terça-feira, 4 de agosto de 2009

A coceira

Fernando saía todos os dias de manhã para trabalhar e deixava Janaina em casa. Voltava à noite e ela estava lá com o jantar aguardando. Todo dia ela fazia tudo igual, o sacudia às seis horas da manhã, lhe sorria um sorriso pontual...(enfim, vocês conhecem a música né?).
O trabalho era intenso, mas não lhe faltava tempo para pensar na mulher. Quando podia ia almoçar em casa, mas eram raras vezes. A ligação para Janaína era sagrada depois do almoço e antes de voltar à labuta.
Certa vez trabalhando sentiu uma coceira incômoda na testa. Não passava de jeito nenhum. Passou praticamente a tarde inteira trabalhando apenas com o braço direito, enquanto o esquerdo estava ocupado com a testa. Naquela noite ao chegar em casa encontrou um fio de cabelo loiro no cangote de Janaína. Estranhou, mas nada falou. Detalhe importante: ele tinha cabelo castanho e ela era ruiva.
A semana passou normalmente. Na outra terça-feira a coceira tornou, desta vez de manhã. Na hora do almoço ligou para casa e Janaína não atendeu.
Os fatos se repetiram durante muito tempo. Toda terça a coiceira na testa vinha acompanhada de um fato incomum no lar. Concluiu: Janaína o traia.
Continuou silenciando sobre o assunto. Para ele era cômodo continuar a relação mesmo com a traição.
A coceira continuava. Já estava acostumado com a cornice coceira. Mesmo continuando o incômodo era menor. Ia reduzindo. Já nem era mais aquela coceira impertinente de antes. Chegou a ficar feliz pelo fato de achar que ela o traia com apenas uma pessoa, dadas as reduções do chifre infortúnio.
A coceira já estava praticamente parando. Mas um fato novo o deixou deveras preocupado. Subiu um frio pela espinha e não conseguiu trabalhar mais naquele dia. O fato era realmente preocupante, o que o levou a ficar possesso: naquela terça sentiu uma coceira no ânus.
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