quarta-feira, 14 de agosto de 2013
Ele, ela e a operadora - Parte II
Próximo às 21h o apetite começava a abrir, parece que agora vai.
Depois cometeria o mesmo erro: beber o máximo que o corpo aguentasse.
Claro, sabia que iria se arrepender, da mesma maneira que estava arrependido agora. Mas não ficaria em casa em pleno sábado à noite.
Estava na idade em que sábados jamais eram perdidos e um sábado ganho era aquele que tinha muito álcool.
Mas aonde ir? Sua única comunicação ao longo do dia foi com a televisão, a cama e a privada.
Sacou o celular e disparou uma mensagem coletiva. “E aí? Vai fazer o que hoje?”.
A mensagem também não era tão coletiva. Selecionava os contatos de acordo com a frequência com que saia e dava preferência aos contatos femininos.
Quando passou pelo nome dela sua face veio à mente. Por 26 segundos pensou se deveria mesmo enviá-la. Enviou, mas sem fé na resposta.
- Naum sei ainda e vc? (21h15)
Buscou passar a impressão de que a mensagem fosse única.
- Naum sei tmb. Por isso mandei msg, pra ver se vc tinha alguma. (21h16)
- Hum. Pur enquanto nd. (21h20)
- E vai continuar assim? (21h20)
- Assim como? (21h23)
- Fazendo nada. (21h23)
- Num sei ainda. (21h27)
- É, pelo jeito vai. Tava ah fim de faze alguma. (21h27)
- Acho que vou ficar em ksa. (21h30)
- No sábado? Ah, vamo tomar alguma coisa. Uma cerveja, um vinho...um banho! (21h31)
- oiuHEIueiouEIOUiheuhu abusado! (21h31)
- Vô ficar em ksa mesmo. Tô sem carro. Meus pais foram viajar. (21h32)
- Mas eu tô de carro. Vamos fazer alguma entaum!? (21h32)
- Ah. Tô meio sem grana tbm. (21h38)
- De boa, eu pago a bera hj! (21h39)
- Ah, não curto muito sair sem grana. (21h47)
- Cheia de mimimi né!? (21h47)
- Ah, não é, mas tô ah fim de ficar em ksa mesmo. (21h53)
- É, eu tbm. Tô com vontade de ficar na tua casa! Oauehoaueoiuahoieu (21h53)
- ouaieuoaiuehioauehoiauheoiau besta! (21h55)
- Mas é sério! Aoiueioauehiouaoihu (21h56)
- Vem aqui então. Traz aquela bera que vc disse que ia pagar. (21h57)
- Tá bom. Que hrs posso ir? (21h59)
- Vô toma banho. Daqui uns 40 min pode vir. (22h04)
- Blz. Num lembro direito onde que eh. Me passa o end certinho. (22h06)
- ...
- Tá viva? (22h50)
- Tá. Me chama e não passa o end. Bem Curitibana mesmo neh!? (23h15)
- ...
- Se não queria que eu fosse por que chamou então? (00h23)
Foi dormir sem resposta. Com cervejas e camisinhas intactas.
Durante a madrugada de segunda para terça-feira recebeu as mensagens (7). Meio dormindo, demorou a entender, mas com uma lembrança dolorida, recordou-se.
Tim, viver Com fronteiras...e abstinência sexual.
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Confira a primeira estória de "Ele, ela e a operadora".
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Brochei
Ela é a menina dos meus olhos. Meus desejos se resumem a ela. Não sei se é desejo, ambição ou paixão.
Já conquistei todas que quis, agora quero a ela e nada mais. E ela sabe disso. Já tentei outras vezes, várias, mas nada houve. Sem sucesso. Em algumas tentativas achei estar bem próximo, mas nos pênaltis ela me espalmou para escanteio. Mas não desisto. A quero acima de tudo e só descansarei depois de tê-la.
Chegar nela é difícil. Após vários fracassos tentar novamente é complicado. Além da minha própria expectativa ainda há aqueles que estão em volta torcendo pelo meu fracasso. Afinal, uma moça como ela é desejada por todos.
Consigo finalmente chegar. Eu, que sou simpático, desinibido e querido por muitos, mal consigo falar. Estou nervoso. Extremamente nervoso. Faltam-me assuntos. Ela não me dá muita moral. Praticamente monossilábica. Mesmo com os assuntos parecerem fugir, consigo improvisar algo. Falo sobre coisas nada a ver. Isso é ruim, mas bom, consigo arrancar algumas risadas dela.
