sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Tudo igual

Não adianta, desde a primeira séria, melhor, desde o pré, volta às aulas é sempre igual. Agora, no final do ensino superior pude perceber: é tudo igual. Sempre a mesma coisa. Quase todo mundo muda de visual, a maioria, principalmente as garotas, estão bronzeadas. Mesmo sendo bronzeadas com o sol de Guaratuba, ou Matinhos, onde também pegaram bicho de pé, micose, e etc, o bronze carrega um glamour. Que dali um mês irá desaparecer, e vai voltar a ser tudo igual.
Os fanfarrões continuam fanfarrões, as gostosas continuam gostosas, os bobos continuam bobos, e os vagabundos continuam vagabundos.
A suposta alegria em ver os professores é memorável. O abraço entre professor e aluno é uma cena linda de se ver. Mas se pudessem, um viveria sem o outro por 50 anos sem sentir falta.
Todos falam igual tagarela. Há suas exceções, os quietinhos não falam, afinal, os quietinhos e comportadinhos continuarão do mesmo jeito. Mas, a grande maioria fala pra caralho.
Só há um grupo que sem exceção não fala porra nenhuma. O grupo mais divertido. O grupo que também é sempre igual. Mudam as pessoas, mudam os rostos, mas o grupo, e seu comportamento, continuam o mesmo. Os calouros.
Por mais que esteja todo mundo sorrindo e falando, os calouros estão com cara de paisagem. E esta paisagem é daquelas bem vagas, e com poucas expressões. Há um ar de medo naquela paisagem. Como podem fazer mal, os veteranos, aqueles seres tão sorridentes e simpáticos. Os veteranos são assim só com os próprios veteranos. Com os calouros há um sorriso sádico, um sorriso de quem diz “vou te fuder no trote”. Depois do temível e divertido trote, temível para os calouros e divertido pros veteranos, a cara de paisagem medonha desaparece. Aí sim, aparecem os fanfarrões, biscates, nerds, malas e afins, e deixam de serem seres homogêneos e sem personalidade. E no próximo ano, os calouros serão do mesmo jeito de novo. Todos são assim. Mas eu tenho certeza de que eu não era.
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