Eram adolescentes que achavam ser adultos e tinham um coração de criança. Amavam-se do amor mais puro.
Em pleno fervor da adolescência, sedentos pela carne, ainda assim preferiam o amor.
Sem segundas intenções beijavam e abraçavam-se com freqüência. Conversavam pessoalmente, por e-mail, chat, SMS e todas as plataformas disponíveis. O assunto era inesgotável.
Na escola sentavam lado a lado. Por conversarem demais os professores eram obrigados a pedir que ficassem quietos. Para garantir que a aula ocorresse bem, alguns professores colocavam um em cada extremo da sala antes mesmo da aula começar.
Quanto mais juntos ficavam, mais juntos queriam estar. Até a distância os aproximava.
Embora ela quisesse namorar, ele tinha a consciência de que iria estragar aquele amor. A amava tanto que não queria machucá-la. Desde jovem já sabia que os homens sempre machucam as mulheres.
Coube a outro homem machucá-la.
terça-feira, 5 de março de 2013
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Um amor para recordar
Nunca vou esquecer aquela noite.
Estávamos com uma vontade excessiva. Não sei se pelo que tomamos, pelo tempo que não transávamos ou pela animação natural que se tem em fazer sexo.
Nunca vou esquecer o jeito que ela subia e descia. Além do tato, invocava o prazer pela visão. Me dava ainda mais tesão observar aquele corpo e o desejo era completo quando ela me olhava nos olhos.
Enquanto seus seios siliconados pareciam não se mover, seu piercing não parava. De sua cintura fina seu corpo alargava-se para o quadril até chegar a suas grossas coxas, que se contraiam quando ela subia até quase tirar a cabeça. Soltando o peso do corpo ela ia rapidamente do topo à base do meu pênis.
A empolgação extrema durou até o momento em que ela subiu demais, desencaixou, sentou em cima e quebrou o meu pau.
Que noite inesquecível.
Estávamos com uma vontade excessiva. Não sei se pelo que tomamos, pelo tempo que não transávamos ou pela animação natural que se tem em fazer sexo.
Nunca vou esquecer o jeito que ela subia e descia. Além do tato, invocava o prazer pela visão. Me dava ainda mais tesão observar aquele corpo e o desejo era completo quando ela me olhava nos olhos.
Enquanto seus seios siliconados pareciam não se mover, seu piercing não parava. De sua cintura fina seu corpo alargava-se para o quadril até chegar a suas grossas coxas, que se contraiam quando ela subia até quase tirar a cabeça. Soltando o peso do corpo ela ia rapidamente do topo à base do meu pênis.
A empolgação extrema durou até o momento em que ela subiu demais, desencaixou, sentou em cima e quebrou o meu pau.
Que noite inesquecível.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Gato perdido
Perdi meu gato na última semana de dezembro. Estou desesperado!
Ele atende pelo nome de “Gato”. Na tarde em que ele se perdeu mandei que fosse comprar cigarro para nós (um Malboro Light para mim e um Vermelho para ele). Gato é totalmente preto e no dia em que sumiu trajava apenas botas.
Apesar de saber se cuidar muito bem estou muito preocupado com o Gato, afinal, de suas sete vidas ele contabilizava apenas uma no dia de seu sumiço. Além do mais, ele levou meu cartão de crédito.
É comum encontrá-lo pelos bares da região do hemisfério Sul acompanhado de meia-dúzia de gatos pingados que costumam falar alto quando estão miando de bêbados.
Gostaria muito de colocar uma foto dele aqui, mas ele sempre foi tímido e nunca deixou que o fotografassem.
No carnaval dizem tê-lo visto pagando uma cerveja para um gringo no Rio de Janeiro.
Se alguém o ver, por favor, me bipa.
COMPARTILHEM!
Ele atende pelo nome de “Gato”. Na tarde em que ele se perdeu mandei que fosse comprar cigarro para nós (um Malboro Light para mim e um Vermelho para ele). Gato é totalmente preto e no dia em que sumiu trajava apenas botas.
