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terça-feira, 12 de abril de 2016

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quarta-feira, 15 de julho de 2015

Uns Poema aí

Beleza única

Tinha a beleza delicada de uma guerreira
Era séria e arteira
Era tão linda
Mas tão linda
Mas tão linda
Que ninguém acredita
Nem homem
Nem Deus
Nem o Capeta
Sua graça nem cabe na minha letra
Pena
que tinha chulé na teta.



Clichê da Poha

Amor e dor
Rima
E é um clichê da poha!

Na poesia
os opostos se atraem
E isso também é um clichê da poha!

Linguagem automatizada
tão usada
Que não posso dizer mais nada.

Poha!



Violência parte I

Quando violado
vi o lado
do meu violador

Ter sido roubado
era o resultado
do roubo diário dos seus direitos

Mas não vi direito
E matei o filho da puta



Espírito Curitibano

Em Curitiba toda alma é di vina
minha navegação
para na estação tubo.
Tudo no centro é solidão
mas não largo mão
de encontrar algo aqui.
Vou em busca de dois corações
por favor, com catupiry.



Bem me viu quem me vê

Quem me vê assim,
de passagem,
me vê feio,
meio torto,
indo e vindo.

Prometo:
quando morto,
serei lindo.



Violência parte II

A Violência é grátis, é Free, é gratuita
Promoção! Ninguém acredita
Pegue a sua na próxima esquina
Ninguém se esquiva
É a sina da nossa rotina

É possível cheirar (cocaína)
Degustar (sangue)
Ver (Chacina)
Ouvir (gritos)
Sentir na pele a emoção

Ela é Tua, é minha
é nossa senhora
É Aqui, é Agora
A Cidade em Alerta
Aberta
Salve o Brasil, Urgente
O tempo urge na urbe
Ruge o cordeiro
para receio do pastor

A violência é democrática
Ninguém tem paz
Criada pela desigualdade
Tornou todos iguais

É física, é psicológica
É metódica
É cerveja, é vodka
É crack, é no futebol
É na luz da lua e do sol
É na escuridão
É em casa
É na rua
É na escola
É na escolta
É da criança
É do adulto
É de todos
É em tudo
A nossa volta
Deus está com medo
não volta cedo

Onisciente
Onipotente
Onipresente

Presente
Passado
Pressente o futuro?

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Palácio Iguaçu

Praça Nossa Senhora de Salette, s/n - Centro Cívico
80530-909 - Curitiba - PR



Oi Betinho, tudo bom?

Não sei se lembra de mim.
Por um momento gostaria muito que lembrasse.

Eu lembro de você perfeitamente Betinho. Você era tão bonitinho. Vinha para a aula arrumado, com gel no cabelo. Ah, e como era educado. Você tinha muita educação, Beto!

No recreio adorava brincar de carrinho e na sala era o aluno mais aplicado. Fazia as tarefas em dia, prestava atenção nas aulas e sentava bem na minha frente. Nunca foi bagunceiro, muito menos desordeiro.

Eu sempre soube que você seria político, Betinho. Me orgulhava de dizer: “o governador foi meu aluno”.

Mas sabe Beto, fiquei muito decepcionada. Parece que não aprendeu nada comigo, só com quem não deveria. O que você fez foi maior do que os atos de Álvaro Dias, Beto. Você superou o seu mestre.

Se pudesse deixaria você de castigo na escola. Mas não posso. Não posso fazer nada enquanto você parece achar que pode fazer tudo.

E sabe o que é o pior, Betinho? Você nem mesmo assumiu o que fez. Logo você, que tomava a frente da turma, que se empoderava, que gostava de estar em evidência, agora se esconde.

Você disse que não viu truculência da polícia, que eles estavam defendendo a sua integridade e apenas continham os arruaceiros. Ora Betinho, ninguém mobiliza helicópteros, cães, tanta gente e tanta arma só para conter alguns arruaceiros.

Mas não foi só você que eu vi na tv. Eu vi professores como eu sendo agredidos. Eu vi balas de borracha. Vi bombas de “efeito moral”. Vi spray de pimenta.

