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terça-feira, 2 de abril de 2013

Mudança radical

Respirou fundo, segurou e soltou aquela velha vida.

Não viveria mais daquele jeito. Aquele tempo poderia ser mais bem aproveitado. Não só aquele, mas toda inútil perca de tempo.

Deveria arriscar mais. Divertir-se mais. Sorrir mais. Respirar mais. Olhar mais para frente e menos para o celular.

Não seria mais tão sistemático. Não iria mais se programar tanto para fazer simples tarefas. Não iria mais viver pré-ocupado. Iria simplesmente viver.

Aquela velha vida acabou. Mudaria a partir daquele momento.

Fechou os olhos e tirou o pen drive sem ejetar.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Aos amigos

“Quanto tempo”, “Que saudades”, “Por onde anda?”. Tenho ouvido bastante isso. Ouço de quem não deveria ouvir, de quem era próximo e deveria continuar sendo.

Com um sorriso meio sem graça respondo: “Tô trabalhando”. Curioso né? Se afastar para “ganhar” a vida. Proporcionalmente quanto mais trabalho mais me afasto. Aniversários, casamentos e até o tempo sem fazer nada. O tempo passa e não estou vendo. Enquanto deveria viver, vendo meu tempo.

Será que a vida adulta é isso? Viver à venda.

Queria manter todos sempre juntos. Os amigos de hoje e os de ontem, aqueles que você lembra e nem sabe por que se afastou.

Será que é uma justificativa? Será que não há a possibilidade de se ver, ligar, mandar um e-mail, uma carta? Carta não ia dar mesmo, por que o correio está em greve, mas será que é tão difícil cumprir o “vamos marcar uma qualquer hora”? No final somos todos culpados.

Tenho saudades, mas o amor é maior que a saudades.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Sala de espera

Alguma coisa vai acontecer. Não sei muito bem o quê, mas vai.

Até lá espero. Mesmo no desespero, continuo esperando.

Espero algo que mude minha vida. Um e-mail, uma ligação ou até mesmo uma carta. Talvez uma mensagem em uma garrafa. No aguardo, bebo todas as garrafas.

Continuo pobre enquanto espero o resultado da mega-sena (mesmo sem ter jogado). Espero a noite chegar para não fazer nada. Espero o sono enquanto me viro de um lado para o outro. Espero um aumento enquanto aumenta o meu trabalho. Espero a fila do banheiro enquanto prendo a respiração para não mijar nas calças. Espero a comida enquanto fico cada vez mais faminto. Espero o grande amor enquanto vivo pequenos amores noturnos. Espero uma grande oportunidade enquanto não faço nada para que ela aconteça.

Enquanto nada acontece continuo esperando. E a vida, essa grande espera pela morte, passa.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O meu mundo

Vou dominar o mundo. Não no estilo Michel Teló ou no “the world is yours”. Mas vou dominar o meu mundo.

Vou fazer tudo o que quero para melhorar o meu mundo. O meu mundo vai ser o que eu quero e não mais o que o mundo quer que eu seja.

Amanhã pela manhã vou derrubar cada coisa e cada pessoa que acha que manda no meu mundo.

Não sei como, por que ou quando (quando nasci?) perdi o domínio, mas esse reino será meu.

Vou voltar para a minha profissão. Vou mandar meu currículo para todas as agências, jornais, assessorias, empresas e tudo nessa cidade que emprega, empregou ou vai empregar um jornalista. E algum deles vai me contratar. Tenho certeza. Se nenhum deles me quiser é por que estou definitivamente na profissão ou na cidade errada.

E tem mais. Vou escrever todo dia. Em menos de um mês o velho caderno vai ficar sem nenhum espaço. Nem pra anotação.

Vou publicar toda semana no meu blog. Se mantiver a periodicidade e a qualidade (?) alguém vai se interessar por isso e vai querer me publicar.

E quando esse alguém vier, já vou ter um livro pronto.

