segunda-feira, 7 de abril de 2008

Segunda-feira

A luz acende e a penumbra se esconde. Um vulto se aproxima e põe uma caneca ao lado da cama. Demora pouco e me acostumo à luz. Ouço as mulheres comentando, “que horas ele chegou?”, “umas duas horas”, “xiiiiiiiiiii” a voz exclama e se aproxima. Com um tom opressor me pergunta: “Por que deixou o carro de ré? Por que bateu e deixou pra trás pra não aparecer né?”. Tento responder, percebo que a minha voz está enrolada e a boca completamente seca. Com certo esforço consigo responder: “claro que não jacu! Por que a parte traseira é mais alta que a parte da frente. Assim não amassa as flores”. Nossa, que vontade de tomar água, ou um refrigerante. Parece que ela ouve o meu pensamento e me provoca: “tome café”. Tentando manter a farsa de que não estou com ressaca (não que eu estivesse), sou obrigado a tomar o café. Só consigo encostar na boca e aquilo queima feito lava. “Ih, só deu uma bicadinha”, ela diz e sai.
Fico mais um tempo na cama. Sob a desculpa de que vou lavar o rosto vou ao banheiro e consigo tomar água, o que possibilita que eu tome o café. Demoro a conseguir levantar. Termino o café quando já está frio.
Tomo banho e saio de casa, atrasado de novo. Mas a culpa não é da cerveja, me atraso quase todos os dias. Já que vou me atrasar de qualquer forma é melhor beber. A duas quadras cruzo meu amigo, meu parceiro de atraso. Dou uma carona e mudo de caminho, mas na prática não muda nada. Na nossa conversa fazemos o balanço do final de semana e o planejamento do próximo. No balanço percebo que não sou tão louco quanto pensava minutos atrás. Depois que ele vai embora fico pensando no planejamento, mas antes dos dois dias de descanso e curtição têm no meio cinco dias de trabalho, cansaço e compromissos.
Honestamente ainda me sinto no final de semana. Não estou pronto para uma paulada de cinco horas de trabalho, assim repentinamente. Acho que o trabalho não devia ser assim, devia ser de forma gradual. Começava com uma hora na segunda-feira, duas horas na terça e assim até as cinco horas de sexta.
Depois de alguns pensamentos chego ao trabalho. Subo e dou “hoje não” no companheiro de trabalho. Depois de bater comprimento ele e os outros amigos. Vou pro meu núcleo. Deixo minha mala. Sento no computador.
Agora sim. Agora é segunda-feira. Agora começou a semana.
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