Respirou fundo, segurou e soltou aquela velha vida.
Não viveria mais daquele jeito. Aquele tempo poderia ser mais bem aproveitado. Não só aquele, mas toda inútil perca de tempo.
Deveria arriscar mais. Divertir-se mais. Sorrir mais. Respirar mais. Olhar mais para frente e menos para o celular.
Não seria mais tão sistemático. Não iria mais se programar tanto para fazer simples tarefas. Não iria mais viver pré-ocupado. Iria simplesmente viver.
Aquela velha vida acabou. Mudaria a partir daquele momento.
Fechou os olhos e tirou o pen drive sem ejetar.
terça-feira, 2 de abril de 2013
segunda-feira, 18 de março de 2013
Má ré
Olhando para o céu, penso o quanto minha vida mudou depois que me livrei dela.
Tudo parecia piorar quando ela estava por perto. Ela era um aspirador obscuro, que eficientemente roubava todas minhas energias positivas.
Fui burro ao tentar levar aquilo a sério. Jamais poderia dar certo um relacionamento com uma pessoa que conheci após ter batido no meu carro.
Para momentos como aquele acumulei um arsenal de palavrões, que agora enriqueço cada vez mais. Teria o disparado, mas quando fui abrir a porta do carro ela já estava na janela chorando e pedindo desculpas. Não consegui dizer nada e ainda assumi a culpa.
- Bati o carro, amor. Vou chegar tarde – O pretexto parecia perfeito. Não era uma mentira, mas não foi o único motivo para ter chego 3h da madrugada. Fui ao motel com a mulher que bateu no meu carro.
Em uma única noite bati (e paguei) o carro, meu casamento acabou e fui ao motel (e paguei também) onde brochei pela primeira vez.
Depois que me separei ela e seu azar me faziam companhia frequente.
Minha saúde de ferro enferrujou. Passei a beber cada vez mais e a usar drogas depois que ela trouxe cocaína “só pra gente se divertir um pouco”. Até o meu time, o invencível Barcelona, passou a perder.
Quando percebi o revés tentei evitá-la, mas era inevitável. Mudei do meu quartinho de solteiro, mudei meu telefone e mudei de emprego. Melhor, perdi meu emprego.
Quando eu esboçava um sorriso ela surgia do chão para roubá-lo. Mercado, bar, médico, cinema, teatro...Ela parecia aquele e-mail com um slide idiota em que você se concentra e de repente aparece um demônio gritando em sua caixa de som.
Acreditei que me mudando para um cidade de 2.000 quilômetros de distância eu estaria livre, mas lá estava ela. Foi aí que concluí que não haveria outro jeito. Tive que matá-la.
Depois disso, minha vida finalmente melhorou. Muito. Penso isso mesmo que esteja olhando para o céu pela janela da minha cela enquanto outro detento me açoita.
Tudo parecia piorar quando ela estava por perto. Ela era um aspirador obscuro, que eficientemente roubava todas minhas energias positivas.
Fui burro ao tentar levar aquilo a sério. Jamais poderia dar certo um relacionamento com uma pessoa que conheci após ter batido no meu carro.
Para momentos como aquele acumulei um arsenal de palavrões, que agora enriqueço cada vez mais. Teria o disparado, mas quando fui abrir a porta do carro ela já estava na janela chorando e pedindo desculpas. Não consegui dizer nada e ainda assumi a culpa.
- Bati o carro, amor. Vou chegar tarde – O pretexto parecia perfeito. Não era uma mentira, mas não foi o único motivo para ter chego 3h da madrugada. Fui ao motel com a mulher que bateu no meu carro.
Em uma única noite bati (e paguei) o carro, meu casamento acabou e fui ao motel (e paguei também) onde brochei pela primeira vez.
Depois que me separei ela e seu azar me faziam companhia frequente.
Minha saúde de ferro enferrujou. Passei a beber cada vez mais e a usar drogas depois que ela trouxe cocaína “só pra gente se divertir um pouco”. Até o meu time, o invencível Barcelona, passou a perder.
Quando percebi o revés tentei evitá-la, mas era inevitável. Mudei do meu quartinho de solteiro, mudei meu telefone e mudei de emprego. Melhor, perdi meu emprego.