Dedico tempo. Bastante. E dedicarei o que for necessário. Não vejo nada ao meu redor. Só ela. Eu e ela. A conversa se desenrola. Vai indo, aos trancos e barrancos, mas segue. O nervosismo continua. Por mais que já estejamos flertando não consigo me sentir totalmente à vontade.
Nesse tempo de jogo já estou pronto para o bote. Qualquer assunto que surja consigo uma brecha para sugerir um algo a mais. Ela sorri. Vejo que é necessária uma investida mais incisiva. Juntamente às sugestões de segunda intenção eu a abraço, beijo o rosto, pego na mão.
Numa dessas ela cedeu. Beijei-a. Não acredito. Meu estômago se revira chegando a produzir alguns barulhos estranhos que parecem arroto. Sigo na pegada. Beijo, conversa e carícia fazem com que, embora ainda presente, uma parcela de nervosismo desapareça.
Não sei como, mas acabamos na cama. Beijamos-nos ardentemente. Abraços e afagos acontecem, mas o nervosismo ressurge com imensa intensidade. Mesmo tendo-a, ela que sempre quis, não consigo me levantar. Meu pau não responde aos impulsos. Nenhum sinal. Fico ainda mais nervoso e menos excitado.
Nem chegamos a tirar a roupa. Ela percebeu e compreendeu a situação, ao menos aparentemente. Não sei se terei outra chance.
Merda! Não boto fé que desperdicei aquela oportunidade. Fracassei mais uma vez na minha tentativa em chegar até lá com ela. Caralho! Maldita expectativa. Maldito nervosismo. Se fosse outra teria ocorrido tudo naturalmente, como sempre. Mas juro que um dia a terei. Terei sim.
Não foi desta vez, mas um dia você será minha, libertadores.
domingo, 21 de setembro de 2008
Ironia e sinceridade
- O meu nome é Amanda, mas pode me chamar de mandinha.
- Oi mandinha, prazer.
- O prazer é todo meu.
- Amanda, alguém já lhe falou que você é muito bonita?
- Já sim. Quase sempre falam isso.
- E alguém já falou que você é muito gostosa?
- Não. Ninguém nunca disse.
- Então eu vou dizer. Amanda, você é muito gostosa. Talvez a guria mais gostosa que eu já vi.
- Jeferson, você acha que isso não seria algo muito indelicado para falar a uma pessoa que você acabou de conhecer?
- Acho sim. Aliás, tenho certeza. Mas eu tô sendo sincero. Eu podia chegar pra você e dizer: “Sabia que você é muito bonita?” e aí você ia dizer: “Sabia sim, todo mundo fala isso pra mim”, mas na verdade você queria dizer “Você é só mais um seu babaca”. Mas eu não estaria falando o que realmente queria. E o que queria falar é isso que eu disse. E não há como você negar....o meu diálogo com você já foi mais longo do que se tivesse dito o que todos dizem.
- É...você tem razão.
- Viu. Já ganhei um ponto.
- Hey, não ganhou nada não. Eu não disse nada.
- Ganhei sim. Já ganhei a sua atenção.
- É você tem razão.
- Viu. Você já me deu razão duas vezes e uma outra vez que você omitiu.
- Omiti?
- Omitiu sim. Você não concordou quando eu disse que você era muito gostosa.
- É. Tem razão. Eu omiti.
- Ah, pare de enrolar. Assuma. Diga: “eu sei que eu sô gostosa”.
- Olha aqui menino. Eu até posso ser isso que você disse, mas não sou convencida.
- Mas isso não é ser convencida. É ser sincera.
- Quem é você pra falar de sinceridade?
- Eu sou a única pessoa que conversou com você e foi sincero nas primeiras frases que a direcionou.
- Sabe que você tem razão de novo.
- É. Eu sei. Mas agora diga. Diga assim: “eu sei que eu sou muito gostosa, mas você não viu nada ainda.”
- Não vou dizer isso. Pelo menos não agora.
- Ah então você pode dizer daqui há algumas cervejas.
- Posso sim.
- Então vamos tomar uma cerveja pra ver se consigo transar com você.
- Você é tão romântico.
- Está sendo irônica?
