quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Olhos

Ele a dominava. Ela simplesmente consentia, entregando-se com toda sua generosidade. Permitia que ele fizesse tudo que quisesse, mesmo que, na realidade nem a tocasse. O ato sexual ocorria apenas através do olhar.

Ele a devorava por meio da visão. Aquela imagem que chegava até sua retina e era transmitida pelo nervo óptico fazia com que, ao chegar ao cérebro, ele imaginasse situações em que ambos estariam de olhos fechados.

Ela percebeu. Era de certa forma recorrente aquela situação. Fingia não ver e às vezes até fazia poses para que o imaginário masculino fosse cada vez mais longe. Deixava com que olhassem, vissem, observassem, degustassem.

Ele queria ali mesmo beijá-la ferozmente. Arrancar sua roupa e domá-la com muita sede ao órgão. Com tanta vontade quanto um casal que depois de muito tempo volta a colocar seus corpos em encontro. Mas nada sai do imaginário, onde ficaria por muito tempo.

Aparentemente distraída até então, e após dominar aqueles olhos famintos, ela olha para ele com expressão de desprezo e vai embora.

Ele derrama uma lágrima. O gozo de quem come com os olhos.
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