terça-feira, 11 de outubro de 2011

O juiz supremo

Era bela. Tinha um olhar inocente, rosto jovial, uma boca pequenina e um corpo que parecia desenhado por cirurgiões plásticos, mas era cria apenas da natureza humana (e lapidada na academia). Sem dúvida alguma era muito bela. Mas seu caráter era o de uma bela de uma filha da puta.

Sua principal “virtude” era a falsidade. Conseguia negar com seu doce olhar e a expressão de um desenho animado dos mais meigos aquilo que todos sabiam ser uma trapaça. Fazia-o com a naturalidade de quem peida ao estar sozinho. E convencia. Fazia-se de inocente e por vezes fingia estar ofendida, virando o jogo.

Seu corpo era instrumento de manipulação. Seduzia a quem pudesse ser seduzido fisicamente para que fizesse algo em seu benefício.

A simpatia era outra de suas formas de conquista. Sorria para todos. Fingia dar atenção e carinho. Ao conquistar algo dava apenas as costas.

A boca era sua principal arma. Por trás acontecia sua trama. Jogava um contra outro enquanto no meio de campo se sobressaia. Pela frente dava apenas elogios, fazendo seu ilusionismo. Na distância a doce língua transformava-se em metralhadora.

Não bebia e não usava drogas. Só os fazia quando estava acompanhada unicamente do namorado, igualmente falso. Saia bastante, quase todos os dias. Concentrada na armação deixava que os outros bebessem e aí, maleáveis, convencia-os.

Passava dias e noites tentando alcançar o topo, utilizando seres humanos e suas frágeis humanidades como escada.

Mas ao final da noite, mesmo exausta por tanta tramóia, não conseguia dormir. Era a hora da ação do juiz supremo: o travesseiro.

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