Quando eu andava parecia que todo mundo me olhava, quando passava as pessoas até me apontavam e falavam “olha lá o cara que fez o gol”. Mas toda a bajulação foi embora em menos de uma semana. Mas o que importa é que um dia eu fui o cara, o bam, bam,bam, o XXX na escola.
Eu estudava no segundo ano do segundo grau e tava rolando um campeonato de futebol lá no colégio. O primeiro jogo foi bem disputado, jogamos com uma outra turma do segundo ano. Entrei no segundo tempo. O jogo terminou 0 x 0 e fomos para os pênaltis.
Eu não queria bater, seria muita responsabilidade se eu errasse, o meu time seria eliminado no primeiro jogo. E os pênaltis foram indo “lá e cá”. Ninguém errava. Mas na penúltima cobrança do time dos caras o melhor jogador deles inexplicavelmente errou. Se o nosso time fizesse o gol nós passávamos. No nosso time tinha sobrado só dois jogadores: eu e o Hélisson, o melhor jogador do time. Nos olhamos e ele falou para eu cobrar.
Fiquei um pouco mais confiante quando ele me deu essa responsabilidade. Acho que na verdade ele queria cobrar por último, por que imaginava que eu iria errar. Quando coloquei a bola no lugar pude ouvir alguns companheiros de time falando pro Hélisson: “Vai você piá. Tá loco? Deixar o fogo cobrar...”.
Me bateu uma incerteza. Será que eu metia o bicão pra colocar a bola e o goleiro pra dentro do gol? Com o peito do pé? Ou com a chapa? Fiquei com medo de bater forte e jogar a bola longe do gol e quebrar uma janela do Colégio (nunca fiz isso, mas era muito comum por lá). Resolvi bater colocada no canto do goleiro. São poucos os que conseguem pegar uma bola no cantinho inferior.
E esse não foi exceção. Fiz o gol e o colégio veio abaixo. Todos comemoraram meu gol. Vibraram. O meu time e uma grande parte das pessoas que assistiam ao jogo vieram comemorar comigo. Eu tinha um certo nível de popularidade na escola.
No outro dia de aula cheguei e todo mundo sorria pra mim. Eu estava com um bom status com o time e com a escola inteira. Na minha sala era o herói. Fui o responsável por levar meu time à próxima fase (pelo menos eles achavam isso), o que não era esperado. Batemos um bom time e honestamente o nosso time não era lá aquelas coisas. A próxima partida seria no outro dia.
Novamente entrei no segundo tempo. Nosso time já levava uma sacola. O jogo era contra um time do terceiro ano, que contava com uns caras bons. O goleiro lançou para o jogador que estava atrás de mim. Eu não consegui cabecear para cortar o lançamento. Se ele pegasse a bola seria gol. Sem pensar muito meti a mão na bola e...expulsão.
Todos me julgaram e condenaram pela derrota. Não entendi. Não tive culpa. O time já perdia antes d’eu ser expulso e não iria ganhar se eu continuasse em campo. Na real, também não fui o responsável pela vitória anterior. Só fiz o gol como os meus companheiros que tinham cobrado anteriormente. Mas sempre tem que ter um responsável.
E os meus dias de glória passaram.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
terça-feira, 4 de agosto de 2009
A coceira
Fernando saía todos os dias de manhã para trabalhar e deixava Janaina em casa. Voltava à noite e ela estava lá com o jantar aguardando. Todo dia ela fazia tudo igual, o sacudia às seis horas da manhã, lhe sorria um sorriso pontual...(enfim, vocês conhecem a música né?).
O trabalho era intenso, mas não lhe faltava tempo para pensar na mulher. Quando podia ia almoçar em casa, mas eram raras vezes. A ligação para Janaína era sagrada depois do almoço e antes de voltar à labuta.
Certa vez trabalhando sentiu uma coceira incômoda na testa. Não passava de jeito nenhum. Passou praticamente a tarde inteira trabalhando apenas com o braço direito, enquanto o esquerdo estava ocupado com a testa. Naquela noite ao chegar em casa encontrou um fio de cabelo loiro no cangote de Janaína. Estranhou, mas nada falou. Detalhe importante: ele tinha cabelo castanho e ela era ruiva.
A semana passou normalmente. Na outra terça-feira a coceira tornou, desta vez de manhã. Na hora do almoço ligou para casa e Janaína não atendeu.
Os fatos se repetiram durante muito tempo. Toda terça a coiceira na testa vinha acompanhada de um fato incomum no lar. Concluiu: Janaína o traia.
Continuou silenciando sobre o assunto. Para ele era cômodo continuar a relação mesmo com a traição.
A coceira continuava. Já estava acostumado com acornice coceira. Mesmo continuando o incômodo era menor. Ia reduzindo. Já nem era mais aquela coceira impertinente de antes. Chegou a ficar feliz pelo fato de achar que ela o traia com apenas uma pessoa, dadas as reduções do chifre infortúnio.
