quarta-feira, 5 de maio de 2010

Engano?

- Alô.
- Alô, quem é?
- É o chunda.
- Que chunda?

- Aquele que...

Ops, não era essa a história que eu ia contar!
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- Alô.
- Alô, quem é?
- É o Mário.
- Que Mário?

- Aquele que...

Ops, também não era essa a história!
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- Alô.
- Alô. Quem?
- É o Gilberto.
- Oi Gil tudo bem?
- Tudo bem e com você?
- Tudo bem também. Cê me ligou?
- Não sei. Liguei?
- Acho que sim. Teu número apareceu aqui na bina.
- Mas quem tá falando?
- É a Sheila.
- Sheila...
- É.
- Desculpa, mas acho que não liguei.
- Mas esse número tá aqui.
- Pois é, mas não me lembro de ter ligado.
- Então tá. Na verdade acho que você também não é quem eu achava que fosse.
- Ah, então tá bom.
- Então tá.
- Mas...
- O quê?
- Nada não.
- Então tá. Até outra hora.
- Ué, como assim até outra hora? Você vai me ligar de novo?
- Não sei.
- Ah, ligaê pra gente conversar... fazer alguma.
- Beleza, ligo sim, pra gente ir no cinema.
- Suce então, vamos ver Titanic!
- Então tá bom.
- Então fechô Sheila. Muito prazer em conhecê-la.
- Com prazer é mais caro.
- Hoiuhaeiuohaoieuhioaueh*. Então tá bom, beijos.
- Beijos.
Uma semana depois ele recebe uma ligação de um número desconhecido. Não acreditou quando constatou que era a menina da ligação por engano. Ela também não acreditou que teve coragem de ligar. Mesmo com ambos não acreditando em nada foram ao cinema. Ao se olharem tiveram uma grande surpresa ao constatar que o outro não era tão feio quanto o pessimismo de ambos imaginava. Namoraram por dois anos e tiveram um filho juntos, quando o picorrucho completou um ano se separaram.


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* Óbvio que o personagem em questão não deu risada dessa maneira. Ainda não consegui criar uma adaptação da risada real para a escrita.
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