quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Vício

Sempre solto, vagando sem compromisso. Livre. “Um alcoólatra largado” diziam.

Um cachorro o acompanhava às vezes, mas quando a fome apertava o companheiro fazia suas expedições. Sua fidelidade não resistia à fome.

Como em um musical cantava pela rua sem motivo aparente. Vivia sorrindo e chorando. E falava, como falava. Principalmente sozinho. Por mais que alguns tentassem, ninguém conseguia ouvi-lo por muito tempo.

Vivia em extrema emoção, mas como a maioria das pessoas, quando estava sóbrio era frio, seco e tinha dificuldade em expor seus sentimentos. O consumo frequente do álcool fazia com que sua frieza fosse diluída.

A única coisa que tinha consigo era uma mochila na qual levava sua cachaça (gasolina, às vezes) e mais sabe-se lá o quê. Não carregava mais os seus sentimentos, os pulverizava.

Os escravos de bens materiais e carcereiros de sentimentos o julgavam e o chamavam de louco, doente, alcoólatra.

Tinha um vício sim, mas não era do álcool. Era um viciado em sentimentos.
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