Quando eu esboçava um sorriso ela surgia do chão para roubá-lo. Mercado, bar, médico, cinema, teatro...Ela parecia aquele e-mail com um slide idiota em que você se concentra e de repente aparece um demônio gritando em sua caixa de som.
Acreditei que me mudando para um cidade de 2.000 quilômetros de distância eu estaria livre, mas lá estava ela. Foi aí que concluí que não haveria outro jeito. Tive que matá-la.
Depois disso, minha vida finalmente melhorou. Muito. Penso isso mesmo que esteja olhando para o céu pela janela da minha cela enquanto outro detento me açoita.
quinta-feira, 14 de março de 2013
Flashes
Flash nº 16
O dia já clareava quando entramos em um daqueles motéis do centro. O cara da recepção a confundiu com uma puta, mesmo nunca tendo a visto ali (?). Não nos incomodamos com o pulgueiro. Pagamos R$ 25.
Flash nº 10
Tinha o cabelo volumoso e era corpulenta. Deveria estar com uns 50 anos. Eu, 20. Tinha um vestido preto um pouco acima do joelho, que revelava suas formas. O seu olhar permanecia misterioso e penetrante.
Flash nº 14
Olhava para aquela imensa bunda e até me abaixei para tentar ver sua calcinha enquanto subia as escadas. Mesmo sabendo que dentro de alguns instantes poderia ver tudo o que queria. Pura molecagem.
Flash nº 1
Acordei com o gosto salgado daquela tenra buceta.
Olhei para aquele corpo ao meu lado e lembrei que um dia aquele fora um belo corpo. O observava muito durante a infância. Olhava com detalhes durante o dia para me masturbar de noite. Jamais transaria com uma mulher daquela, se não fosse ela a mãe de um amigo de infância. Pude sentir o gosto que não tive quando criança.
Já eram 4h e eu ainda estava lá. Mesmo tendo que estar no trabalho às 8h. Aquele inferninho no centro da cidade era o único lugar aberto àquela hora. Estávamos completamente bêbados, mas não inanimados.
Jamais imaginei que entraria naquilo, mesmo quando passava por ali de dia.
Os meus dois amigos eram frequentadores do local, cumprimentavam o garçom e o porteiro pelo nome e conheciam outros presentes.
Jamais imaginei que entraria naquilo, mesmo quando passava por ali de dia.
Os meus dois amigos eram frequentadores do local, cumprimentavam o garçom e o porteiro pelo nome e conheciam outros presentes.
Flash nº 15
Homens e mulheres bêbados dançavam no salão. Deveria ter umas 40 pessoas ali. Bolas e tacos abandonados na mesa de sinuca. Casais aparentemente recém-formados ficavam em cantos mal iluminados. Mesas serviam de camas improvisadas para os alcoolicamente sonolentos.
Ficar encostado no balcão me pareceu o ponto mais seguro. Tomava uma cerveja enquanto olhava para os meus amigos, que dançavam sorridentes com duas meninas. Feias. Lazarentas de feias.
Dançavam e me olhavam. Exibir aquelas moças de poucos dentes parecia divertido.
Ficar encostado no balcão me pareceu o ponto mais seguro. Tomava uma cerveja enquanto olhava para os meus amigos, que dançavam sorridentes com duas meninas. Feias. Lazarentas de feias.
Dançavam e me olhavam. Exibir aquelas moças de poucos dentes parecia divertido.
Flash nº 9
Vinha sorrindo em minha direção. Pensei em sair, ir até o banheiro. Mas continuei ali. A aproximadamente um metro a reconheci.
Flash nº 13
Flash nº 13
O dia já clareava quando entramos em um daqueles motéis do centro. O cara da recepção a confundiu com uma puta, mesmo nunca tendo a visto ali (?). Não nos incomodamos com o pulgueiro. Pagamos R$ 25.
Flash nº 10
Tinha o cabelo volumoso e era corpulenta. Deveria estar com uns 50 anos. Eu, 20. Tinha um vestido preto um pouco acima do joelho, que revelava suas formas. O seu olhar permanecia misterioso e penetrante.
Flash nº 14
Olhava para aquela imensa bunda e até me abaixei para tentar ver sua calcinha enquanto subia as escadas. Mesmo sabendo que dentro de alguns instantes poderia ver tudo o que queria. Pura molecagem.
Flash nº 1
Acordei com o gosto salgado daquela tenra buceta.