Apesar de saber se cuidar muito bem estou muito preocupado com o Gato, afinal, de suas sete vidas ele contabilizava apenas uma no dia de seu sumiço. Além do mais, ele levou meu cartão de crédito.
É comum encontrá-lo pelos bares da região do hemisfério Sul acompanhado de meia-dúzia de gatos pingados que costumam falar alto quando estão miando de bêbados.
Gostaria muito de colocar uma foto dele aqui, mas ele sempre foi tímido e nunca deixou que o fotografassem.
No carnaval dizem tê-lo visto pagando uma cerveja para um gringo no Rio de Janeiro.
Se alguém o ver, por favor, me bipa.
COMPARTILHEM!
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Perfeição limitada
Nunca brigavam, parecia ser o casal perfeito. E era.
Jamais foram vistos discutindo ou brigando. Expressões de alegria e demonstrações de carinho eram percebidos de longe.
A lógica era simples, quando não queriam se ver não se viam. Se um dos dois queria ficar sozinho ou com os amigos era só avisar e estava tudo resolvido. Sem crise.
Não existia obrigação alguma. Às vezes ficavam até um mês sem se ver e nem por isso a paixão diminuía, pelo contrário.
Estavam um ano juntos nesse ritmo. Frequentavam a casa e conheciam a família um do outro. Se falavam todos os dias e jamais houve uma traição. Apesar da aparência não namoravam. Nunca houve um pedido, simplesmente foi rolando.
Ele, com sua obsessão pelo formalismo, a pediu em namoro. A aceitação era inevitável.
Inevitável também foi o sentimento de posse que emergiu em ambos. A alegria se foi.
Tudo que é bom um dia acaba.
Jamais foram vistos discutindo ou brigando. Expressões de alegria e demonstrações de carinho eram percebidos de longe.
A lógica era simples, quando não queriam se ver não se viam. Se um dos dois queria ficar sozinho ou com os amigos era só avisar e estava tudo resolvido. Sem crise.
Não existia obrigação alguma. Às vezes ficavam até um mês sem se ver e nem por isso a paixão diminuía, pelo contrário.
Estavam um ano juntos nesse ritmo. Frequentavam a casa e conheciam a família um do outro. Se falavam todos os dias e jamais houve uma traição. Apesar da aparência não namoravam. Nunca houve um pedido, simplesmente foi rolando.
Ele, com sua obsessão pelo formalismo, a pediu em namoro. A aceitação era inevitável.
Inevitável também foi o sentimento de posse que emergiu em ambos. A alegria se foi.
Tudo que é bom um dia acaba.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
O Doce, por Fernando Mendes
Hoje descobri um novo doce. Por meio de Guylherme Custódio, um amigo em comum entre nós, se não é ainda vai ser, me emprestou um livro (Literatura, pão e poesia. Sérgio Vaz) de um escritor paulistano não por natureza. Guylherme também é escritor, curitibano por natureza. Aliás, me apego muito com seus textos.
Jornalista, escritor e um bom “amante” da vida, se é que me entende. De vez em quando a gente até ama a vida juntos, leitor assíduo de tudo que as letras tornam palavras, também não tinha como ser diferente, né?
Nunca fui muito de ler. De vez em quando leio a Tribuna do Paraná, leio algumas noticias de meu time do coração e às vezes o horóscopo, pra ver se meu signo bate com o dela. Ah já ia me esquecendo das triboladas.
Com o livro que me emprestou e acabei de ler a pouco, achei a poesia que estava procurando, ou não estava, mas achei. Ou ela me achou, sei lá. Uma poesia que fala minha língua, que é o meu mundo, é o que escuto e vejo nas ruas. Rua por onde passo a maioria dos meus dias, trabalhando e muitas vezes não. Na verdade a maioria das vezes não, né Guylherme Custódio? Daqui pra frente chamarei o Guylherme por seu apelido (Fogo). Prefiro assim, é mais bonitinho.
