segunda-feira, 9 de maio de 2016

Segunda-feira

Você precisa ir.

Precisa vestir a sua roupa feita por escravos bolivianos.

Precisa sair de casa para sua mulher trepar com o vizinho.

Precisa queimar combustíveis fósseis e aumentar o aquecimento global.

Precisa assobiar para as mulheres.

Precisa olhar para o porteiro com desprezo.

Seu chefe precisa de alguém para xingar.

Você precisa suportar porque precisa vender seu corpo para comer.


Você precisa consumir carne para que os animais continuem sendo sacrificados.

Você precisa fumar para que a indústria lucre com o seu vício.

Você precisa do celular.

Precisa das redes sociais.

Precisa se mal informar com o título das notícias.

Precisa tomar remédios.

Precisa manter as aparências.

Precisa beber para aguentar viver.

Ande.

Levante-se.

O mundo precisa de você.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Classificados

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COMPRO, Universitários, técnicos, engenharia, psicologia, filosofia, espírita, literatura, ensino médio e outros. (41) 3222-0410


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Sensitiva 15 anos Trab.só p/o Bem.Problemas, Negócios, Saúde, Amor. Por ser um dom só cobra consulta. (stephany) (41) 9541-0175

TARÓLOGA
Previsões 2016 Trab.só p/o Bem.Problemas, Negócios, Saúde, Amor. Por ser um dom só cobra consulta. (Idalina) (41) 9542-3040


Recados
AGÊNCIA ELE E ELA
NAMORO e casamento. Há 17 anos c/ seriedade, compromisso e dedicação. www.agenciaeleelea.com.br (41) 3345-8787

Títulos de clubes
TITULO
remido Sta Mônica Club de Campo, Vlor clube R$7.200 vlor transf.R$1.400, Vlr venda R$5.500 transferido (41) 9976-3223

TÍTULO DO IATE
CLUBE Guaratuba, duvidas e maiores informações ligar para o escritório do Iate Clube em Curitiba: (41) 413081-8171

TÍTULO GRACIOSA
Vende-se Título Patrimonial Graciosa Country Club. R$40.000,00. Falar com Zeco. Aceito Proposta (41) 9106-0402

VENDO
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Detetives
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Jazigos
JAZIGO
Cemitério Parque Iguaçu, 3 gavetas, estuda contra oferta. 41 9758-1513

terça-feira, 29 de março de 2016

Canção do Exílio Curitibana


Minha terra tem pinheiros,
Onde canta o Plá;
Os pombos, que aqui rodeiam,
Gostam muito de cagar.

Nosso céu é mais cinza,
Nossas vagas, menos flores.
Nossos shoppings têm mais vida,
Nossa vida vendedores.

Em andar, sozinho, à noite,
Mais nazis encontro lá;
Minha terra tem preconceitos,
Que dão vontade de chorar.

Minha terra tem bolores,
que não dá pra evitar;
Tem neblina toda noite,
Muita umidade no ar;
Minha casa tem goteiras,
enquanto a chuva não parar.

Não permita deus que eu morra,
Sem a neve eu avistar;
Sem a Avenida das Torres
um dia desengarrafar;
que eu não morra de vergonha,
se me obrigarem a falar.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Sobre o futebol

O futebol é um jogo muito complicado. Há dezenas de variáveis, implicações e pode mudar a qualquer momento. “É uma caixinha de surpresas”.

Mas, vou tentar mostrar o pouco que sei do jogo.

Torcedor é a função ocupada pelos apaixonados. Eles carregam bandeira, vestem a camisa, vão ao estádio, gastam dinheiro, instruem os seus filhos a serem como eles, gritam, berram, xingam os rivais e, não raro, matam aqueles elegidos como adversários.

Os adversários são “o outro”. Embora sejam exatamente iguais e estejam na mesma situação, o torcedor não enxerga o outro como seu semelhante. Ele não consegue ver que o outro é alguém que simplesmente fez uma escolha diferente da dele. 

Mas, apesar de agirem como selvagens, os torcedores às vezes também são pessoas normais. Eles têm família, trabalham, levam uma vida social e alguns são até capazes de conversar e manter uma amizade.

O irracionalismo é demonstrado só quando estão no estádio, em meio à massa, sem cara, camuflados. Esse comportamento também pode escapar nas redes sociais. Atrás de um computador, protegido por uma falsa identidade, o torcedor destila o seu ódio e emite opiniões sem o mínimo de informação. Na mesma posição, os seus pares o aplaudem com likes, o que faz o seu ego inflar. Assim, ele continua a falar.

Mas, o futebol é um jogo.

Por isso, em meio a toda selvageria dos torcedores, é preciso haver um lado racional. Quem exerce essa função é o técnico. Essa figura ímpar deve comandar todo o time. Se necessário ele deve, até mesmo, usar o seu racionalismo para controlar a paixão alheia. No entanto, quando um time inteiro não funciona, é o técnico que perde o cargo, mesmo que ele seja o menos culpado pela situação.