A coceira já estava praticamente parando. Mas um fato novo o deixou deveras preocupado. Subiu um frio pela espinha e não conseguiu trabalhar mais naquele dia. O fato era realmente preocupante, o que o levou a ficar possesso: naquela terça sentiu uma coceira no ânus.
O trabalho era intenso, mas não lhe faltava tempo para pensar na mulher. Quando podia ia almoçar em casa, mas eram raras vezes. A ligação para Janaína era sagrada depois do almoço e antes de voltar à labuta.
Certa vez trabalhando sentiu uma coceira incômoda na testa. Não passava de jeito nenhum. Passou praticamente a tarde inteira trabalhando apenas com o braço direito, enquanto o esquerdo estava ocupado com a testa. Naquela noite ao chegar em casa encontrou um fio de cabelo loiro no cangote de Janaína. Estranhou, mas nada falou. Detalhe importante: ele tinha cabelo castanho e ela era ruiva.
A semana passou normalmente. Na outra terça-feira a coceira tornou, desta vez de manhã. Na hora do almoço ligou para casa e Janaína não atendeu.
Os fatos se repetiram durante muito tempo. Toda terça a coiceira na testa vinha acompanhada de um fato incomum no lar. Concluiu: Janaína o traia.
Continuou silenciando sobre o assunto. Para ele era cômodo continuar a relação mesmo com a traição.
A coceira continuava. Já estava acostumado com a
A coceira já estava praticamente parando. Mas um fato novo o deixou deveras preocupado. Subiu um frio pela espinha e não conseguiu trabalhar mais naquele dia. O fato era realmente preocupante, o que o levou a ficar possesso: naquela terça sentiu uma coceira no ânus.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Abrem-se as cortinas
Após preparação, ensaios, aquecimento, conversas, brigas, estudo, quando acendem as luzes e abrem-se as cortinas está tudo na mão dos atores.
O diretor, o principal responsável pela peça, tem que se segurar, rezar, agoniar, rir, chorar, espernear, mas fazer tudo longe do palco. O sucesso ou o fracasso irá recair sobre as suas costas, a pessoa que não pode influir no decorrer do espetáculo.
Se quiserem os atores podem zoar o quanto quiserem. Podem sacanear uns com os outros, podem fazer piadas, felizes ou infelizes, em meio ao texto (botar cacos). Qualquer deslize do diretor pode ser vingado durante a peça.
O medo está presente em todos. O branco assombra. Ao olhar aquela platéia, a parcela que a luz forte possibilita enxergar, não há quem não sinta as pernas tremerem. Os olhares atentos direcionados ao palco têm poder estremecedor. E tudo está nas mãos dos atores.
Aquele olhar, abraço e beijo antes da peça pode ser decisivo. O que pode evitar um vexame é a confiança. A fala sincera “confio em você” faz com que tudo ocorra bem, tanto no teatro quanto no futebol.
Obs: Texto criado após Cuca ser derrubado pelos próprios jogadores do Flamengo, após o atacante Dentinho mostrar uma camisa escrita “100% Lulinha” na rodada do campeonato brasileiro desta noite, e depois de eu assistir à mini-série Som e Fúria (nesta ordem).
O diretor, o principal responsável pela peça, tem que se segurar, rezar, agoniar, rir, chorar, espernear, mas fazer tudo longe do palco. O sucesso ou o fracasso irá recair sobre as suas costas, a pessoa que não pode influir no decorrer do espetáculo.
Se quiserem os atores podem zoar o quanto quiserem. Podem sacanear uns com os outros, podem fazer piadas, felizes ou infelizes, em meio ao texto (botar cacos). Qualquer deslize do diretor pode ser vingado durante a peça.
O medo está presente em todos. O branco assombra. Ao olhar aquela platéia, a parcela que a luz forte possibilita enxergar, não há quem não sinta as pernas tremerem. Os olhares atentos direcionados ao palco têm poder estremecedor. E tudo está nas mãos dos atores.
Aquele olhar, abraço e beijo antes da peça pode ser decisivo. O que pode evitar um vexame é a confiança. A fala sincera “confio em você” faz com que tudo ocorra bem, tanto no teatro quanto no futebol.
Obs: Texto criado após Cuca ser derrubado pelos próprios jogadores do Flamengo, após o atacante Dentinho mostrar uma camisa escrita “100% Lulinha” na rodada do campeonato brasileiro desta noite, e depois de eu assistir à mini-série Som e Fúria (nesta ordem).
terça-feira, 7 de julho de 2009
Decisão errônea
A decisão foi tomada à contra gosto de João, e principalmente de Madalena. Mas não tinha jeito, ela teria que usar.
O consenso surgiu após uma das milhares de discussões depois que João voltou de viagem. Ele era caminhoneiro e passava a maior parte do tempo viajando. Ao chegar de suas excursões encasquetava que Madalena estava o traindo. Dona de casa, Madalena dificilmente saía do lar e passava a maior parte do tempo fazendo seus crochês, bordados e tricôs, tendo como únicos companheiros a TV e o rádio. Era uma mulher que dificilmente alguém desconfiaria, exceto João. Lena jurava de pés juntos que não traia, mas para João ela não era convincente.