Olhei para aquele corpo ao meu lado e lembrei que um dia aquele fora um belo corpo. O observava muito durante a infância. Olhava com detalhes durante o dia para me masturbar de noite. Jamais transaria com uma mulher daquela, se não fosse ela a mãe de um amigo de infância. Pude sentir o gosto que não tive quando criança.
terça-feira, 5 de março de 2013
É namoro ou amizade?
Eram adolescentes que achavam ser adultos e tinham um coração de criança. Amavam-se do amor mais puro.
Em pleno fervor da adolescência, sedentos pela carne, ainda assim preferiam o amor.
Sem segundas intenções beijavam e abraçavam-se com freqüência. Conversavam pessoalmente, por e-mail, chat, SMS e todas as plataformas disponíveis. O assunto era inesgotável.
Na escola sentavam lado a lado. Por conversarem demais os professores eram obrigados a pedir que ficassem quietos. Para garantir que a aula ocorresse bem, alguns professores colocavam um em cada extremo da sala antes mesmo da aula começar.
Quanto mais juntos ficavam, mais juntos queriam estar. Até a distância os aproximava.
Embora ela quisesse namorar, ele tinha a consciência de que iria estragar aquele amor. A amava tanto que não queria machucá-la. Desde jovem já sabia que os homens sempre machucam as mulheres.
Coube a outro homem machucá-la.
Em pleno fervor da adolescência, sedentos pela carne, ainda assim preferiam o amor.
Sem segundas intenções beijavam e abraçavam-se com freqüência. Conversavam pessoalmente, por e-mail, chat, SMS e todas as plataformas disponíveis. O assunto era inesgotável.
Na escola sentavam lado a lado. Por conversarem demais os professores eram obrigados a pedir que ficassem quietos. Para garantir que a aula ocorresse bem, alguns professores colocavam um em cada extremo da sala antes mesmo da aula começar.
Quanto mais juntos ficavam, mais juntos queriam estar. Até a distância os aproximava.
Embora ela quisesse namorar, ele tinha a consciência de que iria estragar aquele amor. A amava tanto que não queria machucá-la. Desde jovem já sabia que os homens sempre machucam as mulheres.
Coube a outro homem machucá-la.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Um amor para recordar
Nunca vou esquecer aquela noite.
Estávamos com uma vontade excessiva. Não sei se pelo que tomamos, pelo tempo que não transávamos ou pela animação natural que se tem em fazer sexo.
Nunca vou esquecer o jeito que ela subia e descia. Além do tato, invocava o prazer pela visão. Me dava ainda mais tesão observar aquele corpo e o desejo era completo quando ela me olhava nos olhos.
Enquanto seus seios siliconados pareciam não se mover, seu piercing não parava. De sua cintura fina seu corpo alargava-se para o quadril até chegar a suas grossas coxas, que se contraiam quando ela subia até quase tirar a cabeça. Soltando o peso do corpo ela ia rapidamente do topo à base do meu pênis.
A empolgação extrema durou até o momento em que ela subiu demais, desencaixou, sentou em cima e quebrou o meu pau.
Que noite inesquecível.
Estávamos com uma vontade excessiva. Não sei se pelo que tomamos, pelo tempo que não transávamos ou pela animação natural que se tem em fazer sexo.
Nunca vou esquecer o jeito que ela subia e descia. Além do tato, invocava o prazer pela visão. Me dava ainda mais tesão observar aquele corpo e o desejo era completo quando ela me olhava nos olhos.
Enquanto seus seios siliconados pareciam não se mover, seu piercing não parava. De sua cintura fina seu corpo alargava-se para o quadril até chegar a suas grossas coxas, que se contraiam quando ela subia até quase tirar a cabeça. Soltando o peso do corpo ela ia rapidamente do topo à base do meu pênis.
A empolgação extrema durou até o momento em que ela subiu demais, desencaixou, sentou em cima e quebrou o meu pau.
Que noite inesquecível.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Gato perdido
Perdi meu gato na última semana de dezembro. Estou desesperado!
Ele atende pelo nome de “Gato”. Na tarde em que ele se perdeu mandei que fosse comprar cigarro para nós (um Malboro Light para mim e um Vermelho para ele). Gato é totalmente preto e no dia em que sumiu trajava apenas botas.
