quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Ceda à Sede

Aquele jeito formal me enlouquecia. Delicadeza sem excesso. Educação sem ar superior. Inteligência para conversar sobre multiplicidades. Simpatia em cada palavra e sorriso sempre presente.

Infelizmente, apresenta a mesma sagacidade que me conquista para se esquivar de minhas investidas. Mas hoje vai. Hoje tem que ceder. Hoje é o dia da noite inesquecível.

O pior é que insiste em falar no compromisso. Já estão juntos há anos. Já está mais do que na hora de cair na rotina e o amor decair. Está no momento de ter vontade e curiosidade por outros corpos. O meu, por exemplo.

Todo assunto faz com que comente sobre o namoro. Mas por certo ponto de vista isso é bom, pela semelhança ou pela oposição, há uma comparação. Pode pensar em mim como uma alternativa ou reafirmação.

Para que tudo dê certo tenho um plano infalível e uma arma perfeita: bebida. Muita bebida para esquecer quem está em casa e lembrar só do que vê pela frente. Somente eu.

Não é possível que muito álcool não deixe tudo suce. Suscetível.

Depois de muita cana jogo uma indireta e se não funcionar vou direto. Digo que quero transar. Que sempre quis. Que quero agora. Que pago tudo. Que chupo tudo.

Vou assim mesmo, com o pé nas costas. E se ainda assim recusar, agarro de forma inescapável. Depois já era. É um pulo para a cama.

É impossível a formalidade resistir à embriaguez do beijo.

Mas está demorando. Como bebe. Como custa chegar ao momento do ataque. Eu, que bebo bastante, já começo a falar enrolado. Olho de maneira insinuante, mas parece que a embriaguez impede que perceba. Parece distração, mas quero ver pensar em outra coisa na cama. Quero ver pensar naquela maldição de cônjuge.

Enquanto isso, bebe vai. Pede mais uma. Vamos conversando. Vamos fumando. Não ligo para o seu bafo de cigarro. Isso não é nada frente à sua perfeição. Perfeição que eu vou despir, vou pegar, vou esfregar, vou lamber e depois colocar esse seu caralho para pulsar dentro da minha aconchegante buceta.
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