Esse livro tem uma linguagem fácil de ser absorvida por quem nunca lê ou vive em lugares onde a cultura não tem tão fácil acesso. Isso foi o que percebi. Um livro de 184 páginas com histórias de lutas, dores, justiças e injustiças. De pobres, frágeis, de pais e de mães, de escritores, de rapeers e de leitores. Pessoas simples e simples pessoas.
A partir de textos do Fogo comecei a tomar gosto pela literatura, isso faz pouco tempo. Lia aqueles textos e pensava: “como não gosto disso, se é tão bom”.
Preguiça, falta de interesse. Não, é da vagabundagem mesmo. Mas vagabundagem também é uma labuta, pensa que é fácil ficar o dia todo procurando não fazer nada?
Como estava dizendo, os contos do Fogo me enchiam de curiosidade, principalmente quando não entendia nada o que ele queria dizer. Uma vez ele me disse que são os leitores que dizem pelo autor, mas isso já é muito para minha cabeça. Cabeça essa que tá cheia, cheia de vontade de aprender. Aprender a escrever, a lhe aprender, a decifrar a cabeça da mulher que é o amor da minha vida. Calma, ai já é pedir demais, outro dia conto mais sobre isso. Esta história não daria só um texto, daria um livro, um livro bem grosso, daquele tipo a Barça, saca?
Um dia o Fogo me contou sobre uma palestra em que um poeta recitava poemas voltados para a periferia, isso mesmo para a periferia! E para todos os periféricos de poesia.
Uma pessoa que fazia o bem com palavras, palavras bonitas, palavras fortes. Palavras carregadas de esperança. Um mineiro que fez a vida na periferia de São Paulo e que a trouxe junto com ele em páginas brancas com tons de vermelho, vermelho do sangue que escorre na zona sul paulistana, vermelho dos olhos cheios de água de quem o lê.
Um poeta que transformou um bar em biblioteca, para que as pessoas da comunidade fiquem cada vez mais embriagadas, que jovens entrem ali e se percam, que senhoras do lar levem seus maridos carregados para casa. Carregados de cultura, que os jovens se percam entre labirintos de letras e que saiam dali embriagados de esperança.
Assim o Fogo quando chega à distri e me conta sobre aquilo me deixa curioso para conhecer tal obra. Depois de alguns dias me emprestou o livro que comprou daquele escritor. Durante um tempo li aquele livro dia sim, três ou quatro não. Mas terminei hoje. Resolvi então escrever aqui para expressar meu contentamento pelo novo doce que experimentei e que quero me alimentar dele até morrer, de diabetes. Obrigado, Guylherme Fogo Custódio.
Jornalista, escritor e um bom “amante” da vida, se é que me entende. De vez em quando a gente até ama a vida juntos, leitor assíduo de tudo que as letras tornam palavras, também não tinha como ser diferente, né?
Nunca fui muito de ler. De vez em quando leio a Tribuna do Paraná, leio algumas noticias de meu time do coração e às vezes o horóscopo, pra ver se meu signo bate com o dela. Ah já ia me esquecendo das triboladas.
Com o livro que me emprestou e acabei de ler a pouco, achei a poesia que estava procurando, ou não estava, mas achei. Ou ela me achou, sei lá. Uma poesia que fala minha língua, que é o meu mundo, é o que escuto e vejo nas ruas. Rua por onde passo a maioria dos meus dias, trabalhando e muitas vezes não. Na verdade a maioria das vezes não, né Guylherme Custódio? Daqui pra frente chamarei o Guylherme por seu apelido (Fogo). Prefiro assim, é mais bonitinho.
Esse livro tem uma linguagem fácil de ser absorvida por quem nunca lê ou vive em lugares onde a cultura não tem tão fácil acesso. Isso foi o que percebi. Um livro de 184 páginas com histórias de lutas, dores, justiças e injustiças. De pobres, frágeis, de pais e de mães, de escritores, de rapeers e de leitores. Pessoas simples e simples pessoas.
A partir de textos do Fogo comecei a tomar gosto pela literatura, isso faz pouco tempo. Lia aqueles textos e pensava: “como não gosto disso, se é tão bom”.
