quinta-feira, 10 de abril de 2008

Ô tristeza

São poucas as coisas no mundo do futebol que podem me deixar triste. Afinal, torço para dois clubes, que são os melhores do mundo, ou melhor, do Brasil (que é maior que o mundo). O fato de torcer para dois clubes me traz a garantia de que se um perder ao menos o outro me dará a alegria da vitória. Mas há sim uma coisa que me deixa triste, futebolísticamente falando.
Nesses muitos anos que “acompanho” o futebol paranaense vi muitos jogadores incríveis sendo revelados pelos times daqui, ou então vieram para cá acabados e brilharam vestindo as camisas do Atlético, o furacão, do Coxa, o glorioso, e do Paraná, o Paraná (piada do Fábio Silvestre).
Eis o que me deixa triste: a ida destes craques ao futebol do eixo Rio-São Paulo (mais de São Paulo do que para o Rio). É deprimente ver times que não conseguem revelar jogadores e apenas estendem seus tentáculos para puxar ao máximo jogadores do nosso estado. É muito grande a minha tristeza em ver que muitos dos jogadores dos “grandes clubes” estão jogando muita bola e deveriam estar brilhando aqui, no nosso campeonato paranaense, que sequer aparece no noticiário nacional.
Os exemplos são diversos. Um caso símbolo é do lendário Adriano Gabiru, que fez o gol do título mundial pelo Inter em 2006 em cima do poderoso Barcelona. Um parêntese: o Inter não se trata de um dos clubes-tentáculo a que me refiro, mas sim um clube prejudicado tal qual os times do PR. Não há nem comentários ao caso de Alexandre Pato.
Adriano, ao lado de Kleber (sim, é Kleber, não “Kleber Pereira”) formava uma bela dupla de ataque no Furacão. Pelo Atlético, Adriano conquistou três títulos estaduais (2000, 2001 e 2002) e o título mais importante do Clube, o Brasileiro de 2001.
Mas e o Kleber, o que anda fazendo? Bem, o Kleber, está no Santos, onde é chamado de Kleber Pereira, e é um dos responsáveis pelo peixe ter saído da zona de rebaixamento e chegar próximo à zona de classificação do campeonato paulista. Kleber é o artilheiro do campeonato, com 13 gols. Importante lembrar que em 2001 ele foi artilheiro do paranaense.
O número de jogadores revelados pelos clubes paranaenses e que hoje dão alegria para os times do eixo são muitos, e provavelmente eu esqueça ou desconheça alguns. Em resumo:
Pelo Palmeiras: Henrique e o artilheiro do clube Alex Mineiro (Coritiba e Atlético, respectivamente).
Pelo Santos: Kleber “Pereira”. (Atlético).
Pelo Corinthians: Finazzi e Lima. (Atlético).
Pelo Fluminense: o coração valente Washington, que pelo Atlético teve sérios problemas de saúde e depois se tornou o maior artilheiro da história do campeonato brasileiro.
Pelo Botafogo: Alessandro (Atlético) e Lúcio Flávio (Paraná e Coritiba).
Pelo Flamengo: Kléberson (Atlético).
Mas o desgraçado que mais se beneficia das revelações paranaenses é o São Paulo (tenho um ódio natural pelo São Paulo), que tem em seu elenco o ex-coxa, Miranda, e o trio de atacantes Dagoberto, Aloísio e a “nova” sensação Borges (os dois primeiros do Atlético e o último do Paraná).
E o pior: se os jogadores “decepcionam” nos clubes do eixo, eles retornam para os clubes daqui, onde emplacam de novo e voltam ao eixo ou ao exterior.
E pior ainda: O campeonato paulista é considerado (ou ao menos colocado) como o melhor e o mais competitivo campeonato, mas o que seria desse se não fosse os nossos jogadores?
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