sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Ela, ela e a operadora

Ele tenta controlar a ansiedade. Mas não dá. Olha o celular a cada instante. Qualquer coisa que faça sua calça mexer é interpretada como a vibração do celular. Qualquer pessoa que ele veja com o aparelho na mão já é razão para que também olhe o seu.
E isto é tudo culpa dela: a garota que está em outra cidade há mais de um mês. Mas não é uma garota qualquer. Garotas há milhares. Mas ela é... Ela.
Ele sabe que é bem do tipinho dela demorar para responder a mensagem. O que já o deixa naturalmente tenso, mas fazer o quê? Esperar, só isso.
Mesmo em uma festa cheia de gente legal ele não consegue esquecer. Jogando truco, conversando, bebendo, não adianta, a cabeça está a quilômetros de distância. Talvez seja melhor deixar o telefone em cima da mesa, assim, se chegar mensagem, ele verá e não precisa ficar olhando toda hora.
Não. Tática falha. Os reflexos fazem a tela brilhar e seus olhos também quando se direcionam ao fone. A esperança se esvai logo. É apenas reflexo.
Há uma linha tênue entre a esperança e a desilusão. Será que ela não quer mais nada? Será que realmente quis um dia? Será que arrumou outro por lá? Será que a distância no tempo e no espaço fez com que ela o esquecesse? As interrogações crescem em sua cabeça a cada minuto de demora.
Eis que todas as dúvidas caem à sua volta quando finalmente chega a mensagem. Ele abre e lê: 'Seus créditos estão prestes a acabar. Faça uma nova recarga no posto mais próximo'.


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Texto originalmente publicado no jornal Folha de Londrina em 25/03/09.
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