Preguiça, falta de interesse. Não, é da vagabundagem mesmo. Mas vagabundagem também é uma labuta, pensa que é fácil ficar o dia todo procurando não fazer nada?
Como estava dizendo, os contos do Fogo me enchiam de curiosidade, principalmente quando não entendia nada o que ele queria dizer. Uma vez ele me disse que são os leitores que dizem pelo autor, mas isso já é muito para minha cabeça. Cabeça essa que tá cheia, cheia de vontade de aprender. Aprender a escrever, a lhe aprender, a decifrar a cabeça da mulher que é o amor da minha vida. Calma, ai já é pedir demais, outro dia conto mais sobre isso. Esta história não daria só um texto, daria um livro, um livro bem grosso, daquele tipo a Barça, saca?
Um dia o Fogo me contou sobre uma palestra em que um poeta recitava poemas voltados para a periferia, isso mesmo para a periferia! E para todos os periféricos de poesia.
Uma pessoa que fazia o bem com palavras, palavras bonitas, palavras fortes. Palavras carregadas de esperança. Um mineiro que fez a vida na periferia de São Paulo e que a trouxe junto com ele em páginas brancas com tons de vermelho, vermelho do sangue que escorre na zona sul paulistana, vermelho dos olhos cheios de água de quem o lê.
Um poeta que transformou um bar em biblioteca, para que as pessoas da comunidade fiquem cada vez mais embriagadas, que jovens entrem ali e se percam, que senhoras do lar levem seus maridos carregados para casa. Carregados de cultura, que os jovens se percam entre labirintos de letras e que saiam dali embriagados de esperança.
Assim o Fogo quando chega à distri e me conta sobre aquilo me deixa curioso para conhecer tal obra. Depois de alguns dias me emprestou o livro que comprou daquele escritor. Durante um tempo li aquele livro dia sim, três ou quatro não. Mas terminei hoje. Resolvi então escrever aqui para expressar meu contentamento pelo novo doce que experimentei e que quero me alimentar dele até morrer, de diabetes. Obrigado, Guylherme Fogo Custódio.
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Fernando Mendes (o Feio) é São Brazense, Coxa-Branca, tem 26 anos e gosta das triboladas.
Fernando Mendes (o Feio) é São Brazense, Coxa-Branca, tem 26 anos e gosta das triboladas.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Um estranho ninho
Sua simples presença era um evento. Quando passavam por ele cutucavam-se e o apontavam com os olhos e o nariz. As crianças puxavam a barra do vestido ou da calça de seus responsáveis para saber o que aquele rapaz fazia ali.
O olhavam como se fosse de outro mundo, mas estava em outro mundo apenas temporariamente. Ele não se importava com o que acontecia ao seu redor.
Estava tão concentrado que não olhava para os outros e nem para si. Não percebia sua própria aparência. Cabelo desgrenhado, bermuda, chinelo e uma camisa ex-branca. Era uma afronta estar trajado daquela forma em um local com pessoas vestidas casualmente embonecadas.
Não bastava estar daquele jeito. Ele ainda tinha um livro. Deveria estar na praça em frente ao shopping, no espaço público que abriga aqueles que não tem espaço privado. Não podia estar ali, no meio do templo do consumo sem nada consumir. E lendo.
“Tem um rapaz lendo na praça de alimentação”. Em instantes o boato correu o shopping inteiro. Até pessoas de fora entravam para ver aquilo. Em pleno dia de jogo e ele ali, com um livro.
E era um livro de verdade, sem tela. De papel como aqueles de antigamente.
Após uma hora a novidade já esfriava. Alguns já se conformavam. “É um louco”.
Ele então se espreguiça e coloca uma mão em cada bolso. De um retira um cigarro e do outro um isqueiro. Acende e antes de dar o primeiro trago surge um segurança.
Com tantos olhos e celulares em volta o segurança, com esforço, é obrigado a usar a educação. Pede que apague aquilo e em voz alta o questiona:
- Você não viu o aviso bem na sua frente?