Apesar de invocar com Lena, João a chifrava à exaustão durante suas viagens. O peito peludo e o braço esquerdo bronzeado eram mais um dos milhares que podiam ser vistos nas casas de luz vermelha. Aquela regata apertada que deixava transparecer sua forma física e o boné que parecia flutuar na cabeça eram reconhecidos e saudados pelos gerentes nas casas de mulheres da vida. Enquanto isso Lena se ocupava com os afazeres domésticos e a sua novelinha.
Para encerrar de vez mais aquela discussão Lena falou da boca pra fora: “João, pára de me encher hôme. Se precisá eu uso até um cinto de castidade quando você for viajar”. E ele aceitou a proposta. Esse foi o resultado daquela D.R., que prometia ser a última.
Sabe-se lá como, mas João conseguiu o cinto, em pleno séc. XXI. Era de couro, com cadeados nas extremidades. A colocação foi constrangedora para ambos. Mas era necessário (pelo menos na cabeça de João). Assim ele não ficaria com a pulga atrás da orelha quando viajava e Lena não iria ter que agüentar a desconfiança.
João a abraçou, beijou e pegou a estrada. Ao entrar no caminhão fez a sua oração, beijou o crucifixo e a imagem de São Cristóvão.
Ele que deixava algum dinheiro na beira das estradas naquela viagem nada fez. Foi uma das únicas vezes que voltou para casa sem visitar as suas meninas (suas e de milhares de caminhoneiros). A consciência pesou. Não era justo trair enquanto a coitada da Madalena estava com aquele incômodo objeto. Dormiu todas as noites agarrado à foto do casamento.
Madalena encarou com naturalidade. A novela e o crochê continuavam os mesmos. Mas lá pela terceira semana bateu a revolta. Como podia ela, mulher fiel, se submeter a tal desconfiança? Tomou coragem, e muita, mas traiu João pela primeira vez.
Sorte do chaveiro.
O consenso surgiu após uma das milhares de discussões depois que João voltou de viagem. Ele era caminhoneiro e passava a maior parte do tempo viajando. Ao chegar de suas excursões encasquetava que Madalena estava o traindo. Dona de casa, Madalena dificilmente saía do lar e passava a maior parte do tempo fazendo seus crochês, bordados e tricôs, tendo como únicos companheiros a TV e o rádio. Era uma mulher que dificilmente alguém desconfiaria, exceto João. Lena jurava de pés juntos que não traia, mas para João ela não era convincente.
Apesar de invocar com Lena, João a chifrava à exaustão durante suas viagens. O peito peludo e o braço esquerdo bronzeado eram mais um dos milhares que podiam ser vistos nas casas de luz vermelha. Aquela regata apertada que deixava transparecer sua forma física e o boné que parecia flutuar na cabeça eram reconhecidos e saudados pelos gerentes nas casas de mulheres da vida. Enquanto isso Lena se ocupava com os afazeres domésticos e a sua novelinha.
Para encerrar de vez mais aquela discussão Lena falou da boca pra fora: “João, pára de me encher hôme. Se precisá eu uso até um cinto de castidade quando você for viajar”. E ele aceitou a proposta. Esse foi o resultado daquela D.R., que prometia ser a última.
Sabe-se lá como, mas João conseguiu o cinto, em pleno séc. XXI. Era de couro, com cadeados nas extremidades. A colocação foi constrangedora para ambos. Mas era necessário (pelo menos na cabeça de João). Assim ele não ficaria com a pulga atrás da orelha quando viajava e Lena não iria ter que agüentar a desconfiança.
João a abraçou, beijou e pegou a estrada. Ao entrar no caminhão fez a sua oração, beijou o crucifixo e a imagem de São Cristóvão.
Ele que deixava algum dinheiro na beira das estradas naquela viagem nada fez. Foi uma das únicas vezes que voltou para casa sem visitar as suas meninas (suas e de milhares de caminhoneiros). A consciência pesou. Não era justo trair enquanto a coitada da Madalena estava com aquele incômodo objeto. Dormiu todas as noites agarrado à foto do casamento.
Madalena encarou com naturalidade. A novela e o crochê continuavam os mesmos. Mas lá pela terceira semana bateu a revolta. Como podia ela, mulher fiel, se submeter a tal desconfiança? Tomou coragem, e muita, mas traiu João pela primeira vez.
Sorte do chaveiro.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
4 unidades
Sacou o cartão telefônico para ligar para a namorada. 4 unidades. Discou. A moça atende e ele ouve música alta ao fundo.
- Oi amor.
- Hã?
- Oi amor tudo bem?
- TUDO BEM E VOCÊ?
- Aonde você tá?
- Hã? Não to te ouvindo direito.
- Aonde...você...está?
- Então amor, tô aqui no bar da facu com a Lu e o pessoal da sala.
- Então tá bom.
- Amanhã a gente se fala tá? Beijotchau.