Apesar de saber se cuidar muito bem estou muito preocupado com o Gato, afinal, de suas sete vidas ele contabilizava apenas uma no dia de seu sumiço. Além do mais, ele levou meu cartão de crédito.
É comum encontrá-lo pelos bares da região do hemisfério Sul acompanhado de meia-dúzia de gatos pingados que costumam falar alto quando estão miando de bêbados.
Gostaria muito de colocar uma foto dele aqui, mas ele sempre foi tímido e nunca deixou que o fotografassem.
No carnaval dizem tê-lo visto pagando uma cerveja para um gringo no Rio de Janeiro.
Se alguém o ver, por favor, me bipa.
COMPARTILHEM!
Ele atende pelo nome de “Gato”. Na tarde em que ele se perdeu mandei que fosse comprar cigarro para nós (um Malboro Light para mim e um Vermelho para ele). Gato é totalmente preto e no dia em que sumiu trajava apenas botas.
Apesar de saber se cuidar muito bem estou muito preocupado com o Gato, afinal, de suas sete vidas ele contabilizava apenas uma no dia de seu sumiço. Além do mais, ele levou meu cartão de crédito.
É comum encontrá-lo pelos bares da região do hemisfério Sul acompanhado de meia-dúzia de gatos pingados que costumam falar alto quando estão miando de bêbados.
Gostaria muito de colocar uma foto dele aqui, mas ele sempre foi tímido e nunca deixou que o fotografassem.
No carnaval dizem tê-lo visto pagando uma cerveja para um gringo no Rio de Janeiro.
Se alguém o ver, por favor, me bipa.
COMPARTILHEM!
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Perfeição limitada
Nunca brigavam, parecia ser o casal perfeito. E era.
Jamais foram vistos discutindo ou brigando. Expressões de alegria e demonstrações de carinho eram percebidos de longe.
A lógica era simples, quando não queriam se ver não se viam. Se um dos dois queria ficar sozinho ou com os amigos era só avisar e estava tudo resolvido. Sem crise.
Não existia obrigação alguma. Às vezes ficavam até um mês sem se ver e nem por isso a paixão diminuía, pelo contrário.
Estavam um ano juntos nesse ritmo. Frequentavam a casa e conheciam a família um do outro. Se falavam todos os dias e jamais houve uma traição. Apesar da aparência não namoravam. Nunca houve um pedido, simplesmente foi rolando.
Ele, com sua obsessão pelo formalismo, a pediu em namoro. A aceitação era inevitável.
Inevitável também foi o sentimento de posse que emergiu em ambos. A alegria se foi.
Tudo que é bom um dia acaba.
Jamais foram vistos discutindo ou brigando. Expressões de alegria e demonstrações de carinho eram percebidos de longe.
A lógica era simples, quando não queriam se ver não se viam. Se um dos dois queria ficar sozinho ou com os amigos era só avisar e estava tudo resolvido. Sem crise.
Não existia obrigação alguma. Às vezes ficavam até um mês sem se ver e nem por isso a paixão diminuía, pelo contrário.
Estavam um ano juntos nesse ritmo. Frequentavam a casa e conheciam a família um do outro. Se falavam todos os dias e jamais houve uma traição. Apesar da aparência não namoravam. Nunca houve um pedido, simplesmente foi rolando.
Ele, com sua obsessão pelo formalismo, a pediu em namoro. A aceitação era inevitável.
Inevitável também foi o sentimento de posse que emergiu em ambos. A alegria se foi.
Tudo que é bom um dia acaba.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
O Doce, por Fernando Mendes
Hoje descobri um novo doce. Por meio de Guylherme Custódio, um amigo em comum entre nós, se não é ainda vai ser, me emprestou um livro (Literatura, pão e poesia. Sérgio Vaz) de um escritor paulistano não por natureza. Guylherme também é escritor, curitibano por natureza. Aliás, me apego muito com seus textos.
Jornalista, escritor e um bom “amante” da vida, se é que me entende. De vez em quando a gente até ama a vida juntos, leitor assíduo de tudo que as letras tornam palavras, também não tinha como ser diferente, né?
Nunca fui muito de ler. De vez em quando leio a Tribuna do Paraná, leio algumas noticias de meu time do coração e às vezes o horóscopo, pra ver se meu signo bate com o dela. Ah já ia me esquecendo das triboladas.