Com outros textos vou me inscrever em todo e qualquer concurso literário. Assim como no emprego, algum eu vou ganhar.

Também vou enviar textos para revistas, jornais, blogs e o que mais aceitar publicá-los.

Sim. Vai dar certo. Vou viver do que quero. Do que gosto. É só isso que eu quero. É simples, mas é preciso uma revolução. E ela vai começar. Já estou armado. Só preciso atacar.

Mas bem. Deixa eu ir dormir que amanhã cedo tenho que ir trabalhar.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Ladra de amigos

Era dia de celebração. Celebração da nossa amizade. Churrasco no parque com todo mundo junto pro aniversário do Caíque.
Tinha de tudo. Cerveja pra quem é de cerveja, vinho pra quem é de vinho, vodka pra quem é de vodka e até refrigerante pra quem é de refrigerante (ou seja, o filhinho do Marlon). Faltava apenas uma coisa, ou melhor, faltava apenas alguém, o Rick.
Ué, mas até o Régis ta aqui, como o Rick não tá? Eram daqueles que viviam juntos. Pergunto pra ele e recebo resposta negativa. Ninguém sabia onde estava.
Enfim...vamos curtir com quem tá aqui. A vida segue né, apesar de que se estiver faltando alguém o churras não é o mesmo.
De repente vejo um cara parecido com o Rick vindo ao longe, mas não era ele, por que estava com uma menina. Ele era um cara que jamais iria namorar. Era um pregador fiel da solteirice e sexo apenas por prazer, sem poha nenhuma de sentimentos. O tal cara se aproxima e confirmo, ele é ele. E quem será aquela menina? Ah, deve ser o peguinha desse final de semana.
Chega empolgado, com um largo sorriso. Dá um abraço apertado no primeiro que encontra. Depois de cumprimentá-lo apresenta a garota: olha, essa é minha namorada.
Por alguns milésimos todos param o que estão fazendo e aquela frase remexe nas entranhas de cada um. Passado o choque todos voltam ao que estavam fazendo, tentando agir naturalmente.
Mas aquilo não era nada natural. O Rick sabe, eu sei, todo mundo sabe e o Rick sabe que todo mundo sabe. Quando vem até mim cumprimento-o como amigos que não se vem há tempos. Comprimento a garota também, tentando ser simpático. Ela não demonstra o mesmo.
No decorrer do churrasco todos tentam puxar conversa com a tal da menina. Mas não adianta. Só com o Rick ela troca mais de seis palavras. Isso gera um espanto ainda maior em todos. O Rick ter uma namorada por mais de uma semana era uma raridade, ou melhor, o Rick comer a mesma menina por mais de uma semana era algo impensável até então.
Namorando! Foi isso que ele disse. Namorando! O Ricardo namorando. E o pior de tudo é que era uma guria daquele jeito. Toda metida, sem conversar com ninguém. Nem ele conversava com alguém além dela. Às 5h (da tarde) ele me estende mão. Estranho, mas retribuo. Ele diz “falô”. Aí é que penso, “caraí, neguin mudou mesmo”. Ele que costumava ser o primeiro a chegar e o último a sair. Não arredava o pé até que acabasse a última gota d’álcool ou alguém chamasse a polícia.
Tá. Tudo bem. Compreensível. Um dia a gente muda né, mas ninguém tava preparado pra uma mudança tão repentina. Ainda mais com uma menina daquelas.
Passadas algumas semanas ele levou-a ao bar. Agora ela falou um pouco mais, mas do jeito dela. Intrometida. Arrogante. Falava com ares de dona da verdade. Tentava impor sua opinião. Quando estávamos quase pedindo a conta ela diz “calmaê, tem mais uma rodada que eu vou pagar”. O Rick tentou convencê-la do contrário, argumentando que todo mundo ali estava rachando e o dinheiro contado da rapaziada não dava pra mais nada. Incisiva e pausadamente ela diz “Ricardo, eu vou pagar”.
Não sei por que, mas todos começaram a gostar dela. Assim decorreu um ano. Ela pagando cerveja, tirando o Rick do nosso convívio, chamando para as festas na sua casa com piscina, na sua casa na praia, na casa de chácara, na casa do car...linhos ela ia também, na casa de todos estava presente.
Conseguiu ser aceita. Acabamos nos conformando com o fato de o Rick ter virado uma pessoa totalmente diferente. Dado algum tempo terminaram. A cada vez que terminavam nós comemorávamos, mas eles sempre voltavam. Mas dessa vez era de verdade. Tínhamos uma certeza: o Rick continuaria sendo nosso amigo como sempre foi. Mas ela não. Ela não tinha nada a ver com a rapaziada. Outras ideias, outro padrão, tudo outro. Fútil, arrogante... Seria até difícil encontrá-la.
Para minha surpresa após o rompimento logo eu a encontrei. Não sei ao certo o que ela estava fazendo ali. Não era do feitio das pessoas como ela freqüentar locais como aquele. Eu estava com uma galera diferente da que ela conhecia e ela com algumas amigas, que por muito tempo acreditei não existirem. Era difícil alguém ser amigo dela.
Começamos a conversar mesmo eu tentando fingir que não a vi. A pauta do diálogo era impossível não ser o Rick. Creio que era a única coisa que tínhamos em comum. Dedicamos-nos muito tempo a filosofar sobre ele(s). Enquanto isso ela pagava cerveja. O papo até que tava legal, com ela pagando cerveja ali eu podia conversar a noite inteira. Paramos de falar sobre o Rick. Ficamos uns instantes sem assunto quando ela disse “Ah, vamos deixar o Ricardo pra lá. Vem prá cá o que o que é que tem? O que importa agora é que eu tô solteira. E você Beto, tá namorando?”. Percebi algo diferente naquele papo. Disse que também estava solteiro. Ela sem mais nem menos, acho que devido ao álcool, falou “sabe Beto, sempre tive uma pira em você. Não ta a fim de ir lá pra casa?”.
Refleti e resolvi recusar o convite e tratei de me arrancar dali o quanto antes. Meu pinto não é muito exigente, entra em qualquer buraco e não tem critérios muito bem definidos. Mas acima de tudo meu pinto tem seus princípios.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Bifurcação