A resposta faz com que todos suspirem aliviados.
- Desculpa senhor. Não sei ler.
O olhavam como se fosse de outro mundo, mas estava em outro mundo apenas temporariamente. Ele não se importava com o que acontecia ao seu redor.
Estava tão concentrado que não olhava para os outros e nem para si. Não percebia sua própria aparência. Cabelo desgrenhado, bermuda, chinelo e uma camisa ex-branca. Era uma afronta estar trajado daquela forma em um local com pessoas vestidas casualmente embonecadas.
Não bastava estar daquele jeito. Ele ainda tinha um livro. Deveria estar na praça em frente ao shopping, no espaço público que abriga aqueles que não tem espaço privado. Não podia estar ali, no meio do templo do consumo sem nada consumir. E lendo.
“Tem um rapaz lendo na praça de alimentação”. Em instantes o boato correu o shopping inteiro. Até pessoas de fora entravam para ver aquilo. Em pleno dia de jogo e ele ali, com um livro.
E era um livro de verdade, sem tela. De papel como aqueles de antigamente.
Após uma hora a novidade já esfriava. Alguns já se conformavam. “É um louco”.
Ele então se espreguiça e coloca uma mão em cada bolso. De um retira um cigarro e do outro um isqueiro. Acende e antes de dar o primeiro trago surge um segurança.
Com tantos olhos e celulares em volta o segurança, com esforço, é obrigado a usar a educação. Pede que apague aquilo e em voz alta o questiona:
- Você não viu o aviso bem na sua frente?
A resposta faz com que todos suspirem aliviados.
- Desculpa senhor. Não sei ler.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Sinceridade feminina
Camila era despojada, espontânea, risonha e sincera. Gostava de conversar, gritar e falar palavrão. Era vaidosa e vestia com requinte seu corpo magro, bronzeado e de estatura mediana. Assim como seus dedos, seus lábios eram finos. Tinha seios naturais que cabiam em uma mão. Camila era também conhecida por outra característica: dava para qualquer um.
Camila gostava de transar e achava homem chato demais para namorar, por isso queria apenas a parte que importava. Como a maioria dos homens podia lhe dar o que queria então podia ser qualquer um.
Se pudesse Camila faria sexo todo dia e, se aguentasse, o dia inteiro. Não dava para dois ao mesmo tempo, mas se houvesse oportunidade daria para mais de um no mesmo dia.
Não era necessário galantear, conversar, levar para jantar, flertar. Não precisava nem dizer o nome. Bastava um “vamos transar” e pronto.
Sabia que outras mulheres queriam ser como ela. Não ligava para o que falavam e falava por si mesma. Repetia quantas vezes fosse preciso que dava para quem quisesse comê-la.
Mas tinha seus critérios e deixava bem claro que se não gostasse pararia tudo, se vestia e ia embora. Se isso ocorresse, Camila contaria para todo mundo o baixo desempenho do cidadão.
Esse fato afastava os homens que pudessem se aproximar pelo sexo. Tinham receio e até medo de ter seu desempenho sexual divulgado.
Camila morreu virgem.
Camila gostava de transar e achava homem chato demais para namorar, por isso queria apenas a parte que importava. Como a maioria dos homens podia lhe dar o que queria então podia ser qualquer um.
Se pudesse Camila faria sexo todo dia e, se aguentasse, o dia inteiro. Não dava para dois ao mesmo tempo, mas se houvesse oportunidade daria para mais de um no mesmo dia.
Não era necessário galantear, conversar, levar para jantar, flertar. Não precisava nem dizer o nome. Bastava um “vamos transar” e pronto.
Sabia que outras mulheres queriam ser como ela. Não ligava para o que falavam e falava por si mesma. Repetia quantas vezes fosse preciso que dava para quem quisesse comê-la.
Mas tinha seus critérios e deixava bem claro que se não gostasse pararia tudo, se vestia e ia embora. Se isso ocorresse, Camila contaria para todo mundo o baixo desempenho do cidadão.