Com o livro que me emprestou e acabei de ler a pouco, achei a poesia que estava procurando, ou não estava, mas achei. Ou ela me achou, sei lá. Uma poesia que fala minha língua, que é o meu mundo, é o que escuto e vejo nas ruas. Rua por onde passo a maioria dos meus dias, trabalhando e muitas vezes não. Na verdade a maioria das vezes não, né Guylherme Custódio? Daqui pra frente chamarei o Guylherme por seu apelido (Fogo). Prefiro assim, é mais bonitinho.
Esse livro tem uma linguagem fácil de ser absorvida por quem nunca lê ou vive em lugares onde a cultura não tem tão fácil acesso. Isso foi o que percebi. Um livro de 184 páginas com histórias de lutas, dores, justiças e injustiças. De pobres, frágeis, de pais e de mães, de escritores, de rapeers e de leitores. Pessoas simples e simples pessoas.
A partir de textos do Fogo comecei a tomar gosto pela literatura, isso faz pouco tempo. Lia aqueles textos e pensava: “como não gosto disso, se é tão bom”.
Preguiça, falta de interesse. Não, é da vagabundagem mesmo. Mas vagabundagem também é uma labuta, pensa que é fácil ficar o dia todo procurando não fazer nada?
Como estava dizendo, os contos do Fogo me enchiam de curiosidade, principalmente quando não entendia nada o que ele queria dizer. Uma vez ele me disse que são os leitores que dizem pelo autor, mas isso já é muito para minha cabeça. Cabeça essa que tá cheia, cheia de vontade de aprender. Aprender a escrever, a lhe aprender, a decifrar a cabeça da mulher que é o amor da minha vida. Calma, ai já é pedir demais, outro dia conto mais sobre isso. Esta história não daria só um texto, daria um livro, um livro bem grosso, daquele tipo a Barça, saca?
Um dia o Fogo me contou sobre uma palestra em que um poeta recitava poemas voltados para a periferia, isso mesmo para a periferia! E para todos os periféricos de poesia.
Uma pessoa que fazia o bem com palavras, palavras bonitas, palavras fortes. Palavras carregadas de esperança. Um mineiro que fez a vida na periferia de São Paulo e que a trouxe junto com ele em páginas brancas com tons de vermelho, vermelho do sangue que escorre na zona sul paulistana, vermelho dos olhos cheios de água de quem o lê.
Um poeta que transformou um bar em biblioteca, para que as pessoas da comunidade fiquem cada vez mais embriagadas, que jovens entrem ali e se percam, que senhoras do lar levem seus maridos carregados para casa. Carregados de cultura, que os jovens se percam entre labirintos de letras e que saiam dali embriagados de esperança.
Assim o Fogo quando chega à distri e me conta sobre aquilo me deixa curioso para conhecer tal obra. Depois de alguns dias me emprestou o livro que comprou daquele escritor. Durante um tempo li aquele livro dia sim, três ou quatro não. Mas terminei hoje. Resolvi então escrever aqui para expressar meu contentamento pelo novo doce que experimentei e que quero me alimentar dele até morrer, de diabetes. Obrigado, Guylherme Fogo Custódio.
Jornalista, escritor e um bom “amante” da vida, se é que me entende. De vez em quando a gente até ama a vida juntos, leitor assíduo de tudo que as letras tornam palavras, também não tinha como ser diferente, né?
Nunca fui muito de ler. De vez em quando leio a Tribuna do Paraná, leio algumas noticias de meu time do coração e às vezes o horóscopo, pra ver se meu signo bate com o dela. Ah já ia me esquecendo das triboladas.
Com o livro que me emprestou e acabei de ler a pouco, achei a poesia que estava procurando, ou não estava, mas achei. Ou ela me achou, sei lá. Uma poesia que fala minha língua, que é o meu mundo, é o que escuto e vejo nas ruas. Rua por onde passo a maioria dos meus dias, trabalhando e muitas vezes não. Na verdade a maioria das vezes não, né Guylherme Custódio? Daqui pra frente chamarei o Guylherme por seu apelido (Fogo). Prefiro assim, é mais bonitinho.