Ela nem deixa ele se despedir e desliga. “Ah Filha da ****. 'tô aqui no bar da facu com a Lu e o pessoal da sala'. O trouxa aqui achando que a gente ia sair hoje e ela lá, 'com a Lu e o pessoal da sala’. Tá fu****”.
Ele olha para o fone e verifica se ainda está em condições de uso depois da violência com que colocou no gancho. Está.
Enraivecido ele fica com a cabeça baixa dentro do orelhão maquinando a vingança. Na escuridão do orelhão ele encontra o túnel no fim da luz. “Kero sexo 9611-XXXX”.
As pernas tremem. 2 unidades. Ele liga.
- Alô.
- Quem fala.
- Angélica.
- Oi Angélica. Vi seu telefone em um orelhão dizendo que você queria sexo. É verdade?
- Vai tomá ** ** seu ***** ** ****. Vai arrumar o que fazer seu ********.
“Merda”. Tira o cartão rápido, mas não evita que o telefone faça aquele barulho que avisa que o cartão foi esquecido. O barulho o enraivece ainda mais. Senta no meio-fio e pensa. Pensa. Pensa. Pensa.
“Tô aqui no bar da facu com a Lu e o pessoal da sala”, a frase ecoa na cabeça.
Levanta. Olha o orelhão e pega um cartão que ali estava:
- Oi amor.
- Hã?
- Oi amor tudo bem?
- TUDO BEM E VOCÊ?
- Aonde você tá?
- Hã? Não to te ouvindo direito.
- Aonde...você...está?
- Então amor, tô aqui no bar da facu com a Lu e o pessoal da sala.
- Então tá bom.
- Amanhã a gente se fala tá? Beijotchau.
Ela nem deixa ele se despedir e desliga. “Ah Filha da ****. 'tô aqui no bar da facu com a Lu e o pessoal da sala'. O trouxa aqui achando que a gente ia sair hoje e ela lá, 'com a Lu e o pessoal da sala’. Tá fu****”.
Ele olha para o fone e verifica se ainda está em condições de uso depois da violência com que colocou no gancho. Está.
Enraivecido ele fica com a cabeça baixa dentro do orelhão maquinando a vingança. Na escuridão do orelhão ele encontra o túnel no fim da luz. “Kero sexo 9611-XXXX”.
As pernas tremem. 2 unidades. Ele liga.
- Alô.
- Quem fala.
- Angélica.
- Oi Angélica. Vi seu telefone em um orelhão dizendo que você queria sexo. É verdade?
- Vai tomá ** ** seu ***** ** ****. Vai arrumar o que fazer seu ********.
“Merda”. Tira o cartão rápido, mas não evita que o telefone faça aquele barulho que avisa que o cartão foi esquecido. O barulho o enraivece ainda mais. Senta no meio-fio e pensa. Pensa. Pensa. Pensa.
“Tô aqui no bar da facu com a Lu e o pessoal da sala”, a frase ecoa na cabeça.
Levanta. Olha o orelhão e pega um cartão que ali estava:
Greycy
Loira Sensual
Alta e magra
Completinha
Local próprio e central
0800-XXXX
Ele se pergunta “o que seria uma garota completinha? Será que indica que ela tem cabeça, corpo e membros?”.
Resolve conferir. Antes de conferir o quão completa a garota era ele dá uma espiada na carteira. 10 reais.
“É...10 reais e uma unidade”.
- Alô.
- Daê mano, beleza?
- Beleza e você?
- Beleza.
- Tá em casa?
- Tô.
- Vamo tomá uma bera?
- Partiu.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
"Isso nunca aconteceu comigo antes"
- Isso nunca aconteceu comigo antes.
Disse ele morrendo de vergonha. Ela tenta ser compreensiva:
- Calma, vamos tentar de novo.
Ele tenta e nada. Passa daqui, aperta dali e não funciona. Ele estava cansado e a esta altura queria ir logo embora.
- Mas e agora que eu já usei os serviços?
- Calma. A gente dá um jeito. Vamos tentar de novo.
Mais uma falha. Ela tenta aconselhar:
- Acontece com todo mundo. Aqui tem acontecido direto.
- É culpa da minha mulher, que fica gastando dinheiro à toa e não sobra pra pagar as contas. Isso vem tirando meu sono.
Responde ele impaciente enquanto ela o olha com certo ar irônico. Ele continua falando:
- Calma. Eu vou te pagar de alguma forma.
Ficam alguns instantes em silêncio olhando um para o outro.
- Paga no crédito então já que no débito não tá passando.
Disse ele morrendo de vergonha. Ela tenta ser compreensiva:
- Calma, vamos tentar de novo.
Ele tenta e nada. Passa daqui, aperta dali e não funciona. Ele estava cansado e a esta altura queria ir logo embora.
- Mas e agora que eu já usei os serviços?
- Calma. A gente dá um jeito. Vamos tentar de novo.
Mais uma falha. Ela tenta aconselhar:
- Acontece com todo mundo. Aqui tem acontecido direto.
- É culpa da minha mulher, que fica gastando dinheiro à toa e não sobra pra pagar as contas. Isso vem tirando meu sono.