Gabriel tinha acabado de chegar ao ponto de ônibus. Ia do estágio para a faculdade. O ponto não estava tão cheio. Como ficou até mais tarde no estágio já tinha passado o horário de pico. Ele estava lá, com a cabeça vazia, divagando sobre tudo o que via e esperando o ônibus para que pudesse se ocupar com algo: ler um dos quatro livros que estavam na mala. Entre os quatro, três estavam lá por que ele deveria ler por conta da faculdade e o outro por prazer. E adivinhem qual Gabriel iria ler? O filho único do prazer. Iria. Não fosse Leonardo chegar.
Fazia muito tempo que não se viam. Eram colegas de escola. Geralmente quando Gabriel encontra alguém com quem sabe que não vai ter muito o que conversar ele finge que não vê, mas nesse caso era impossível. Leonardo estava logo ali atrás no ponto do coletivo. Começaram com aquela velha conversa de quem não se vê há tempos: “E aí? Como vai? O que anda fazendo?”. E justamente por essa conversa que Gabriel começou a refletir sobre o “destino”.
Logo no início do diálogo Gabriel já percebeu a forma leve com que Leonardo falava. Ele parecia estar dopado. Mas não estava. Reconheceria se estivesse. Aquilo, ele acreditou ser fruto do passado. O resultado do tempo em que não se conversaram.
A forma com que falava não foi a única referência de Gabriel para saber que Leonardo havia desviado do caminho. Enquanto ele estava prestes a terminar a faculdade de Publicidade e Propaganda e fazia um estágio promissor em uma grande agência, Leonardo havia parado a escola e atualmente estava fazendo um supletivo, mesmo que sua condição financeira fosse muito maior na época em que andavam juntos. Ainda no meio da conversa Leonardo revelou que estava tomando antidepressivos.
O pensamento de Gabriel se dividia entre continuar a conversar com o velho amigo e refletir sobre as causas, razões e conseqüências do caminho tão díspare. “Mas por quê?” pensava ele. Gabriel e Leonardo estudaram juntos no mesmo colégio. Faziam juntos as cagadas que piás daquela idade faziam. Dentre essas atividades a que mais se destacava na época era o oficio de pixar muros. Inclusive foi Leonardo quem deu o apelido que até hoje chamam Gabriel. Mas é claro que aquilo não se passava de coisa de moleque. Mas parece que enquanto para Gabriel a molecagem passou, para Leonardo evoluiu.
Com ar nostálgico, mas sem comentar, Gabriel lembrou de quando fumavam nos fundos da casa de Leonardo. Mesmo com a mãe dele em casa os dois iam ao fundo da residência, onde havia também uma piscina, e fumavam aquele cigarro no qual pagavam 1 real na carteira inteira. Gabriel ainda fuma alguns cigarros eventualmente, enquanto Leonardo fumou o último Malboro vermelho ao chegar no ponto. Seus dentes estavam claramente amarelados.
No ponto em que Gabriel vai descer os dois se cumprimentam. Gabriel olha para as mãos do velho companheiro e nota que seus dedos estão com as pontas totalmente amarelas. Só pensa uma coisa: “maconha”. Depois que desce continua pensando: “Por quê?”. E continua pensando até hoje.

