sábado, 15 de março de 2008

Objetividade

Cristiano ficava ainda mais nervoso ao ver que o tempo passava e ele continuava intacto. Enquanto todos os seus amigos já estavam com as suas cocotinhas dançando música lenta, ele continua sentado. Ele se auto-condenada, “eu sempre sou assim. Eu vou morrer virgem. Eu não consigo ao menos dançar com uma menina”.
Enquanto o salão se movimentava a sua frente, ele continuava com seu whiski na mão. Olhava a sua volta e não via ninguém, nenhuma garota disponível e nenhum outro amigo, fracassado como ele.
Enquanto bebia vagarosamente a sua birita resolveu olhar fixamente para os seus amigos que dançavam. Ele agora torcia profundamente para que nenhum deles conseguisse beijar as meninas. Olhava, olhava e sua torcida dava certo. Alguns dançavam com os rostos virados para as garotas. Outros tentavam agarrá-las claramente, mas quando as meninas viravam o rosto, Cristiano soltava uma breve risada. A alegria parecia ser semelhante a que sentiria se tivesse beijado uma menina, mas essa não era sua realidade.
Eis que surge uma menina saindo do banheiro. Foi quase um milagre Alessandra ter saído do banheiro quando ele pensava que não havia mais nenhuma menina para ele dançar. Eles nunca tinham conversado antes, mas tinham vários amigos em comum. Ele pensou “é agora”. Se levantou e.... ficou parado no mesmo lugar. Pensou, pensou, pensou e permaneceu intacto. Ficou refletindo, seria uma boa idéia tentar ficar com Alessandra?
Pensava que os seus amigos iriam o aclamar, afinal foi o único a ficar com alguém na noite. Mas pensava também que os seus amigos iriam o zoar muito, afinal, Alessandra era um pouquinho feinha.
Cristiano refletiu profundamente, pesou as possibilidades e se decidiu. Iria tentar.
Ele foi em direção a ela. Ela o viu, mas olhou para o outro lado. Ele imaginou que aquilo já se configurava como uma derrota. Passou por ela e foi ao banheiro.
Chegando ao toalete ficou olhando fixamente os seus olhos no espelho. Estufou e peito e conversou com sigo: “Você vai fracassar mais uma vez Cristiano? Você é ou não é home rapa? Você vai ficar mais uma festa carregando esse seu fardo da virgindade? Não vai fazer nada para tentar mudar o seu destino? Vai ficar aí esperando o que? Que ela venha até você?”.
Quando saiu do banheiro estava decidido a enfrentar a sua timidez e sua virgindade tardia. Estufou o peito como um guerreiro disposto a defender sua nação. Cruzou o salão com o pensamento fixo. Repetia mentalmente o que diria para Alessandra. Ela viu a sua movimentação e percebeu que ele estava decidido daquilo. Ela encheu-se de alegria, mas não demonstrou. O guerreiro seguia até ela com a disposição e o sangue nos olhos de quem vê um inimigo agonizando no chão. Chegou até ela e disse:
- Me concede essa transa?
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