quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O Doce, por Fernando Mendes

Hoje descobri um novo doce. Por meio de Guylherme Custódio, um amigo em comum entre nós, se não é ainda vai ser, me emprestou um livro (Literatura, pão e poesia. Sérgio Vaz) de um escritor paulistano não por natureza. Guylherme também é escritor, curitibano por natureza. Aliás, me apego muito com seus textos.

Jornalista, escritor e um bom “amante” da vida, se é que me entende. De vez em quando a gente até ama a vida juntos, leitor assíduo de tudo que as letras tornam palavras, também não tinha como ser diferente, né?

Nunca fui muito de ler. De vez em quando leio a Tribuna do Paraná, leio algumas noticias de meu time do coração e às vezes o horóscopo, pra ver se meu signo bate com o dela. Ah já ia me esquecendo das triboladas.

Com o livro que me emprestou e acabei de ler a pouco, achei a poesia que estava procurando, ou não estava, mas achei. Ou ela me achou, sei lá. Uma poesia que fala minha língua, que é o meu mundo, é o que escuto e vejo nas ruas. Rua por onde passo a maioria dos meus dias, trabalhando e muitas vezes não. Na verdade a maioria das vezes não, né Guylherme Custódio? Daqui pra frente chamarei o Guylherme por seu apelido (Fogo). Prefiro assim, é mais bonitinho.

Esse livro tem uma linguagem fácil de ser absorvida por quem nunca lê ou vive em lugares onde a cultura não tem tão fácil acesso. Isso foi o que percebi. Um livro de 184 páginas com histórias de lutas, dores, justiças e injustiças. De pobres, frágeis, de pais e de mães, de escritores, de rapeers e de leitores. Pessoas simples e simples pessoas.

A partir de textos do Fogo comecei a tomar gosto pela literatura, isso faz pouco tempo. Lia aqueles textos e pensava: “como não gosto disso, se é tão bom”.

Preguiça, falta de interesse. Não, é da vagabundagem mesmo. Mas vagabundagem também é uma labuta, pensa que é fácil ficar o dia todo procurando não fazer nada?

Como estava dizendo, os contos do Fogo me enchiam de curiosidade, principalmente quando não entendia nada o que ele queria dizer. Uma vez ele me disse que são os leitores que dizem pelo autor, mas isso já é muito para minha cabeça. Cabeça essa que tá cheia, cheia de vontade de aprender. Aprender a escrever, a lhe aprender, a decifrar a cabeça da mulher que é o amor da minha vida. Calma, ai já é pedir demais, outro dia conto mais sobre isso. Esta história não daria só um texto, daria um livro, um livro bem grosso, daquele tipo a Barça, saca?

Um dia o Fogo me contou sobre uma palestra em que um poeta recitava poemas voltados para a periferia, isso mesmo para a periferia! E para todos os periféricos de poesia.

Uma pessoa que fazia o bem com palavras, palavras bonitas, palavras fortes. Palavras carregadas de esperança. Um mineiro que fez a vida na periferia de São Paulo e que a trouxe junto com ele em páginas brancas com tons de vermelho, vermelho do sangue que escorre na zona sul paulistana, vermelho dos olhos cheios de água de quem o lê.

Um poeta que transformou um bar em biblioteca, para que as pessoas da comunidade fiquem cada vez mais embriagadas, que jovens entrem ali e se percam, que senhoras do lar levem seus maridos carregados para casa. Carregados de cultura, que os jovens se percam entre labirintos de letras e que saiam dali embriagados de esperança.

Assim o Fogo quando chega à distri e me conta sobre aquilo me deixa curioso para conhecer tal obra. Depois de alguns dias me emprestou o livro que comprou daquele escritor. Durante um tempo li aquele livro dia sim, três ou quatro não. Mas terminei hoje. Resolvi então escrever aqui para expressar meu contentamento pelo novo doce que experimentei e que quero me alimentar dele até morrer, de diabetes. Obrigado, Guylherme Fogo Custódio.
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Fernando Mendes (o Feio) é São Brazense, Coxa-Branca, tem 26 anos e gosta das triboladas.
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