Responde ele impaciente enquanto ela o olha com certo ar irônico. Ele continua falando:
- Calma. Eu vou te pagar de alguma forma.
Ficam alguns instantes em silêncio olhando um para o outro.
- Paga no crédito então já que no débito não tá passando.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
O ritual
Era sagrado, apesar de a religião passar longe dali. O ritual começava todas as sextas às 19h. Depois do trabalho eles estavam a postos no mesmo lugar, nas mesmas posições que há 30 anos. A mesma mesa, as mesmas cadeiras (com exceção da de Carlinhos, que teve que ser trocada devido aos quilinhos que ele ganhou com o tempo. No encontro 437 a cadeira quebrou), mesma posição, mesmos assuntos, as mesmas caras. Alguns cabelos caíram, outros embranqueceram. Alguns engordaram (a maioria), outros emagreceram. Muita coisa mudou, mas a amizade continuava a mesma e tornava-se cada vez mais intensa a cada reunião.
Ninguém podia sentar no lugar deles. O seu Laurindo (“graaande seu Laurindo”) não deixava que ninguém se assentasse lá no primeiro dia do final de semana. Só faltava interditar o local para que ninguém se aproximasse. E no primeiro suspiro do final de semana lá estavam eles: os oito amigos que freqüentavam o mesmo bar na faculdade e se encontravam toda semana desde então.
Exceto o Brandão, que sempre chegava atrasado, todos estavam lá no mesmo bat-horário, no mesmo bat-local. Chuva, gripe, trabalho, estudo, filhos, família, frio, carro estragado, nada era desculpa para não estarem lá. O Compromisso era inadiável. Certa vez o Falcão deixou de ir ao velório da própria mãe para ir à reunião.
O bar era um local sagrado. O seu Laurindo (“graaande seu Laurindo”) já tinha pensado em fechar devido à dificuldade financeira, mas os amigos emprestaram dinheiro a ele apenas para não fechar. Houve um período em que só abria na sexta, e não foram raras às vezes em que estavam apenas os nove no recinto (os amigos e o seu Laurindo (“graaande seu Laurindo”)).
Carlinhos senta-se na ponta esquerda, na direita o polenta (sem relação alguma com suas posições ideológicas). Para sair sem incomodar ninguém nas milhares de vezes que ia ao banheiro o Gordo senta no primeiro lugar da esquerda para a direita no lado da mesa que fica de costas para o bar. Ao seu lado ficam Elvis (que tem esse apelido por ser fã do cantor) e Brandão. De costas para a parede ficam Tito, Alfredo e Falcão, que ficava de costa para a parede para poder ver todas as meninas do ambiente, que eram várias quando começaram a freqüentar o local.
Em uma das noites Polenta conheceu a sua primeira esposa com que teve três filhos. Agora eram todos casados e não iam mais lá para olhar as meninas. Estavam todos comprometidos e nem as meninas nem a visão eram as mesmas.
Logo ao sentarem faziam um balanço semanal. Contavam o que aconteceu em casa e no trabalho. Comentavam o futebol, faziam piadas, recomendavam livros e filmes. Discutiam política. E sempre terminavam a jornada da mesma maneira, já motivados pela birita surgia o tom de nostalgia e relembravam os velhos tempos.
Era sempre igual. A mesma coisa. Por 30 anos o mesmo ritual. A mesma cerimônia. A mesma conversa. O mesmo destino. Todas sabiam, mas mesmo assim não tinha nenhuma das oito mulheres que não torcia o nariz quando eles falavam “vou para o bar com os meus amigos”.
Ninguém podia sentar no lugar deles. O seu Laurindo (“graaande seu Laurindo”) não deixava que ninguém se assentasse lá no primeiro dia do final de semana. Só faltava interditar o local para que ninguém se aproximasse. E no primeiro suspiro do final de semana lá estavam eles: os oito amigos que freqüentavam o mesmo bar na faculdade e se encontravam toda semana desde então.
Exceto o Brandão, que sempre chegava atrasado, todos estavam lá no mesmo bat-horário, no mesmo bat-local. Chuva, gripe, trabalho, estudo, filhos, família, frio, carro estragado, nada era desculpa para não estarem lá. O Compromisso era inadiável. Certa vez o Falcão deixou de ir ao velório da própria mãe para ir à reunião.
O bar era um local sagrado. O seu Laurindo (“graaande seu Laurindo”) já tinha pensado em fechar devido à dificuldade financeira, mas os amigos emprestaram dinheiro a ele apenas para não fechar. Houve um período em que só abria na sexta, e não foram raras às vezes em que estavam apenas os nove no recinto (os amigos e o seu Laurindo (“graaande seu Laurindo”)).
Carlinhos senta-se na ponta esquerda, na direita o polenta (sem relação alguma com suas posições ideológicas). Para sair sem incomodar ninguém nas milhares de vezes que ia ao banheiro o Gordo senta no primeiro lugar da esquerda para a direita no lado da mesa que fica de costas para o bar. Ao seu lado ficam Elvis (que tem esse apelido por ser fã do cantor) e Brandão. De costas para a parede ficam Tito, Alfredo e Falcão, que ficava de costa para a parede para poder ver todas as meninas do ambiente, que eram várias quando começaram a freqüentar o local.