Esse livro tem uma linguagem fácil de ser absorvida por quem nunca lê ou vive em lugares onde a cultura não tem tão fácil acesso. Isso foi o que percebi. Um livro de 184 páginas com histórias de lutas, dores, justiças e injustiças. De pobres, frágeis, de pais e de mães, de escritores, de rapeers e de leitores. Pessoas simples e simples pessoas.
A partir de textos do Fogo comecei a tomar gosto pela literatura, isso faz pouco tempo. Lia aqueles textos e pensava: “como não gosto disso, se é tão bom”.
Preguiça, falta de interesse. Não, é da vagabundagem mesmo. Mas vagabundagem também é uma labuta, pensa que é fácil ficar o dia todo procurando não fazer nada?
Como estava dizendo, os contos do Fogo me enchiam de curiosidade, principalmente quando não entendia nada o que ele queria dizer. Uma vez ele me disse que são os leitores que dizem pelo autor, mas isso já é muito para minha cabeça. Cabeça essa que tá cheia, cheia de vontade de aprender. Aprender a escrever, a lhe aprender, a decifrar a cabeça da mulher que é o amor da minha vida. Calma, ai já é pedir demais, outro dia conto mais sobre isso. Esta história não daria só um texto, daria um livro, um livro bem grosso, daquele tipo a Barça, saca?
Um dia o Fogo me contou sobre uma palestra em que um poeta recitava poemas voltados para a periferia, isso mesmo para a periferia! E para todos os periféricos de poesia.
Uma pessoa que fazia o bem com palavras, palavras bonitas, palavras fortes. Palavras carregadas de esperança. Um mineiro que fez a vida na periferia de São Paulo e que a trouxe junto com ele em páginas brancas com tons de vermelho, vermelho do sangue que escorre na zona sul paulistana, vermelho dos olhos cheios de água de quem o lê.
Um poeta que transformou um bar em biblioteca, para que as pessoas da comunidade fiquem cada vez mais embriagadas, que jovens entrem ali e se percam, que senhoras do lar levem seus maridos carregados para casa. Carregados de cultura, que os jovens se percam entre labirintos de letras e que saiam dali embriagados de esperança.
Assim o Fogo quando chega à distri e me conta sobre aquilo me deixa curioso para conhecer tal obra. Depois de alguns dias me emprestou o livro que comprou daquele escritor. Durante um tempo li aquele livro dia sim, três ou quatro não. Mas terminei hoje. Resolvi então escrever aqui para expressar meu contentamento pelo novo doce que experimentei e que quero me alimentar dele até morrer, de diabetes. Obrigado, Guylherme Fogo Custódio.
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Fernando Mendes (o Feio) é São Brazense, Coxa-Branca, tem 26 anos e gosta das triboladas.
Fernando Mendes (o Feio) é São Brazense, Coxa-Branca, tem 26 anos e gosta das triboladas.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Um estranho ninho
Sua simples presença era um evento. Quando passavam por ele cutucavam-se e o apontavam com os olhos e o nariz. As crianças puxavam a barra do vestido ou da calça de seus responsáveis para saber o que aquele rapaz fazia ali.
O olhavam como se fosse de outro mundo, mas estava em outro mundo apenas temporariamente. Ele não se importava com o que acontecia ao seu redor.
Estava tão concentrado que não olhava para os outros e nem para si. Não percebia sua própria aparência. Cabelo desgrenhado, bermuda, chinelo e uma camisa ex-branca. Era uma afronta estar trajado daquela forma em um local com pessoas vestidas casualmente embonecadas.
Não bastava estar daquele jeito. Ele ainda tinha um livro. Deveria estar na praça em frente ao shopping, no espaço público que abriga aqueles que não tem espaço privado. Não podia estar ali, no meio do templo do consumo sem nada consumir. E lendo.
“Tem um rapaz lendo na praça de alimentação”. Em instantes o boato correu o shopping inteiro. Até pessoas de fora entravam para ver aquilo. Em pleno dia de jogo e ele ali, com um livro.
E era um livro de verdade, sem tela. De papel como aqueles de antigamente.
Após uma hora a novidade já esfriava. Alguns já se conformavam. “É um louco”.
Ele então se espreguiça e coloca uma mão em cada bolso. De um retira um cigarro e do outro um isqueiro. Acende e antes de dar o primeiro trago surge um segurança.