terça-feira, 4 de março de 2008

O novo já nasce velho

Quando algo muda de nome, demora muito tempo pra mudar de nome. Explico. Mesmo que alguma coisa mude de nome, este algo demora muito tempo pra mudar de nome efetivamente. O nome antigo continua durante vários anos na cabeça dos mais antigos, que conheceram o algo com o seu nome de antes.Ainda não entendeu? Ókei, vamos aos exemplos práticos.Já há alguns anos o nosso querido e famoso Cefet recebeu o nome/grau de Universidade Tecnológica, a primeira do Brasil, diga-se de passagem. Mas, quem é que chama o Cefet de Universidade Tecnológica? Por muito tempo o Cefet vai continuar chamando-se Cefet, mesmo que ninguém saiba dizer o que significa.

UP
Recentemente o Unicenp recebeu a graduação de Universidade, passando a se chamar Universidade Positivo. A “nova” instituição recebeu a sigla ridícula de UP. Unicenp era muito mais descolado. O novo nome só não perde para o antigo na questão da propaganda. A trilha sonora da nova instituição será “get UP”, do grande James Brown. No final do ano não tocará mais musiquetas de natal na ponte, mas sim o hino Black “get UP”. As propagandas não terão mais modelos fingindo ser alunos que estão fingindo que estão estudando. Agora, as propagandas terão o nosso reitor dançando “get UP” com uma peruca Black Power. Mesmo assim, os esforços não vingarão. O Unicenp vai continuar Unicenp.

O Formiga
O super-hiper-mega-supersônico mercado formiga foi durante muito tempo ponto de referência na região brazense (no São Braz). Há uns sete anos o mercado mudou de nome, e mudou, e mudou e mudou de novo. Ainda assim, o formiga continua formiga. O ponto de referência ainda é o formiga, mesmo que não exista mais.

Exemplo Pessoal
Por um motivo que não vou contar agora (se não terei que escrever um novo texto), há exatos 9 anos deixei o meu nome de batismo para me chamar fogo. Todo mundo acha que o apelido se deve ao meu cabelo, que era Black Power. Por ter a mesma preguiça que estou agora em contar a história, acabo confirmando a história. Agora não tenho mais Black Power, mesmo assim vou continuar sendo fogo, provavelmente até o resto da vida.
Vou continuar sendo o fogo, que estuda no Unicenp, compra salgadinho no formiga e trabalha na rua do Cefet.