Esse fato afastava os homens que pudessem se aproximar pelo sexo. Tinham receio e até medo de ter seu desempenho sexual divulgado.
Camila morreu virgem.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Ora bola
Éramos seis naquela mesa de bar. Três casais, três damas, três senhores e apenas quatro testículos.
Não sei como chegamos àquele que se tornou o ponto alto da prosa, mas o fato é que dos senhores ali presentes eu era o único a possuir dois testículos. Os outros dois carregavam um cada um. Fiquei até feliz pelo encontro. Qual seria a possibilidade daquilo acontecer? Uma mesa com três homens dos quais dois tinham apenas um testículo?
Um dos rapazes leva a história numa boa e a revela sem maiores problemas, o que lhe rende muitos apelidos na firma, como “monobola” por exemplo. O outro não conta sua intimidade habitualmente e quando decidiu expor o vazio de seu saco escrotal encontrou um semelhante.
Imaginei que fosse de nascença quando fizeram aquela declaração, mas não. Um dos dois rapazes acordou um dia qualquer e lá estava uma bola de sinuca onde deveria ter uma de gude. Deve ser daí a expressão “acordar de ovo virado”.
Passado um dia foi em busca de médicos, dos quais os cinco primeiros disseram ser um câncer. O sexto apontou uma inflamação no testículo, fazendo o diagnóstico correto, diferentemente dos outros cornos (Corno é um dos piores xingamentos para um homem. Veja mais em “Ligações”).
Me impressionei tanto com a história do homem de um testículo só que não prestei muita atenção na história da bola do outro homem. Como não se faz omelete sem se quebrar alguns ovos foi necessária a remoção de uma das bolas em campo.
Mesmo com um jogador a menos eles são pessoas comuns: tem ereção normalmente e podem ter filhos. Um deles até encara longas maratonas sexuais, de acordo com sua senhora, o que demonstra que não faz falta alguma.
Apesar da normalidade, quando levantaram fiquei observando se andavam meio pensos para um dos lados, o que não se confirmou. Depois imaginei se eles têm algum tipo de benefício como lugares preferenciais para estacionar. Se houvesse como seria a placa indicativa?
Penso que deve ser meio diferente esteticamente. Por que no verão, por exemplo, aquela parte em questão já fica meio feia. Imaginena copa com apenas um peso.
Confesso que fiquei curioso. Mas nesse caso é melhor manter a curiosidade do que pedir para ver.
OBS: Hey, um de vocês dois, se estiverem lendo isso me contem uma coisa: depois de tirar o médico deixou vocês verem o lance?
Respondam anonimamente nos comentários.
Não sei como chegamos àquele que se tornou o ponto alto da prosa, mas o fato é que dos senhores ali presentes eu era o único a possuir dois testículos. Os outros dois carregavam um cada um. Fiquei até feliz pelo encontro. Qual seria a possibilidade daquilo acontecer? Uma mesa com três homens dos quais dois tinham apenas um testículo?
Um dos rapazes leva a história numa boa e a revela sem maiores problemas, o que lhe rende muitos apelidos na firma, como “monobola” por exemplo. O outro não conta sua intimidade habitualmente e quando decidiu expor o vazio de seu saco escrotal encontrou um semelhante.
Imaginei que fosse de nascença quando fizeram aquela declaração, mas não. Um dos dois rapazes acordou um dia qualquer e lá estava uma bola de sinuca onde deveria ter uma de gude. Deve ser daí a expressão “acordar de ovo virado”.
Passado um dia foi em busca de médicos, dos quais os cinco primeiros disseram ser um câncer. O sexto apontou uma inflamação no testículo, fazendo o diagnóstico correto, diferentemente dos outros cornos (Corno é um dos piores xingamentos para um homem. Veja mais em “Ligações”).
Me impressionei tanto com a história do homem de um testículo só que não prestei muita atenção na história da bola do outro homem. Como não se faz omelete sem se quebrar alguns ovos foi necessária a remoção de uma das bolas em campo.