Em uma das noites Polenta conheceu a sua primeira esposa com que teve três filhos. Agora eram todos casados e não iam mais lá para olhar as meninas. Estavam todos comprometidos e nem as meninas nem a visão eram as mesmas.
Logo ao sentarem faziam um balanço semanal. Contavam o que aconteceu em casa e no trabalho. Comentavam o futebol, faziam piadas, recomendavam livros e filmes. Discutiam política. E sempre terminavam a jornada da mesma maneira, já motivados pela birita surgia o tom de nostalgia e relembravam os velhos tempos.
Era sempre igual. A mesma coisa. Por 30 anos o mesmo ritual. A mesma cerimônia. A mesma conversa. O mesmo destino. Todas sabiam, mas mesmo assim não tinha nenhuma das oito mulheres que não torcia o nariz quando eles falavam “vou para o bar com os meus amigos”.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Graça, sentimento e cérebro
por Verônica Medeiros*
A vida é mesmo muito engraçada. É interessante perceber como os caminhos do coração tomam rumos inimagináveis e incompreensíveis. Mais curiosa ainda é a relação homem-mulher. Animais racionais que se tornam completamente irracionais quando o assunto é amor/paixão/obsessão.
Qual é a dificuldade de um amor ser seguro e intenso do primeiro beijo até o primeiro ano de namoro? O problema é a carência crônica da mulher e a paciência limitada do homem. Tpm, que TORMENTO pré-menstrual é esse? Que é capaz de mexer com uma mulher a ponto de levá-la do céu ao inferno em segundos, de fazê-la chorar ou se conformar detonando uma barra de chocolate, de ser a melhor saída para aquele momento ‘trágico’ e, logo depois, sentir-se uma gorda-ansiosa-compulsiva por causa daquele mesmo chocolate. Os homens fazem parte do time inteligente da relação. Racionais versus passionais. Entendem que a tpm é uma ‘fase’ chata e que complica a vida de todas as mulheres – das mais seguras até as mais neuróticas -, mas não conseguem suportar as reclamações clichês de “você não me dá atenção”, “você ainda me ama?”, que surgem nessa mesma fase chata da vida da mulher.
Complicado tentar entender as cabeças desses seres tão diferentes, mas tão interligados. Livros que pontuam exatamente o que homens e mulheres pensam não estão com nada. Todas as mulheres são inteligentes o suficiente para discernir o certo do errado, o triste do feliz, o bom do ruim. Todos os homens conseguem distinguir a louca da ciumenta, a obcecada da apaixonada, a certa da errada e, principalmente, que todas as mulheres, no fundo, são iguais. Existem as descaradas, as discretas, as solteiras, as comprometidas, as que já fizeram, as que ainda vão fazer, as que não repetem os mesmos erros, as que aprendem, as que não aprendem. No fundo, toda mulher é, simplesmente, mulher.
Por isso, acreditar que fulana nunca faria isso ou aquilo, porque parece ser uma ‘boa’ menina, é lenda. Mesmo as ‘boas, inocentes e ingênuas’ meninas são capazes de cometer erros e loucuras quando se apaixonam. Todas, absolutamente todas as mulheres sabem como e o que fazer para conquistar ou desvirtuar o caminho de um homem.
A vida é, realmente, muito engraçada. Os relacionamentos, então, uma grande piada.
*Verônica Medeiros é jornalista e amiguinha buni do dono deste blog.
A vida é mesmo muito engraçada. É interessante perceber como os caminhos do coração tomam rumos inimagináveis e incompreensíveis. Mais curiosa ainda é a relação homem-mulher. Animais racionais que se tornam completamente irracionais quando o assunto é amor/paixão/obsessão.
Qual é a dificuldade de um amor ser seguro e intenso do primeiro beijo até o primeiro ano de namoro? O problema é a carência crônica da mulher e a paciência limitada do homem. Tpm, que TORMENTO pré-menstrual é esse? Que é capaz de mexer com uma mulher a ponto de levá-la do céu ao inferno em segundos, de fazê-la chorar ou se conformar detonando uma barra de chocolate, de ser a melhor saída para aquele momento ‘trágico’ e, logo depois, sentir-se uma gorda-ansiosa-compulsiva por causa daquele mesmo chocolate. Os homens fazem parte do time inteligente da relação. Racionais versus passionais. Entendem que a tpm é uma ‘fase’ chata e que complica a vida de todas as mulheres – das mais seguras até as mais neuróticas -, mas não conseguem suportar as reclamações clichês de “você não me dá atenção”, “você ainda me ama?”, que surgem nessa mesma fase chata da vida da mulher.