Você me deixou lacrimejante, Beto. Me senti machucada como aqueles 213 que você feriu. Era como se cada uma daquelas balas atingisse o meu corpo e cada dente de cachorro rasgasse a minha pele. Aquele spray sufocante jamais vai me deixar respirar aliviada.

Sabe Beto, eu queria que você lembrasse de mim. Talvez você conseguisse sentir compaixão, sendo alguém que você conhece, não só um número desses que você vê toda hora.

Mas se, por acaso, você lembrar de mim não conte para ninguém.

Jamais diga que eu fui sua professora.

Eu tenho vergonha de você Carlos Alberto Richa.




segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A perdida

A sociedade sempre a julgou como perdida. E naquele dia ela saiu determinada. Nada iria a parar, nada. Iria penetrar e não mais voltar.

O pai foi quem ordenou que ela saísse da sua casa quente e fria para morar em alguém. Bastou o dedo para que ele ordenasse e ela partisse.


Já tinha disposição. Nasceu para isso. Sua vida foi feita para sair e entrar.


Estava vestida para matar. Seu vestido metalizado a faria chocar.

A safada nem esperou até a noite. Saiu sob o sol, na vista de todos.

Saiu rápida, cortando o vento e soltando fumaça pelas ventas.

Fez barulho, muito. Estrondosa.

Apesar do esforço, muita gente nem a viu. Não reparou. O lugar onde ela foi muitas vezes não é visto.

Embora perdida, saiu decidida.

Em sua perdição encontrou alguém. Achou o corpo que tanto procurava. Encontrou uma vida. A bala perdida levou à morte uma criança de 7 anos.


quinta-feira, 26 de junho de 2014

Diário de Bordo- O futebol é um esporte bobo

Isso que diz o título é verdade. O futebol é, resumidamente, um esporte que se joga na grama com 11 pessoas de cada lado com uniformes distintos e ganha a equipe que mais vezes colocar a bola no retângulo que o adversário deve proteger.

Mas, vamos reduzir alguns outros esportes às formas bobas de encará-los.

Boxe: dois seres vestindo calção e luvas golpeiam com as mãos um ao outro com o objetivo de derrubá-lo.

Esgrima: duas pessoas com uma “espada” em mãos tentam encostar a arma no outro humano sem que seja encostado.

Golfe: Usando um taco os terráqueos tentam colocar uma bola dentro de um buraco com o menor número de toques possíveis.

A lista poderia prosseguir, mas vamos ficar por aqui. A questão é que qualquer esporte, até os mais refinados (leia-se, aqueles que envolvem mais dinheiro), podem ser vistos como esportes “bobos”.

Mas, antes de mais nada, o esporte deve ser visto como um esporte. É uma diversão. É catarse. É emoção. É identificação. É tudo. É nada.

O futebol, como todos os outros é um esporte e não deve ser encarado como algo “sério”. As pessoas que levam o esporte a sério demais são aquelas que acabam indo ao estádio e tornando a diversão em algo realmente sério ao usar aquilo como pretexto para xingar, discriminar, bater ou até mesmo matar alguém.

Como pode ser visto na Copa do Mundo de futebol, este esporte é uma paixão mundial. Mas no Brasil ele representa o mais verdadeiro amor. Em nosso país a invenção inglesa encontrou solo fértil para prosperar. Solo de asfalto. Solo de terra. Solo de areia. Solo da sala de casa. Solo que se casa com a sola de qualquer pé. Sola que calça chuteiras, que calça tênis velhos, sola descalçada pelo chinelo usado para ser trave. Solo de onde nasceram muitos craques, que por aqui ficaram ou que foram para a Europa servir de pé de obra para times endinheirados.