Mesmo com um jogador a menos eles são pessoas comuns: tem ereção normalmente e podem ter filhos. Um deles até encara longas maratonas sexuais, de acordo com sua senhora, o que demonstra que não faz falta alguma.
Apesar da normalidade, quando levantaram fiquei observando se andavam meio pensos para um dos lados, o que não se confirmou. Depois imaginei se eles têm algum tipo de benefício como lugares preferenciais para estacionar. Se houvesse como seria a placa indicativa?
Penso que deve ser meio diferente esteticamente. Por que no verão, por exemplo, aquela parte em questão já fica meio feia. Imagine
Confesso que fiquei curioso. Mas nesse caso é melhor manter a curiosidade do que pedir para ver.
OBS: Hey, um de vocês dois, se estiverem lendo isso me contem uma coisa: depois de tirar o médico deixou vocês verem o lance?
Respondam anonimamente nos comentários.
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Tenha 15 com corpinho de 25. Pergunte-me como.
Sou um menino. Não passo de um simples menino de 25 anos que ainda age como tivesse 15.
Vivo sem motivações ou ambições.
Em escala maior, continuo fumando e bebendo. Não preciso comprar o cigarro mais barato e nem me esconder no meio do mato para fumar. Já sanei minha curiosidade pelo vinho, mas continuo bebendo (a mesma marca inclusive).
A diferença é que preciso pagar do meu bolso esse cigarro e esse vinho. Na verdade costumo marcar na conta, mas às vezes a véia me olha com cara de mau, aí sou obrigado a pagar.
Para ter esse dinheiro bato cartão em um dos muitos shoppings que habitam a capital ecológica. Quando perguntam o que faço, digo que trabalho “no setor administrativo-financeiro do ramo artístico”, o que se resume à apenas uma palavra: bilheteiro.
Com o que ganho pago mais ou menos o que consumo. Mas acho que se ganhasse mais não ia mudar muita coisa. Ia gastar mais ainda.
Acho que não preciso de muito para ser feliz. As pequenas coisas que me deixavam feliz aos 15 continuam as mesmas: ver o meu time ganhar, por exemplo.
O meu visual continua o mesmo. O cabelo que deixei crescer para tirar onda continua grande e já virou identidade. Dia desses vi uma foto antiga em que estava com uma camisa que ainda uso. E serve. Acho que ela cresceu junto comigo.
Como um menino, vivo por aí na rua com outros meninos. Ficamos sem fazer nada, só conversando e tomando coca. Às vezes nos reunimos também para jogar videogame. A tecnologia avançou, mas o ritual e a amizade continuam do mesmo jeito.
Como um menino, escrevo meus pensamentos e mais algumas histórias em um caderno. Depois coloco isso em um caderno virtual e espero que outras pessoas leiam.
Sonho que um dia eu possa colocar os meus pensamentos e histórias num outro tipo de caderno, com o meu nome na capa. Aí quem sabe eu não precise mais bater o cartão.
Que sonho de menino!
Vivo sem motivações ou ambições.
Em escala maior, continuo fumando e bebendo. Não preciso comprar o cigarro mais barato e nem me esconder no meio do mato para fumar. Já sanei minha curiosidade pelo vinho, mas continuo bebendo (a mesma marca inclusive).
A diferença é que preciso pagar do meu bolso esse cigarro e esse vinho. Na verdade costumo marcar na conta, mas às vezes a véia me olha com cara de mau, aí sou obrigado a pagar.
Para ter esse dinheiro bato cartão em um dos muitos shoppings que habitam a capital ecológica. Quando perguntam o que faço, digo que trabalho “no setor administrativo-financeiro do ramo artístico”, o que se resume à apenas uma palavra: bilheteiro.
Com o que ganho pago mais ou menos o que consumo. Mas acho que se ganhasse mais não ia mudar muita coisa. Ia gastar mais ainda.
Acho que não preciso de muito para ser feliz. As pequenas coisas que me deixavam feliz aos 15 continuam as mesmas: ver o meu time ganhar, por exemplo.