No futebol faz sentido: é mais fácil tirar o técnico do que tirar o time todo.

Mas, mesmo que o técnico tenha feito uma proposta concreta para reformular todo o sistema e não tenha sido ouvido é ele que continuará sendo apontado como culpado. As outras forças dentro do clube são capazes de impedi-lo. O técnico não manda em tudo.

Aí vem outro. Esse é colocado como salvador da pátria, quando, na verdade, ele é só um ser humano, com suas qualidades e defeitos, pessoais e profissionais. Há um resultado de curto prazo. Afinal, os jogadores querem demonstrar vontade ao novo chefe e o fazem de maneira espantosa, fazendo com que o valor do seu passe aumente. Mas, com o passar do tempo, o técnico novo vai ficando velho e se percebe que ele não era um herói. É quando os jogadores começam a fazer corpo mole para querer tirá-lo e os torcedores vão no embalo, gritando palavras de ordem e querendo até mesmo que volte um técnico de muito tempo atrás, que tinha métodos bastante arcaicos e nem mesmo permitia torcedores no estádio.

Sem ter o que fazer, o técnico tenta dizer coisas importantes: “mas gente, a culpa não é minha. Vocês que me colocaram nessa posição de Deus e eu não sou Deus. Não tenho como solucionar tudo, quem controla são os jogadores, eles vão a campo, eles atuam em todas as posições, eles são os donos da bola, não eu”. Mas ninguém o ouve mais. A sua fala é abafada pelos gritos. A paixão se sobrepõe à razão.

Vem aí o novo paladino e estão achando que tudo vai mudar.

Se for começo de temporada é possível reformular o time, mas tudo depende da diretoria. Ela sim tem o poder. É a responsável por demitir, contratar e renovar o elenco (ou não).

Mas, é também na diretoria em que se dão a maioria dos casos de corrupção, mas lá todo mundo acha normal.

E segue o jogo.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Sensatez

- Se você ficar comendo assim você vai ficar gorda, seu corpo vai ficar horrível e você não vai nem conseguir andar direito. Você precisa ser magra, bonita. Nenhum homem vai querer casar com você desse jeito.

A filha, que parece ter oito ou nove anos, olha assustada. Aparentemente o seu espanto não é pelos efeitos que a comida pode causar, mas sim pela maneira rude com que a mãe fala. E, realmente, aqueles gritos assustavam qualquer um.

-A senhora não deveria falar assim com a sua filha, sabia!?

- A filha é minha eu falo do jeito que eu quero.

- Eu sei disso, minha senhora. Mas acredito que deveríamos nos preocupar com as crianças pensando na coletividade, no futuro do país inteiro e não apenas na sua filha.

- Por isso que eu tô tentando dizer pra ela parar de comer, se não o futuro dela vai ser horrível.

- Espero que a senhora esteja realmente preocupada com a saúde da sua filha. Mas se a senhora gritar desse jeito as consequências vão ser ainda piores. Ela é uma criança. Você precisa ensinar ela a se alimentar bem e não somente brigar com ela.

- Tá. Tá bom.

[Dando um beijo no rosto.]

- Desculpa filha.

- Ainda assim...Acho que a senhora não deveria repreender a sua filha por comer demais. Ela tem o futuro inteiro pela frente. A senhora está tentando colocar a culpa na cabeça dela antes mesmo de ela estar ligada aos padrões estéticos que a sociedade nos impõe.
Deixe ela comer. Deixe ela se divertir. Deixa ela ser feliz comendo hambúrguer. Não tire a sua inocência e o gosto da infância.

A vida dela já vai ser uma merda mesmo.

sábado, 16 de janeiro de 2016

Poema de Aniversário

Todo dia é de comemorar
Viva todos eles

Evolua diariamente
Continue caminhando...

As dores virão,
Mas passarão com o tempo

Não o torne um pavor
Use a seu favor

O que você fizer
Volta

Não faça mal
Não seja falso

Deu um passo em falso?
Errou?

Aprenda
Não repita

Não repita
Não repita

A vida segue em frente
enfrente

Não ligue para as tendências
Tenha experiências

Não conte com a sorte,
Nem com superstições

Se elas ajudarem, bem vindas,
Antes faça você o que for possível

Se quiser ter religião, tudo bem,
algumas não fazem tão mal

Acima disso,
tenha fé em si mesmo

Você não é obrigado a ser o melhor
Mas dê o seu melhor

O futuro existe
e pode dar certo

Viva como se houvesse amanhã
porque sempre há

Continue vivo
Ame

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Desculpa pai

Desculpa pai.

Eu não consegui.

Não consegui ser nada do que você sonhou.

