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terça-feira, 12 de abril de 2016

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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O Doce, por Fernando Mendes

Hoje descobri um novo doce. Por meio de Guylherme Custódio, um amigo em comum entre nós, se não é ainda vai ser, me emprestou um livro (Literatura, pão e poesia. Sérgio Vaz) de um escritor paulistano não por natureza. Guylherme também é escritor, curitibano por natureza. Aliás, me apego muito com seus textos.

Jornalista, escritor e um bom “amante” da vida, se é que me entende. De vez em quando a gente até ama a vida juntos, leitor assíduo de tudo que as letras tornam palavras, também não tinha como ser diferente, né?

Nunca fui muito de ler. De vez em quando leio a Tribuna do Paraná, leio algumas noticias de meu time do coração e às vezes o horóscopo, pra ver se meu signo bate com o dela. Ah já ia me esquecendo das triboladas.

Com o livro que me emprestou e acabei de ler a pouco, achei a poesia que estava procurando, ou não estava, mas achei. Ou ela me achou, sei lá. Uma poesia que fala minha língua, que é o meu mundo, é o que escuto e vejo nas ruas. Rua por onde passo a maioria dos meus dias, trabalhando e muitas vezes não. Na verdade a maioria das vezes não, né Guylherme Custódio? Daqui pra frente chamarei o Guylherme por seu apelido (Fogo). Prefiro assim, é mais bonitinho.

Esse livro tem uma linguagem fácil de ser absorvida por quem nunca lê ou vive em lugares onde a cultura não tem tão fácil acesso. Isso foi o que percebi. Um livro de 184 páginas com histórias de lutas, dores, justiças e injustiças. De pobres, frágeis, de pais e de mães, de escritores, de rapeers e de leitores. Pessoas simples e simples pessoas.

A partir de textos do Fogo comecei a tomar gosto pela literatura, isso faz pouco tempo. Lia aqueles textos e pensava: “como não gosto disso, se é tão bom”.

Preguiça, falta de interesse. Não, é da vagabundagem mesmo. Mas vagabundagem também é uma labuta, pensa que é fácil ficar o dia todo procurando não fazer nada?

Como estava dizendo, os contos do Fogo me enchiam de curiosidade, principalmente quando não entendia nada o que ele queria dizer. Uma vez ele me disse que são os leitores que dizem pelo autor, mas isso já é muito para minha cabeça. Cabeça essa que tá cheia, cheia de vontade de aprender. Aprender a escrever, a lhe aprender, a decifrar a cabeça da mulher que é o amor da minha vida. Calma, ai já é pedir demais, outro dia conto mais sobre isso. Esta história não daria só um texto, daria um livro, um livro bem grosso, daquele tipo a Barça, saca?

Um dia o Fogo me contou sobre uma palestra em que um poeta recitava poemas voltados para a periferia, isso mesmo para a periferia! E para todos os periféricos de poesia.

Uma pessoa que fazia o bem com palavras, palavras bonitas, palavras fortes. Palavras carregadas de esperança. Um mineiro que fez a vida na periferia de São Paulo e que a trouxe junto com ele em páginas brancas com tons de vermelho, vermelho do sangue que escorre na zona sul paulistana, vermelho dos olhos cheios de água de quem o lê.

Um poeta que transformou um bar em biblioteca, para que as pessoas da comunidade fiquem cada vez mais embriagadas, que jovens entrem ali e se percam, que senhoras do lar levem seus maridos carregados para casa. Carregados de cultura, que os jovens se percam entre labirintos de letras e que saiam dali embriagados de esperança.

Assim o Fogo quando chega à distri e me conta sobre aquilo me deixa curioso para conhecer tal obra. Depois de alguns dias me emprestou o livro que comprou daquele escritor. Durante um tempo li aquele livro dia sim, três ou quatro não. Mas terminei hoje. Resolvi então escrever aqui para expressar meu contentamento pelo novo doce que experimentei e que quero me alimentar dele até morrer, de diabetes. Obrigado, Guylherme Fogo Custódio.
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Fernando Mendes (o Feio) é São Brazense, Coxa-Branca, tem 26 anos e gosta das triboladas.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Um estranho ninho

Sua simples presença era um evento. Quando passavam por ele cutucavam-se e o apontavam com os olhos e o nariz. As crianças puxavam a barra do vestido ou da calça de seus responsáveis para saber o que aquele rapaz fazia ali.