Complicado tentar entender as cabeças desses seres tão diferentes, mas tão interligados. Livros que pontuam exatamente o que homens e mulheres pensam não estão com nada. Todas as mulheres são inteligentes o suficiente para discernir o certo do errado, o triste do feliz, o bom do ruim. Todos os homens conseguem distinguir a louca da ciumenta, a obcecada da apaixonada, a certa da errada e, principalmente, que todas as mulheres, no fundo, são iguais. Existem as descaradas, as discretas, as solteiras, as comprometidas, as que já fizeram, as que ainda vão fazer, as que não repetem os mesmos erros, as que aprendem, as que não aprendem. No fundo, toda mulher é, simplesmente, mulher.
Por isso, acreditar que fulana nunca faria isso ou aquilo, porque parece ser uma ‘boa’ menina, é lenda. Mesmo as ‘boas, inocentes e ingênuas’ meninas são capazes de cometer erros e loucuras quando se apaixonam. Todas, absolutamente todas as mulheres sabem como e o que fazer para conquistar ou desvirtuar o caminho de um homem.
A vida é, realmente, muito engraçada. Os relacionamentos, então, uma grande piada.
*Verônica Medeiros é jornalista e amiguinha buni do dono deste blog.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Mas... (final alternativo)
Ele não sabe se arrisca ou deixa para a próxima vez.
Mas e se não tiver próxima vez? Melhor arriscar.
Mas e se tomar um tapa na cara? Melhor não arriscar.
Mas e se ela não estiver tão bêbada no próximo encontro e perceber a grande burrada que cometeu? Melhor arriscar.
Mas e se ela estiver afim de algo mais sério e ele jogar fora as chances? Melhor não arriscar.
Mas...ah, que mulher aceita dormir na casa do homem e não vai querer nada? Melhor arriscar.
Mas ela se fez tanto de difícil até agora. Melhor não arriscar.
A dúvida povoa sua cabeça, ou melhor, suas cabeças. Ele não sabe com qual delas pensar. A vontade de arriscar a aproximação é grande, levando-se em consideração o tempo em que estava na seca. Se conseguisse seria maravilhoso. Ele queria e até certo ponto precisava daquilo. Seria a conclusão do ato a que ele se dispôs quando decidiu conversar com ela. Foi a primeira coisa que pensou quando a viu dançando. Aquele quadril balançando na pista, mesmo entre muitos outros foi o daquela moça que o chamou mais a atenção. E agora o seu sonho de consumo (ao menos naquela noite) estava ali, só ele, há poucos palmos de distância. Mas...
Por outro lado, percebeu que ela não era apenas um sonho de consumo noturno. Aquela menina era especial. Ela era realmente interessante, não só fisicamente. Ela era inteligente. Era simpática. Seria até um pecado usá-la daquele jeito. Ela não era daquelas para uma noite e nada mais. Valia a pena um investimento. E uma tentativa falha poderia jogar por água abaixo tudo o que poderia acontecer no futuro. Mas...
Mas ele resolveu seguir a filosofia que vinha seguindo nos últimos meses: a filosofia do foda-se. Influenciado pelo álcool ele decide arriscar. Arriscar não, conseguir. Estava realmente decidido.
Ele se aproxima e a abraça. Ela se aconchega em seus braços, isso serve de grande estímulo. Ele segue em frente seu plano. Dá um beijo atrás da orelha. Ela dá um sorriso safado. O aval foi cedido. Mão por baixo da blusa. Barriguinha. Seios. Faz uma longa prévia até que resolve colocar a mão por dentro das calças. Seguindo o caminho indicado pelos pêlos que partiam do umbigo chegou aos pêlos pubianos. Devarinho. Quando estava quase chegando lá a voz que até então era delicada se torna grossa e exclama:
- Tira a mão daê rapá.
Mas e se não tiver próxima vez? Melhor arriscar.
Mas e se tomar um tapa na cara? Melhor não arriscar.
Mas e se ela não estiver tão bêbada no próximo encontro e perceber a grande burrada que cometeu? Melhor arriscar.
Mas e se ela estiver afim de algo mais sério e ele jogar fora as chances? Melhor não arriscar.
Mas...ah, que mulher aceita dormir na casa do homem e não vai querer nada? Melhor arriscar.
Mas ela se fez tanto de difícil até agora. Melhor não arriscar.
A dúvida povoa sua cabeça, ou melhor, suas cabeças. Ele não sabe com qual delas pensar. A vontade de arriscar a aproximação é grande, levando-se em consideração o tempo em que estava na seca. Se conseguisse seria maravilhoso. Ele queria e até certo ponto precisava daquilo. Seria a conclusão do ato a que ele se dispôs quando decidiu conversar com ela. Foi a primeira coisa que pensou quando a viu dançando. Aquele quadril balançando na pista, mesmo entre muitos outros foi o daquela moça que o chamou mais a atenção. E agora o seu sonho de consumo (ao menos naquela noite) estava ali, só ele, há poucos palmos de distância. Mas...