Eles são menos brasileiros do que nós? Não. Você não iria? Deixaria de realizar o seu sonho profissional? Não gostaria de morar no velho continente e ganhar muito para fazer o que gosta? Eles também “sofreram” por não ter em nosso país estruturas que suportem o tamanho do seu talento. São nascidos aqui, criados aqui e são eles quem nos representam quando pisam nos gramados tratados da Europa. “Ame-o ou Deixe-o”? Aaaaaaaaaaaah...

Eu sou tão brasileiro quanto o Pelé. Que é tão brasileiro quanto o atendente da lanchonete. Que é tão brasileiro quanto Ronaldo. Que é tão brasileiro quanto o cobrador de ônibus. Que é tão brasileiro quanto o Diego Costa. Não, o Diego Costa não (embora não ache errada sua decisão), mas enfim...continuando...o cobrador é tão brasileiro quanto o David Luiz. Que é tão brasileiro quanto o policial. Que é tão brasileiro quanto o Thiago Silva. Que é tão brasileiro quanto o presidiário. Que é tão brasileiro quanto o Neymar, esse brasileiro que faz lances espetaculares com a simplicidade de quem brinca com uma bola qualquer em um campo qualquer em qualquer canto desse país.

Na última segunda-feira pudemos vê-lo jogar. A menos de 20 metros estava essa peça rara que é como nós, nascido nessa terra de todos. Um menino gigante que joga esse esporte bobo, mas que representa esse divertido amor.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Política familiar

Alceu chegou mais tarde naquela noite. Com sua ausência, Isabela e a pequena Júlia sentaram-se à mesa de jantar sem o patriarca. Chico, o cachorro, também fez sua refeição (toda família feliz tem um cachorro). O atraso era previsto. Ele avisara que chegaria mais tarde (todo infeliz trabalha mais que o necessário).

Sua chegada não foi tão festiva quanto o habitual. Ninguém foi recepcioná-lo. Isabela o cumprimentou sem se desviar da TV. Chico continuou deitado e apenas deu um olhar levantando a sobrancelha.

- O que aconteceu?

- Nada!

Naquele momento Alceu confirmou o que desconfiava. Alguma coisa aconteceu.

Foi até o quarto e viu na cama alguém se movimentando embaixo da coberta. Ao levantá-la viu o desesperado e reprimido choro de Júlia.

Sentou-se calmamente e deu um beijo na testa da menina, que sem perder tempo agarrou-lhe o pescoço.

Passado o pranto, ele transferiu a ela a pergunta feita à mulher, o que fez com que o choro recomeçasse.

Voltou para a sala.

- O que aconteceu, Isabela?

O cachorro saiu de perto e foi para o seu canto.

- O que aconteceu, Alceu? O que aconteceu? O que aconteceu é que a tua filha não quis jantar por que o pai dela não chegava.

- E ela tá chorando desse jeito por causa disso?

- Não. Ela tá chorando por que eu bati nela.

- Bateu nela, Isabela?

- Bati e bati mesmo.

- Por que fazer isso Isabela? Só por que ela não quis comer?

- Claro que não Alceu. Ela tava me desafiando. Me questionando.

- E você não sabe conversar? Ela é uma criança, Isabela.

- Purisso mesmo. Purisso que ela tem que me respeitar e fazer o que eu mando.

- E você não podia simplesmente explicar que eu vinha mais tarde?

- Eu tentei Alceu. Mas essa guria me questionava cada vez mais. Aí eu...

- ...Aí você bateu nela.

- É Alceu. Bati. E daí?

- E daí que não é assim que se educa uma criança e eu esperava que você soubesse disso. Como uma pessoa calma, educada, inteligente como você foi bater em uma criança?

- Alceu, você não tá vendo? Você não percebeu o que essa menina fez?

- Não.

- Alceu, a atitude dela tem influência político-partidária!

- Ah então tá certo. Tá justificado.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Ligações

...desligou. Como se desligando fosse adiantar. Desligou por que percebeu que poderia ser verdade. Com a ilusão de que desligando a verdade se tornasse mentira. Desligou como quem bebe para esquecer-se dos problemas, que retornam acompanhados de ressaca.

