terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Vazio

Encho o peito de fumaça para ver se o vazio passa.

Passam-se segundos e jogo tudo para o alto. Não adiantou.

Com os olhos acompanho a fumaça até que ela se dissipe.

Quando ela não mais existe, tento de novo. Puxo fundo. Sinto a garganta arder.

Tento prender algo dentro de mim, mas não consigo. 

Ela também fuma. Ela também não pensa em nada. Ela também não fala. Ela também limita seus movimentos. Ela também é uma lacuna.

Tudo o que nos resta é ar, que tentamos, em vão, sujar.

Somos dois recipientes vazios e sem tampa.

Tudo o que éramos está simbolizado por um pedaço de látex amarrado e jogado num canto.

Não há desilusão. Não há tensão. Não há tesão. Não há alegria. Não há anseio. Não há vontade. Não há verdade. Não há mentira. Não há pira. Não há ira. Não há rancor. Não há dor. Não há cor. Não amor. Não há. Ná. n

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