O meu visual continua o mesmo. O cabelo que deixei crescer para tirar onda continua grande e já virou identidade. Dia desses vi uma foto antiga em que estava com uma camisa que ainda uso. E serve. Acho que ela cresceu junto comigo.
Como um menino, vivo por aí na rua com outros meninos. Ficamos sem fazer nada, só conversando e tomando coca. Às vezes nos reunimos também para jogar videogame. A tecnologia avançou, mas o ritual e a amizade continuam do mesmo jeito.
Como um menino, escrevo meus pensamentos e mais algumas histórias em um caderno. Depois coloco isso em um caderno virtual e espero que outras pessoas leiam.
Sonho que um dia eu possa colocar os meus pensamentos e histórias num outro tipo de caderno, com o meu nome na capa. Aí quem sabe eu não precise mais bater o cartão.
Que sonho de menino!
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
O meu sofá
Ela disse que era Qboa, mas eu sei. Era porra.
Sei até de quem era. Vizinho filho da puta. Já tinha percebido a troca de olhares e o jeito que ela falava com ele. Cadela. Ela não fala desse jeito com qualquer um. Não é simpática, nem um pouco. Nem com quem conhece ela conversa desse jeito.
E o pior é que o cara é gente fina, o filho da puta. Eu que o chamei para almoçar aqui em casa naquele dia. Naquele maldito dia em que se conheceram.
“É Qboa amor”. Por que teria Qboa ali? Na sala? Longe da lavanderia. Qboa de cu é rola, literalmente. Aquele cara que parecia meu amigo gozou no meu sofá. O sofá que paguei caro, que escolhemos sorridentes. Agora o branco do nosso sorriso se tornou o branco viscoso ao lado do qual sento para jantar.
Será que ela realmente espera que eu acredite? Justamente no dia em que ela não foi trabalhar por causa de uma suposta gripe aparece essa porra dessa mancha (ou seria essa mancha de porra?).
Toda vez que olhar pro sofá vou imaginá-los trepando. Posso até visualizar ele tirando o caralho veiudo da boceta da minha mulher e deixando cair porra no meu sofá.
Preciso fazer alguma coisa, mas o quê? Questioná-la, dizendo que sei o que aconteceu? E se ela assumir e me abandonar? E se ela me abandonar e for morar ao lado da minha casa? O que minha família vai dizer? O que eu vou dizer para minha família?
E se eu não disser nada? Vão continuar transando em cima do meu sofá?
Taquei fogo no sofá.
Sei até de quem era. Vizinho filho da puta. Já tinha percebido a troca de olhares e o jeito que ela falava com ele. Cadela. Ela não fala desse jeito com qualquer um. Não é simpática, nem um pouco. Nem com quem conhece ela conversa desse jeito.
E o pior é que o cara é gente fina, o filho da puta. Eu que o chamei para almoçar aqui em casa naquele dia. Naquele maldito dia em que se conheceram.
“É Qboa amor”. Por que teria Qboa ali? Na sala? Longe da lavanderia. Qboa de cu é rola, literalmente. Aquele cara que parecia meu amigo gozou no meu sofá. O sofá que paguei caro, que escolhemos sorridentes. Agora o branco do nosso sorriso se tornou o branco viscoso ao lado do qual sento para jantar.
Será que ela realmente espera que eu acredite? Justamente no dia em que ela não foi trabalhar por causa de uma suposta gripe aparece essa porra dessa mancha (ou seria essa mancha de porra?).
Toda vez que olhar pro sofá vou imaginá-los trepando. Posso até visualizar ele tirando o caralho veiudo da boceta da minha mulher e deixando cair porra no meu sofá.
Preciso fazer alguma coisa, mas o quê? Questioná-la, dizendo que sei o que aconteceu? E se ela assumir e me abandonar? E se ela me abandonar e for morar ao lado da minha casa? O que minha família vai dizer? O que eu vou dizer para minha família?
E se eu não disser nada? Vão continuar transando em cima do meu sofá?
Taquei fogo no sofá.
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