sexta-feira, 25 de maio de 2012

Bolinho da vó

Edinho adorava ir à casa da vó, como todas as outras crianças. Adorava encontrar os primos na casa da vó, como todas as outras crianças. Adorava brincar na casa da vó, como todas as outras crianças. Adorava o bolinho da vó, que só a sua vó fazia.


Apesar de adorar ir à casa da vó não podia fazê-lo frequentemente. 12 horas e aproximadamente 914 Km o distanciavam. Somente uma vez por ano, nas férias, é que podia divertir-se com a família. No restante do ano era obrigado a enfrentar a dura e estressante rotina da escola.


Ao chegar da longa viagem era recepcionado com o bolinho. O bolinho da vó. Tinha o gosto que somente a avó, com toda sua idade produzia, o gosto da sua infância.


As avós são, geralmente, as melhores cozinheiras do mundo. Mesmo a comida da avó dos outros, que também fazem parte do clã das melhores chefs, jamais é tão boa quanto a da própria avó.


A especialidade de dona Armênia era o bolinho. Sua mãe e as tias também tinham a receita, mas não faziam igual. O bolinho tinha como tempero o afeto da avó por ele.


Mesmo sendo da família e conhecendo a todos ele sempre chegava acanhado. Talvez o fato de vê-los apenas uma vez por ano despertasse sua timidez. Certa vez chegou animado, empolgado. Depois de cumprimentar todos perguntou: “Tem bolinho?”. A tia agachou-se e com um olhar sério disse:


“Eder, a vó não pode mais fazer bolinho”.
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