Por outro lado, percebeu que ela não era apenas um sonho de consumo noturno. Aquela menina era especial. Ela era realmente interessante, não só fisicamente. Ela era inteligente. Era simpática. Seria até um pecado usá-la daquele jeito. Ela não era daquelas para uma noite e nada mais. Valia a pena um investimento. E uma tentativa falha poderia jogar por água abaixo tudo o que poderia acontecer no futuro. Mas...
Mas ele resolveu seguir a filosofia que vinha seguindo nos últimos meses: a filosofia do foda-se. Influenciado pelo álcool ele decide arriscar. Arriscar não, conseguir. Estava realmente decidido.
Ele se aproxima e a abraça. Ela se aconchega em seus braços, isso serve de grande estímulo. Ele segue em frente seu plano. Dá um beijo atrás da orelha. Ela dá um sorriso safado. O aval foi cedido. Mão por baixo da blusa. Barriguinha. Seios. Faz uma longa prévia até que resolve colocar a mão por dentro das calças. Seguindo o caminho indicado pelos pêlos que partiam do umbigo chegou aos pêlos pubianos. Devarinho. Quando estava quase chegando lá a voz que até então era delicada se torna grossa e exclama:
- Tira a mão daê rapá.
Mas... (versão original*)
Ele não sabe se arrisca ou deixa para a próxima vez.
Mas e se não tiver próxima vez? Melhor arriscar.
Mas e se tomar um tapa na cara? Melhor não arriscar.
Mas e se ela não estiver tão bêbada no próximo encontro e perceber a grande burrada que cometeu? Melhor arriscar.
Mas e se ela estiver afim de algo mais sério e ele jogar fora as chances? Melhor não arriscar.
Mas...ah, que mulher aceita dormir na casa do homem e não vai querer nada? Melhor arriscar.
Mas ela se fez tanto de difícil até agora. Melhor não arriscar.
A dúvida povoa sua cabeça, ou melhor, suas cabeças. Ele não sabe com qual delas pensar. A vontade de arriscar a aproximação é grande, levando-se em consideração o tempo em que estava na seca. Se conseguisse seria maravilhoso. Ele queria e até certo ponto precisava daquilo. Seria a conclusão do ato a que se dispôs quando decidiu conversar com ela. Foi a primeira coisa que pensou quando a viu dançando. Aquele quadril balançando na pista, mesmo entre muitos outros foi o daquela moça que o chamou mais a atenção. E agora o seu sonho de consumo (ao menos naquela noite) estava ali, só ele, há poucos palmos de distância. Mas...
Por outro lado, percebeu que ela não era apenas um sonho de consumo noturno. Aquela menina era especial. Ela era realmente interessante, não só fisicamente. Ela era inteligente. Era simpática. Seria até um pecado usá-la daquele jeito. Ela não era daquelas para uma noite e nada mais. Valia a pena um investimento. E uma tentativa falha poderia jogar por água abaixo tudo o que poderia acontecer no futuro. Mas...
Mas..., mas..., mas..., qualquer pensamento terminava com um “mas”. Ele precisava decidir antes que amanhecesse e tivesse que ir trabalhar.
Ele pensa, pensa, pensa, pensa, pensa e...cai no sono.
* Amanhã será publicada outra versão do texto, com final diferente.
Mas e se não tiver próxima vez? Melhor arriscar.
Mas e se tomar um tapa na cara? Melhor não arriscar.
Mas e se ela não estiver tão bêbada no próximo encontro e perceber a grande burrada que cometeu? Melhor arriscar.
Mas e se ela estiver afim de algo mais sério e ele jogar fora as chances? Melhor não arriscar.
Mas...ah, que mulher aceita dormir na casa do homem e não vai querer nada? Melhor arriscar.
Mas ela se fez tanto de difícil até agora. Melhor não arriscar.
A dúvida povoa sua cabeça, ou melhor, suas cabeças. Ele não sabe com qual delas pensar. A vontade de arriscar a aproximação é grande, levando-se em consideração o tempo em que estava na seca. Se conseguisse seria maravilhoso. Ele queria e até certo ponto precisava daquilo. Seria a conclusão do ato a que se dispôs quando decidiu conversar com ela. Foi a primeira coisa que pensou quando a viu dançando. Aquele quadril balançando na pista, mesmo entre muitos outros foi o daquela moça que o chamou mais a atenção. E agora o seu sonho de consumo (ao menos naquela noite) estava ali, só ele, há poucos palmos de distância. Mas...
Por outro lado, percebeu que ela não era apenas um sonho de consumo noturno. Aquela menina era especial. Ela era realmente interessante, não só fisicamente. Ela era inteligente. Era simpática. Seria até um pecado usá-la daquele jeito. Ela não era daquelas para uma noite e nada mais. Valia a pena um investimento. E uma tentativa falha poderia jogar por água abaixo tudo o que poderia acontecer no futuro. Mas...
Mas..., mas..., mas..., qualquer pensamento terminava com um “mas”. Ele precisava decidir antes que amanhecesse e tivesse que ir trabalhar.
Ele pensa, pensa, pensa, pensa, pensa e...cai no sono.
* Amanhã será publicada outra versão do texto, com final diferente.
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