Não consegui ser jogador de futebol. Não consegui gostar de esporte. A camisa do seu time eu não pude vestir. Do seu preconceito não consegui me travestir.

Desculpa, mas a culpa não foi minha.

Não consegui descabaçar a vizinha. Eu sei. Eu sei que ela me dava bola. Mas eu não queria bola. Queria boneca.

Desculpa pai, mas me é caro gostar de carro. Só sei entrar e andar. Se parar, não vejo graça me sujar de graxa.

Desculpas pelo jeito que falo. Por sentar de pernas fechadas. Por não mostrar meu falo.

Desculpa por ser emotivo. Por não conseguir esconder meus sentimentos, por chorar sem motivo, mesmo sem estar bêbado. Desculpa por não beber, não gostar de cerveja. Por não tentar provar a minha masculinidade me dirigindo ao chão de um bar. Por não matar ninguém dirigindo.

Desculpa por não gostar de carne pingando sangue. Por não gostar de carne. Por não gostar de sangue. Por não assistir filmes do Van Damme. Por não ter sido de gangue. Por não brigar na rua. Por não gozar em revista de mulher nua.

Desculpa por não saber trocar uma resistência de chuveiro. Por não ter sido engenheiro. Por não ter sido delegado. Por não ter filhos, não continuar seu legado.

Desculpa por assistir novela. Por gostar mais da mamãe. Por ajudar ela a lavar louça. A escolher a roupa. Por não ajudar você a torná-la uma escrava.

Desculpa por ter modos à mesa. Por demonstrar minha tristeza. Por gostar de artes e cultura.

A vida é dura. Você também precisa ser.

Você vai aguentar.

Você é macho.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Dois Poeminha Safado

Linguística

Esqueça a morfologia,
é hora de morfar.

A sociolinguística é o que nos une

Não pense na psique,
na sintaxe,
sinta

Seu cinto sou eu

Não há semântica
Só há sentido
na fonética e fonologia
quando você sente
a melhor função da língua



Schwa 


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Cronos

Ela rola a rola em seus lábios de labareda
Sua boca quente parece não ter dentes

A língua alinha o universo
Estrelas no céu
Sinto sua textura

Acaricia a pica dura como cimento
Agradeço o nascimento
E a sensação de quase morte

Ela me olha
Olho para meus cílios
Ela me molha
E engole nossos filhos

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Limpando ratos

Meu mouse me enoja.

Se deposita nele uma crosta. Agora, regurgita tudo que o fiz engolir.

Todos os dias às 9 da manhã invés de tomar café ele é obrigado a deglutir todos os meus resquícios. As coçadas noturnas no cu. A punheta matinal após perceber que a presença da namorada era apenas um sonho. A escova de dentes. As chaves. O celular. O cigarro. O cabelo. O jornal. O livro. E a multiplicação de tudo assegurada no ônibus.

Me devolve tudo. Sou eu que acho nojenta a sua superfície sebosa.

Quero lavá-lo. Lavar as mãos. Começar tudo de novo. Pedir desculpas. Errei. Tu erraste. Outros erraram. Temos um trato senhor rato. Apertamos as mãos e está tudo resolvido. O melhor acordo é aquele que o outro é obrigado a aceitar.

Mas não consigo levantar. Essa tarefa me prende. Essa música me apreende. Só mais uma revisão. Só mais uma lida. Será que há crase aqui? Ah, há. É à. Não a. Nem á. Ao consultar me perco na esquina do serviço. Abrir o navegador é sempre uma chance de naufrágio. A maré me leva às mensagens passadas do e-mail. Exploro as novas velharias de facebook. Anuncio filho da puta. Preciso passar isso. Cinco segundos de publicidade é muito tempo na minha idade.

Sou obrigado a levantar. Abaixo as calças. Mijo. Lavo as mãos. A água leva a alma da sujeira.

Volto ao mouse imundo. Bate 18 horas. Vou embora beber.

Amanhã passo um álcool.

O álcool, às vezes, resolve muitos problemas.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Por quê?

- Por que eu? Por que logo comigo? Com a pessoa que mais te ama? Nunca fiz mal pra você. Nunca fiz mal pra ninguém. Pelo contrário, sempre procuro fazer o bem pra todo mundo. Sempre prezei pela amizade dos meus amigos, pelo amor de quem eu amo e pelo bem de qualquer ser humano. Sou prestativa com todos. Sempre estendo a mão. Sempre tô disponível para quem precisar de mim, toda hora. Nunca neguei nada pra ninguém. Sempre fui generosa. Emprestei dinheiro para quem precisou. Emprestei meu carro para quem precisou. Emprestei meu ombro para quem precisou. Dei meu tempo para quem precisou. Nunca me aproximei de ninguém querendo favores. Nunca falei mal de ninguém. Nunca fui mau com ninguém. E é isso que eu recebo em troca. Por quê? Me responde! Por quê?

- Por isso mesmo.