Com tantos olhos e celulares em volta o segurança, com esforço, é obrigado a usar a educação. Pede que apague aquilo e em voz alta o questiona:
- Você não viu o aviso bem na sua frente?
A resposta faz com que todos suspirem aliviados.
- Desculpa senhor. Não sei ler.
O olhavam como se fosse de outro mundo, mas estava em outro mundo apenas temporariamente. Ele não se importava com o que acontecia ao seu redor.
Estava tão concentrado que não olhava para os outros e nem para si. Não percebia sua própria aparência. Cabelo desgrenhado, bermuda, chinelo e uma camisa ex-branca. Era uma afronta estar trajado daquela forma em um local com pessoas vestidas casualmente embonecadas.
Não bastava estar daquele jeito. Ele ainda tinha um livro. Deveria estar na praça em frente ao shopping, no espaço público que abriga aqueles que não tem espaço privado. Não podia estar ali, no meio do templo do consumo sem nada consumir. E lendo.
“Tem um rapaz lendo na praça de alimentação”. Em instantes o boato correu o shopping inteiro. Até pessoas de fora entravam para ver aquilo. Em pleno dia de jogo e ele ali, com um livro.
E era um livro de verdade, sem tela. De papel como aqueles de antigamente.
Após uma hora a novidade já esfriava. Alguns já se conformavam. “É um louco”.
Ele então se espreguiça e coloca uma mão em cada bolso. De um retira um cigarro e do outro um isqueiro. Acende e antes de dar o primeiro trago surge um segurança.
Com tantos olhos e celulares em volta o segurança, com esforço, é obrigado a usar a educação. Pede que apague aquilo e em voz alta o questiona:
- Você não viu o aviso bem na sua frente?
A resposta faz com que todos suspirem aliviados.
- Desculpa senhor. Não sei ler.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Sinceridade feminina
Camila era despojada, espontânea, risonha e sincera. Gostava de conversar, gritar e falar palavrão. Era vaidosa e vestia com requinte seu corpo magro, bronzeado e de estatura mediana. Assim como seus dedos, seus lábios eram finos. Tinha seios naturais que cabiam em uma mão. Camila era também conhecida por outra característica: dava para qualquer um.
Camila gostava de transar e achava homem chato demais para namorar, por isso queria apenas a parte que importava. Como a maioria dos homens podia lhe dar o que queria então podia ser qualquer um.
Se pudesse Camila faria sexo todo dia e, se aguentasse, o dia inteiro. Não dava para dois ao mesmo tempo, mas se houvesse oportunidade daria para mais de um no mesmo dia.
Não era necessário galantear, conversar, levar para jantar, flertar. Não precisava nem dizer o nome. Bastava um “vamos transar” e pronto.
Sabia que outras mulheres queriam ser como ela. Não ligava para o que falavam e falava por si mesma. Repetia quantas vezes fosse preciso que dava para quem quisesse comê-la.
Mas tinha seus critérios e deixava bem claro que se não gostasse pararia tudo, se vestia e ia embora. Se isso ocorresse, Camila contaria para todo mundo o baixo desempenho do cidadão.
Esse fato afastava os homens que pudessem se aproximar pelo sexo. Tinham receio e até medo de ter seu desempenho sexual divulgado.
Camila morreu virgem.
Camila gostava de transar e achava homem chato demais para namorar, por isso queria apenas a parte que importava. Como a maioria dos homens podia lhe dar o que queria então podia ser qualquer um.
Se pudesse Camila faria sexo todo dia e, se aguentasse, o dia inteiro. Não dava para dois ao mesmo tempo, mas se houvesse oportunidade daria para mais de um no mesmo dia.
Não era necessário galantear, conversar, levar para jantar, flertar. Não precisava nem dizer o nome. Bastava um “vamos transar” e pronto.
Sabia que outras mulheres queriam ser como ela. Não ligava para o que falavam e falava por si mesma. Repetia quantas vezes fosse preciso que dava para quem quisesse comê-la.
Mas tinha seus critérios e deixava bem claro que se não gostasse pararia tudo, se vestia e ia embora. Se isso ocorresse, Camila contaria para todo mundo o baixo desempenho do cidadão.
Esse fato afastava os homens que pudessem se aproximar pelo sexo. Tinham receio e até medo de ter seu desempenho sexual divulgado.
Camila morreu virgem.
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