quinta-feira, 10 de julho de 2014

Diário de Bordo- The End

Você cara leitora (o Datafolha indica que 85% das visitas no Di-Vagá vêm do público feminino) com certeza já passou pela situação de acabar a luz aí no confronto do seu lar, de onde você lê esse glorioso blog. É uma situação meio estranha. Você está lá, tudo bem, assistindo TV e, de repente, puf.

Sem mais nem menos a energia elétrica se vai. Você precisa fazer alguma coisa, mas demora até que tome uma atitude. Mesmo em casa, nos seus domínios, é difícil se acostumar com a nova situação. Quando se levanta ainda tenta, inutilmente, claro, acender o interruptor. Não se sabe a causa, você só sabe que não há mais claridade.

Foi mais ou menos isso que aconteceu com aquela seleção que queria carregar seis estrelas no peito. A diferença é que quando acabou a luz da seleção ela estava dormindo. E mais, a Seleção Brasileira era um bebê, indefeso, dormindo, enquanto acabou a luz.

O apagão diante da Alemanha foi simplesmente vexatório. A ausência de Neymar e Thiago Silva fez falta, mas ainda assim a dignidade deveria ter entrado em campo. Até mesmo a poderosíssima seleção da Argélia, ARGÉLIA, deu mais trabalho aos Alemães. O sumiço em campo não tem explicação. É um mistério que caberá aos estudiosos descobrir.

Mas há explicação para o fato de a Seleção ter perdido a copa. O que acontece é que a Seleção Brasileira não é um time. A equipe de Felipão é um simples apanhado de jogadores que atuam cada um num canto. Entrosamento? Difícil. Veja a última campeã, Espanha, ou até mesmo a nossa algoz, Alemanha. São grupos no qual mais da metade joga junto, enquanto o Brasil é, no máximo, um time em formação. Ao apostar em uma maioria de caras novas o técnico descartou completamente o passado. Renovação é necessária, mas para poder encarar o futuro também é preciso olhar para trás.

Vejamos a seleção que foi campeã em 2002. De todos os jogadores convocados naquele ano seis deles haviam disputado a Copa anterior e já vinha há muito tempo jogando pela seleção. Havia uma identidade, uma cara, um jeito, um time.

Na seleção atual, além das promessas, há ainda diversas posições não consolidadas. No período anterior havia jogadores incontestáveis em cada setor e um reserva a altura.

Além disso, vamos admitir, a safra atual de jogadores brasileiros não é boa. Nas Copas anteriores além dos convocados havia uma boa gordura de injustiçados que ficavam de fora. Na seleção do nosso último triunfo quatro deles já haviam sido ou viriam a ser agraciados como melhor do mundo. Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Kaká jogavam no mesmo time. Hoje apostamos todas nossas fichas em apenas um jogador de 22 anos.

O time atual é fraco. Nós acreditávamos por que tínhamos que acreditar. Se não fossem os brasileiros, quem seria? Os Argentinos?

Talvez, daqui a alguns anos, na próxima Copa, possamos dizer que temos um time, que joga junto, que se conhece e que tem jogadores que merecem vestir a camisa amarela. A surra que levamos pode servir de aprendizado. A própria Alemanha, na última copa, havia investido em uma nova geração. Assim sendo, esse time derrotado pode e deve servir como base para uma equipe vitoriosa.

Mas ainda assim, perder a Copa em casa deixou um gosto ruim na boca. Alguém colocou uma cebola no meio dos doces da nossa festa. E nós tivemos que engolir. Em nossa própria casa ficamos bêbados antes da hora e fomos dormir, deixando a festa para os convidados. Colocamos nossa melhor roupa, pensamos em todos os detalhes, passamos maquiagem para esconder os defeitos, recebemos todos na porta, cumprimos o protocolo, fizemos todas as honras, para acabar vergonhosamente.

Para nós a festa acabou. O ópio acabou. Se a taça poderia amenizar um pouco a realidade do país, nem para isso mais ela serve.

Agora é bola pra frente. A vida continua. Até a morte.
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