quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O meu sofá

Ela disse que era Qboa, mas eu sei. Era porra.

Sei até de quem era. Vizinho filho da puta. Já tinha percebido a troca de olhares e o jeito que ela falava com ele. Cadela. Ela não fala desse jeito com qualquer um. Não é simpática, nem um pouco. Nem com quem conhece ela conversa desse jeito.

E o pior é que o cara é gente fina, o filho da puta. Eu que o chamei para almoçar aqui em casa naquele dia. Naquele maldito dia em que se conheceram.

“É Qboa amor”. Por que teria Qboa ali? Na sala? Longe da lavanderia. Qboa de cu é rola, literalmente. Aquele cara que parecia meu amigo gozou no meu sofá. O sofá que paguei caro, que escolhemos sorridentes. Agora o branco do nosso sorriso se tornou o branco viscoso ao lado do qual sento para jantar.

Será que ela realmente espera que eu acredite? Justamente no dia em que ela não foi trabalhar por causa de uma suposta gripe aparece essa porra dessa mancha (ou seria essa mancha de porra?).

Toda vez que olhar pro sofá vou imaginá-los trepando. Posso até visualizar ele tirando o caralho veiudo da boceta da minha mulher e deixando cair porra no meu sofá.

Preciso fazer alguma coisa, mas o quê? Questioná-la, dizendo que sei o que aconteceu? E se ela assumir e me abandonar? E se ela me abandonar e for morar ao lado da minha casa? O que minha família vai dizer? O que eu vou dizer para minha família?

E se eu não disser nada? Vão continuar transando em cima do meu sofá?

Taquei fogo no sofá.
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