sexta-feira, 25 de abril de 2008

A hora

Muitos foram pro buraco por sua causa.
Não fosse ele todos iriam apodrecer frente à família.
O braço forte de tanto carregar caixão.
Calo na mão como todo trabalhador.
Já era acostumado à dor.
Calado como todos que passavam pelo ambiente de trabalho.
A solidão natural por trabalhar com sólidos.
Terra, pá, concreto e sentimentos eram os seus principais instrumentos.
O resto era tudo decomposto,os instrumentos estavam sempre expostos.
Quando dizia a profissão qualquer pessoa ficava pasma.
Várias vezes confundido com fantasma.
Trabalho à noite era sempre parado.
Correr atrás de ladrão já estava cansado.
Tinha que botar pra fora jovens que faziam ritual e até parar sexo de casal.
Familiares e amigos também já viu partir.
Protagonista no momento em que ninguém desejava.
Quando chegou a sua vez, nada de lápide, homenagem ou flores.
Pra sentir as dores, só mulher, filho e o amigo pedreiro.
Assim foi a morte de Antônio Coveiro.
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