretexto para xingar, discriminar, bater ou até mesmo matar alguém.

Como pode ser visto na Copa do Mundo de futebol, este esporte é uma paixão mundial. Mas no Brasil ele representa o mais verdadeiro amor. Em nosso país a invenção inglesa encontrou solo fértil para prosperar. Solo de asfalto. Solo de terra. Solo de areia. Solo da sala de casa. Solo que se casa com a sola de qualquer pé. Sola que calça chuteiras, que calça tênis velhos, sola descalçada pelo chinelo usado para ser trave. Solo de onde nasceram muitos craques, que por aqui ficaram ou que foram para a Europa servir de pé de obra para times endinheirados.

Eles são menos brasileiros do que nós? Não. Você não iria? Deixaria de realizar o seu sonho profissional? Não gostaria de morar no velho continente e ganhar muito para fazer o que gosta? Eles também “sofreram” por não ter em nosso país estruturas que suportem o tamanho do seu talento. São nascidos aqui, criados aqui e são eles quem nos representam quando pisam nos gramados tratados da Europa. “Ame-o ou Deixe-o”? Aaaaaaaaaaaah...

Eu sou tão brasileiro quanto o Pelé. Que é tão brasileiro quanto o atendente da lanchonete. Que é tão brasileiro quanto Ronaldo. Que é tão brasileiro quanto o cobrador de ônibus. Que é tão brasileiro quanto o Diego Costa. Não, o Diego Costa não (embora não ache errada sua decisão), mas enfim...continuando...o cobrador é tão brasileiro quanto o David Luiz. Que é tão brasileiro quanto o policial. Que é tão brasileiro quanto o Thiago Silva. Que é tão brasileiro quanto o presidiário. Que é tão brasileiro quanto o Neymar, esse brasileiro que faz lances espetaculares com a simplicidade de quem brinca com uma bola qualquer em um campo qualquer em qualquer canto desse país.

Na última segunda-feira pudemos vê-lo jogar. A menos de 20 metros estava essa peça rara que é como nós, nascido nessa terra de todos. Um menino gigante que joga esse esporte bobo, mas que representa esse divertido amor.