Apoiou os cotovelos sobre a mesa e se pôs a raciocinar. Seria mesmo possível? Anos de confiança e amizade se foram em 30 segundos. Era possível!

Ligou os pontos de uma maneira tão simples quanto um jogo de crianças feito por um adulto. Mas até então não tinha visto os pontos.

A mulher estava sempre arrumada e também cansada. Não dava mais detalhes e nem desandava a falar como foi seu dia. Não o procurava mais e quando procurada fazia-se foragida.

Marques visitava cada vez mais a sua casa. Ficava cada vez menos no escritório. Tinha um tratamento dentário que nunca terminava. Quando ia à sua casa conversava mais com a mulher do que com o próprio Pita.


Depois que desligou o telefone desconectou-se do mundo. Ligou o automático. Calmamente saiu do trabalho. Os pontos já estavam ligados, mas precisava ir até o final para conferir a resposta.

Não teve pressa. Pegou o carro e foi. Lento, o trânsito não o preocupava. Seguia hipnotizado. Possuía uma arma, mas jamais pensou utilizá-la. Era uma herança. Iria entregá-la na campanha do desarmamento, mas acabou ficando. Poderia ser útil qualquer dia nos dias atuais. Colocou-a do lado da porta com naturalidade, como se depositasse ali um molho de chaves.


Não colocou o som no carro. Acendeu um cigarro e nem fumou. Só percebeu quando estava no final. Mesmo com o raciocínio já concluído, ficava religando os pontos. Religando, religando, religando.

BÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉ...

Uma longa e alta buzina o desperta. Olha para o autor do despertar e percebe que o estava fechando.

“Mas é um corno mesmo!” grita o fechado.

Ele atira e o tira do mundo. Desliga-o.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Corações partidos

Com um sorriso esticou a mão e perguntou:

- Quer um doce?

Ela com sua doce timidez apenas balançou a cabeça positivamente.

- Vem cá buscar.

Ela andava devagarzinho, com a velocidade que o tamanho de suas pernas, crescidas ao prazo de apenas quatro anos, permitiam.

A pegou e levou para dentro de casa. Na garagem entregou os doces. Ela tentou sair, mas ele a segurou e colocou no colo, “mas tem que comer aqui”.

Tinha pouca idade, mas na escuridão daquela garagem, naquele momento, passaram-se anos. Não apenas para ela, mas para muitas crianças. Ali perdeu uma parte da infância. Ele, em alguns instantes, perderia a vida.

Uma vizinha viu quando a menina entrou na casa. Não conseguiu avisar a mãe a tempo de evitar, mas avisou. Pegou uma grande faca, que amolara muitas vezes pensando nesta possibilidade. “Se aquele filho da puta chegar perto da minha filha...”.

Chegou à casa do homem. A filha chorava e antes que ele pudesse falar algo cravou a faca no meio do peito. Certeira no órgão que bombeava sangue para o corpo. Morreu antes de poder sentir a frieza da lâmina.

O dia das mães se aproximava e não pode celebrar como planejou, mas não se arrepende. “Se precisasse mataria de novo para que esse pedófilo não faça isso com mais nenhuma criança”.

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Texto tardiamente referente ao dia 18 de Maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.


Inspirado na matéria "Mãe de vítima mata a facadas estuprador da filha", do site Bem Paraná no dia 06/05.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