- Não. Você ainda não viu nada.
terça-feira, 22 de abril de 2008
Dúvida conhecida
Ela sabia que era uma pergunta idiota. É uma daquelas cantadas que entra no ranking das piores cantadas já inventadas. Mas não era uma cantada.
Era só uma pergunta. Uma simples e inocente pergunta.
Ela podia ser mal interpretada, também sabia disso. Mas não era só uma pergunta, nem só uma cantada, era um impulso.
Depois de 15 minutos olhando para ele, que estava ao seu lado no ponto de ônibus, parecia que ele o chamava a perguntar. Pensou incessantemente de onde o conhecia. Momentos pensava que o conhecia da infância. Momentos pensava que o conhecia há pouco. Mas sabia que conhecia. Vida passada talvez.
Cada característica que olhava parecia remeter a alguém que conhecia, alguém que gostava, alguém que talvez amasse.
Aquele olhar ela conhecia. A boca ela conhecia. As mãos ela conhecia. O jeito de balançar a cabeça ouvindo walkman ela conhecia. O cabelo ela conhecia. A cicatriz no canto da testa ela conhecia. Conhecia tudo. Mas não sabia de onde. Sabia que o conhecia em partes, mas não por completo.
Pensou perguntar antes, mas ficou com vergonha. Tinha certeza de que não podia perder a chance de perguntar.
O seu ônibus chegou. Tinha que ser agora.
Ela foi até ele com passos rápidos. A concentração de quem ouvia legião urbana (e ela sabia que era legião, só pela leitura labial), fez com que ele se assustasse e se irritasse quando ela o tocou. Mesmo assim, mostrou-se solicito, com olhar apreensivo e atencioso. O olhar deu a certeza a ela de que o conhecia, e mais segurança quando ela fez a pergunta, que ele honestamente respondeu:
- Não!
sábado, 15 de março de 2008
Objetividade
Enquanto o salão se movimentava a sua frente, ele continuava com seu whiski na mão. Olhava a sua volta e não via ninguém, nenhuma garota disponível e nenhum outro amigo, fracassado como ele.
Enquanto bebia vagarosamente a sua birita resolveu olhar fixamente para os seus amigos que dançavam. Ele agora torcia profundamente para que nenhum deles conseguisse beijar as meninas. Olhava, olhava e sua torcida dava certo. Alguns dançavam com os rostos virados para as garotas. Outros tentavam agarrá-las claramente, mas quando as meninas viravam o rosto, Cristiano soltava uma breve risada. A alegria parecia ser semelhante a que sentiria se tivesse beijado uma menina, mas essa não era sua realidade.
Eis que surge uma menina saindo do banheiro. Foi quase um milagre Alessandra ter saído do banheiro quando ele pensava que não havia mais nenhuma menina para ele dançar. Eles nunca tinham conversado antes, mas tinham vários amigos em comum. Ele pensou “é agora”. Se levantou e.... ficou parado no mesmo lugar. Pensou, pensou, pensou e permaneceu intacto. Ficou refletindo, seria uma boa idéia tentar ficar com Alessandra?
Pensava que os seus amigos iriam o aclamar, afinal foi o único a ficar com alguém na noite. Mas pensava também que os seus amigos iriam o zoar muito, afinal, Alessandra era um pouquinho feinha.
Cristiano refletiu profundamente, pesou as possibilidades e se decidiu. Iria tentar.
Ele foi em direção a ela. Ela o viu, mas olhou para o outro lado. Ele imaginou que aquilo já se configurava como uma derrota. Passou por ela e foi ao banheiro.
Chegando ao toalete ficou olhando fixamente os seus olhos no espelho. Estufou e peito e conversou com sigo: “Você vai fracassar mais uma vez Cristiano? Você é ou não é home rapa? Você vai ficar mais uma festa carregando esse seu fardo da virgindade? Não vai fazer nada para tentar mudar o seu destino? Vai ficar aí esperando o que? Que ela venha até você?”.
Quando saiu do banheiro estava decidido a enfrentar a sua timidez e sua virgindade tardia. Estufou o peito como um guerreiro disposto a defender sua nação. Cruzou o salão com o pensamento fixo. Repetia mentalmente o que diria para Alessandra. Ela viu a sua movimentação e percebeu que ele estava decidido daquilo. Ela encheu-se de alegria, mas não demonstrou. O guerreiro seguia até ela com a disposição e o sangue nos olhos de quem vê um inimigo agonizando no chão. Chegou até ela e disse:
- Me concede essa transa?