O olhavam como se fosse de outro mundo, mas estava em outro mundo apenas temporariamente. Ele não se importava com o que acontecia ao seu redor.

Estava tão concentrado que não olhava para os outros e nem para si. Não percebia sua própria aparência. Cabelo desgrenhado, bermuda, chinelo e uma camisa ex-branca. Era uma afronta estar trajado daquela forma em um local com pessoas vestidas casualmente embonecadas.

Não bastava estar daquele jeito. Ele ainda tinha um livro. Deveria estar na praça em frente ao shopping, no espaço público que abriga aqueles que não tem espaço privado. Não podia estar ali, no meio do templo do consumo sem nada consumir. E lendo.

“Tem um rapaz lendo na praça de alimentação”. Em instantes o boato correu o shopping inteiro. Até pessoas de fora entravam para ver aquilo. Em pleno dia de jogo e ele ali, com um livro.

E era um livro de verdade, sem tela. De papel como aqueles de antigamente.

Após uma hora a novidade já esfriava. Alguns já se conformavam. “É um louco”.

Ele então se espreguiça e coloca uma mão em cada bolso. De um retira um cigarro e do outro um isqueiro. Acende e antes de dar o primeiro trago surge um segurança.

Com tantos olhos e celulares em volta o segurança, com esforço, é obrigado a usar a educação. Pede que apague aquilo e em voz alta o questiona:

- Você não viu o aviso bem na sua frente?

A resposta faz com que todos suspirem aliviados.

- Desculpa senhor. Não sei ler.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Linha a linha


O ônibus pára, mas a leitura continua.
Distraído. Estava mais dentro do livro que do ônibus. A história o levava para um mundo distante, o ônibus o transportava apenas até sua casa.
A porta se abre e o alerta de “parada solicitada” se apaga.
O livro parecia novo. Grosso. Bonito. Parágrafos bem espaçados. Não segurava o livro, apenas o apoiava nas mãos. Isso foi providencial.
Com a abertura da porta o vento entra e, com a mesma velocidade, um homem sai. Antes de sair interrompe a viagem do leitor. Apanha o livro e sai correndo.
O agora ex-leitor fica embasbacado até voltar para o mundo real e perceber que seu livro foi levado. Até se levantar e olhar pela janela o ladrão já estava na esquina.
Não sabe como reagir e na dúvida não o faz. Dá apenas um riso nervoso aos que o olham.
Nem a mão de quem o tirou do mundo das letras pôde ver, menos ainda o rosto de quem estava, na realidade, apenas fazendo um empréstimo.
Não queria montar uma biblioteca. Depois de apreciar o livro o abandonava em algum ônibus, geralmente na mesma linha em que tinha feito o furto, na esperança que o subtraído o reouvesse.
O habito começou há cinco meses. No primeiro ficou extremamente nervoso. Correu sete quadras até chegar em casa. Empalidecido cuspia os pulmões e alguns cigarros.
- O que foi?- perguntou a mulher. – Um roubo- Quem te roubou? Aonde? Você está bem? – O nervosismo maior passou para a mulher. Recuperou o fôlego e a explicou que havia sido ele o “furtador”.
A mulher ficou com raiva e meio sem entender. Depois passou a apoiá-lo com o aparecimento frequente de livros em casa.
Quando chegava com um deles era como se chegasse com carne. Alegria total. Se depois percebessem que era auto-ajuda, espiritismo, empreendedorismo ou técnico já o devolvia à linha no dia posterior.
Não tinha distinção. Roubava todos. Afinal, queria ser como eles. Queria ser um leitor como toda aquela gente.
E ninguém iria culpá-lo. Ninguém iria chamar a polícia e nem mesmo o reconheceriam.
Ele vestia-se como a maioria. Calça jeans e camiseta. Dentro da mala a marmita vazia, uma toalha de banho e itens de higiene. Sabia que aquilo não era um bom exemplo para o filho, mas o explicou que não poderia comprar e nem mesmo fazer cadastro em uma biblioteca.
O filho, como a mulher, estranhou no início, mas compreendeu e a cada noite em que o pai chegava o recebia com atenção quando ele com um olhar dócil após o jantar o pedia:
- Filho, lê pra mim.