A corrida da resistência

Essa noite não consegui dormir direito. Não conseguia me mexer sem que alguma parte do meu corpo reclamasse. E pra piorar, não sei se era verdade, ou algum tipo de ilusão que a minha memória produziu, mas na hora que acordei ouvi lá fora: “Corre, corre, corre, corre”. A dor do meu corpo já tinha passado pra minha cabeça? Lembranças?
Por incrível que pareça, eu não estava sonhando com um jogo de futebol quando acordei com alguém anunciando “corre”, e o meu corpo não estava doido de tanto jogar bola.
A razão pela qual o corpo doía era de alguns cassetetes da Guarda Municipal que andaram deixando esse meu corpitcho roxo, e a palavra “corre” veio seguida de algumas bordoadas nas pernas.
Bem, melhor começar do começo né?
Sabadão rolou um luau maneiro ali no bosque do Saturno. Saca o Saturno? Pois bem, o Saturno é um conjunto habitacional que fica no bairro do São Braz. É um lugar bem suce. O bosque é um lugar cheio de árvore, como os bosques costumam ser. E eu fui até lá. Ia ter umas bandas de reggae tocando. O lance ia ser total maneiro. Reggae, fogueira, galera curtindo. Mas depois de 15 minutos que eu estava lá chegaram os homens da lei. Com lanternas na cara de todo mundo, gritando e botando a galera pra correr.
Nessa correria todos deixaram seus pertences pra trás, como mochilas, bicicletas, skates e afins.
Eu, o Guylherme Custódio, resolvi ir atrás de alguns pertences desse pessoal.
Quando estou quase entrando no bosque, o funcionário pago com o dinheiro do imposto que eu mesmo pago resolve me negar o direito de entrar em um local aberto:
- Você não pode entrar aqui?

-Por que não?
- Por que não.
- Mas o Bosque não é público?
- É sim. O bosque é público, mas também tem gente querendo dormir.
- Mas então se tem gente querendo dormir o Sr. não pode conversar educadamente?
Ele não me dá uma resposta verbal, mas física. Me dá com a ponta do cassete bem no peito seguido de um chute.
Tudo bem? Claro que não. Mas se soubesse que as coisas iriam piorar eu juraria que estava tudo bem.
Cinco minutos depois chegam mais duas viaturas, uma da Rotam e outra da Polícia Militar.
Aí os rapazotes da Guarda Municipal resolvem vir pra cima de mim, só por que agora estão acompanhados da sua turminha.
O moço de farda azul me pega pelos dread locks e me arrasta pelo cabelo por uns três metros, até a grade onde as outras pessoas que estavam no luau já estão encostados. Ele tira a arma e encosta na minha cabeça. Nesse momento fico morrendo de medo. Já pensou se por acidente aquela arma dispara na minha cabeça? Eu iria morrer somente por gostar de Luau, por ouvir reggae e por querer me divertir em um local público.
Felizmente, esse meu pensamento infeliz não se concretizou.
Mas aconteceram coisas que não foram nada boas.
O Guarda Municipal começou a me bater com o cassete na Panturilha e nas coxas, depois gritou na minha orelha: “Quero ver você se crescer agora seu bosta. Cresce. Creeesce. Seu bosta!”.
Fico quieto, tentando ao máximo apanhar sem demonstrar dor. Depois de muito me bater ele diz: “Agora corre. Corre. Eu quero ver você correr. Não para de correr”. Mesmo depois de ter levado várias bordoadas de cassetete na perna me esforço pra correr. Corro o máximo que posso. Até encontrar um grupo de pessoas, que como eu, não estava matando ninguém, não estava estuprando ninguém, não estava roubando ninguém e só queria se divertir, mas mesmo assim tiveram que fugir dos homens da lei, afinal, se divertir é contra a lei, pelo menos foi o que aprendi nesse sábado.
No momento em que encontro o grupo a polícia nos encontra. E pra variar. Quem é o perseguido da vez?
Eu. Um rapaz de sorte. Eu tenho tanta sorte, mas tanta sorte que eles nem me revistam. Só me batem. Me batem e depois dizem: “Eu já mandei você correr. Corre caralho”.
Chego no bar perto de casa. E adivinhe quem chega depois que eu? Ninguém mais ninguém menos do que os meus funcionários, aqueles pelos quais trabalho todo o mês para que me dêem segurança e ao invés disso me batem.
Felizmente, no bar eles não me encontram.
E aí fica por isso. O resultado parcial do que você e eu, cidadãos, pagamos pode ser visto abaixo.
A propósito: infelizmente não pude anotar o nome do meu empregado, para que eu desconte isso no final do mês. Mas anotei a placa do veículo. Será que adianta? Bem. Aí vai: ASA-4058.