segunda-feira, 16 de junho de 2014

Diário de bordo- Desviando dos desvios

Nossa viagem foi pensada, planejada e discutida à exaustão. Até que todos os detalhes estivessem resolvidos não paramos de tentar acertá-los. Nos organizamos pessoalmente, profissionalmente e financeiramente para que esse sonho deixasse de ser um sonho. Foram quatro anos desde o surgimento de uma ideia até colocar o pé na estrada. Mas mesmo com todos os planos colocados no papel ainda assim um imprevisto ocorreu.

Contávamos com possíveis erros, mas não esperávamos que fossem efetivamente acontecer. E aconteceu. Em nosso segundo dia de viagem a embreagem do motorhome nos deixou na mão. O problema era mais que um probleminha. O ônibus teve que ficar parado e a solução só veio definitivamente nesta segunda-feira.

Na sexta-feira 13 iríamos ver os jogos na Fan fest do Rio, mas Copacabana acabou ficando longe, Belo Horizonte, mais ainda. Por perto somente uma rodovia e um posto de gasolina.

O Mineirão, onde deveríamos estar no dia 14, estava a 460 quilômetros. O que poderíamos ver daqui era apenas os ingressos em nossas mãos para o jogo Colômbia e Grécia.

Para que pudéssemos chegar mais perto do nosso destino, após uma busca desesperada e calma, o Rafaelzinho utilizou sua influência e entrou em contato com sua secretária, que depois de muito navegar, conseguiu pescar uma locadora de carros e no sábado, às 4h da manhã, estávamos de pé para poder ficar 6h30 sentados e chegar ao jogo.

No caminho encontramos uma parte da torcida Grega e mesmo não entendendo direito o que diziam (parecia que falavam grego), nos identificamos muito com eles, tanto é que o canto que aprendemos - “Ellas olê olê...” - nos acompanhou até a volta para o Rio.

Aparentemente tínhamos um lado definido, mas chegando à BH nos rendemos à imensidão amarela que tomava a cidade.

Nos submetemos também ao encanto do Mineirão. Sempre o víamos pela TV, mas nunca tínhamos nos aproximado. Por não ter tido sua fachada modificada o estádio manteve sua aura e, mesmo com o padrão Fifa, ele continuou o mesmo que sempre vislumbramos entrar.

Diante dos jogos da TV o Negs já tinha comentado, e concordamos, que não parecia que o evento era no Brasil. Nossa percepção não foi a mesma no estádio dos mineiros. Embora toda a estética nos fizesse crer que estávamos na Europa o espírito da torcida Brasileira/Colombiana nos dizia o oposto. Estávamos no Brasil. E aquilo era a copa do mundo.

Arrepiou.

A Colômbia fez jus à sua apaixonada torcida (Público Total: 57.174 / Renda: curiosamente não divulgada). Mesmo com a triste ausência de Falcão Garcia o espírito latino esteve em campo. O resultado se deu com dois gols previsíveis e um golaço. E assim foi, enfim, nosso primeiro jogo da Copa.

Encerrando a nossa brincadeira de criança, encontramos o lendário grupo Molejão na saída do jogo.

Apesar de estar com a alma lavada pela nossa estreia, estávamos tão ou mais exaustos que os próprios jogadores. Famintos, ainda tínhamos pela frente a volta para Rio. Depois de discutir o rumo entre uma churrascaria, o McDonald’s ou um shopping, nosso destino final foi uma pastelaria.

Foi cansativo, mas valeu a pena. Nos divertimos, por que sempre nos divertimos. Saímos do Rio como 10 seres humanos e voltamos uns cacos, felizes, mas em cacos.

Conseguimos contornar todos os problemas, por que mesmo sendo uma diversão, são seguidos os rumos da vida. Ás vezes planejamos, refletimos, calculamos, nos preparamos e, ainda assim, tudo acaba saindo diferente. A solução é usar a habilidade para driblar os obstáculos até chegar ao gol. Até o fim.

A viagem segue. A vida também.

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Pequenos aforismos da copa:

- Viram aqueles cara que iam para Cuiabá e foram pra Curitiba? Erraram por um pouquinho só né! ?

- É, o Cu pelo menos eles acertaram.


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 O que são pontinhos azuis no mar amarelo?


 O dia em que aprendemos a falar grego

Bom é ser feliz com o Molejão
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