quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Eu te entendo, Esquerdinha

Parece bizarro, mas não é.

O país que vai receber a copa tem estádios bonitões sem fosso e sem grade, o que até então seria impensável no país do futebol. Isso por que a paixão, a revolta e muitos outros fatores faziam com que torcedores invadissem o gramado sem maiores dificuldades. Mas agora não. Agora que vamos receber a copa somos um país altamente civilizado.

Muito distante desses pintosos estádios ainda existe a essência do futebol. Lá onde nasce o esporte, lá onde o sonho ou a brincadeira move pessoas a jogar uma verdadeira pelada, ainda há uma parte do futebol que não foi elitizada. Na série D do campeonato brasileiro o amor pelo clube ainda existe.

Um desses apaixonados se chama Romildo Fonseca da Silva, conhecido como Esquerdinha. Esquerdinha não é um jogador do seu clube, o Aparecidense, mas sim um massagista. Desesperado ao ver que seu time seria desclassificado aos 44 minutos do segundo tempo o massagista largou a sua função e foi além. Entrou em campo e salvou o time da desclassificação.

Incomum. Bem incomum. Mas compreensível.

Esquerdinha fez aquilo que um torcedor apaixonado faria. Esquerdinha virou zagueiro de uma hora para outra. Sem ser escalado, sem participar dos treinamentos e sem receber o mesmo salário de um jogador.

Ora, que torcedor nunca teve vontade de entrar em campo vestindo a camisa do seu clube?

Dia desses um amigo teve essa honra. Com direito a preleção, hino, nome no placar eletrônico, gol e comemoração ele vestiu as cores do seu clube como faz um jogador. Pode sentir por um dia como é a sensação de defender aquela pátria. Ajudei-o como pude para realizar aquele sonho, mesmo que não seja um simpatizante do time dele, mas o compreendo.

Quem já foi ao estádio gritar, berrar, torcer e em alguns casos até xingar em apoio ao time já teve a vontade de estar lá dentro para tentar resolver tudo.

Que torcedor nunca declarou que até ele jogaria melhor que o Ibson e o Maldonado juntos aquele jogador que tem pouca habilidade e ainda assim parece não jogar com raça?

Só quem ama seu clube sabe quais são esses sentimentos. O amor que o move para o estádio, o amor que faz com que torcedores tatuem o símbolo do clube, o amor que o faz gastar dinheiro para comprar uma camisa e carregar aquilo como um manto.

Esse foi o mesmo amor que moveu Esquerdinha. O torcedor Esquerdinha. O apaixonado Esquerdinha. O herói Esquerdinha.

Eu te entendo esquerdinha. Eu te entendo.
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