segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Cenoura cuzida. E Andressa também.

Andressa e Cenoura se tornaram a atração principal da festa do aniversário de Maicon, amigo do casal. Devido ao alto teor alcoólico que ambos já carregavam na corrente sangüínea o volume da discussão era igualmente alto. A cada três palavras que cada um dizia quatro eram palavrões. Quando a primeira palavra de baixo calão foi pronunciada a avó de Maicon se engasgou com o pedaço de picanha que mastigava. Maicon tentou intervir várias vezes, mas cada nova investida era respondida com o mesmo xingamento pelos dois. Dada a situação Maicon achou melhor levar a avó octogenária para dormir, ainda com a carne na boca. Assim como a véia os convidados foram se retirando pouco a pouco já cansados de ouvir a discussão onde cada frase se encerrava com um chamando o outro pelo nome completo. Além disso, um gole no copo de whisky lubrificava a breve pausa entre a réplica, a tréplica, a tetréplica e etcetera. Depois de todos os convidados o casal (pelo menos até então) só se retirou depois de terminar a garrafa de Jhonny Walker Black Label.
No dia posterior Andressa acordou primeiro, com a cara amarrada, uma grande dor de cabeça e a vontade eminente de jogar água fervente em cenoura ainda enquanto dormia. Adicionada a sede, cenoura sentiu a mesma vontade quando despertou meia hora depois. Dadas as tendências homicidas de cenoura ele teria o feito se Andressa estivesse no quarto. Quando se levantou o mundo girou e ele foi correndo ao banheiro vomitar. Na cozinha os dois se encontraram e se lançaram um olhar maligno. Disputaram o mesmo copo d’água que cenoura acabou cedendo. Depois que os dois tomaram a água que possibilitou que pudessem falar Cenoura perguntou ainda raivoso:
- Por que a gente brigou ontem, caralho?
- Não lembro.
- Nem eu.
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